Resumo da notícia
- O Rio Grande do Norte mudou seu status fitossanitário para cancro cítrico, saindo da erradicação e entrando no Sistema de Mitigação de Risco, visando controlar a doença sem eliminar totalmente os focos.
- Produtores no estado devem adotar cadastro, vistorias e práticas de manejo para garantir a circulação segura de frutas, que precisam passar por inspeção e tratamento antes do transporte.
- A doença se espalha por chuva, vento e materiais contaminados; medidas preventivas incluem uso de mudas sadias, higienização de equipamentos e controle de pragas para reduzir a disseminação.
O Ministério da Agricultura e Pecuária alterou o status fitossanitário do Rio Grande do Norte para o cancro cítrico, doença que pode reduzir a produção e comprometer a qualidade comercial de laranjas, limões e tangerinas.
O estado deixou de ser classificado como área sob erradicação e passou a integrar o Sistema de Mitigação de Risco (SMR). A mudança foi oficializada pela Portaria SDA/Mapa nº 1.680, publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (2). A norma também revogou o status anterior, vigente desde dezembro de 2022.
O novo enquadramento indica que a eliminação dos focos deixou de ser considerada epidemiologicamente viável em todo o território potiguar. A estratégia passa a combinar medidas de manejo destinadas a reduzir a presença da bactéria e evitar que ela alcance áreas ainda não afetadas.
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O que muda para os produtores do Rio Grande do Norte
O Sistema de Mitigação de Risco não significa o fim do controle da doença. O modelo reúne medidas que devem ser aplicadas durante a produção, a colheita, o beneficiamento e o transporte dos frutos.
Nas propriedades comerciais que aderirem ao sistema, estão previstos o cadastro dos imóveis, a inscrição das unidades de produção, a realização de vistorias e a adoção de práticas de manejo durante o ciclo da cultura.
Para enviar frutos a outros estados, a produção também precisa atender às exigências de certificação fitossanitária. Os frutos devem passar por inspeção, estar sem sintomas da doença e receber tratamento higienizante após a colheita. O transporte deve ser realizado em veículo fechado ou coberto.
O objetivo do sistema é permitir a circulação de frutos produzidos em regiões onde o cancro cítrico está presente, desde que sejam adotadas medidas capazes de reduzir o risco de disseminação.
Como o cancro cítrico se espalha
Causado pela bactéria Xanthomonas citri subsp. citri, o cancro cítrico atinge folhas, frutos e ramos jovens. A doença afeta diferentes espécies e variedades comerciais, como laranja, limão e tangerina.
A disseminação ocorre principalmente por respingos de chuva, vento e trânsito de mudas contaminadas. Ferramentas, máquinas, roupas e materiais usados durante a colheita também podem transportar a bactéria entre plantas e propriedades.
Períodos de calor, umidade elevada e chuvas acompanhadas de vento favorecem a propagação. Entre as medidas preventivas estão o uso de mudas sadias, a inspeção frequente dos pomares, a higienização dos equipamentos, o controle do minador-dos-citros e a implantação de quebra-ventos.
Seis municípios de Rondônia entram em erradicação
Enquanto o Rio Grande do Norte passa a conviver com a mitigação, seis municípios de Rondônia foram reconhecidos como áreas sob erradicação: Cabixi, Chupinguaia, Corumbiara, Jaru, Rolim de Moura e Seringueiras.
A classificação indica que, nessas localidades, a eliminação dos focos ainda é considerada possível. O reconhecimento foi estabelecido pela Portaria SDA/Mapa nº 1.678, também publicada nesta quarta-feira.
Outros quatro municípios rondonienses já estavam sob o Sistema de Mitigação de Risco desde agosto: Cerejeiras, Costa Marques, Pimenteiras do Oeste e São Francisco do Guaporé. As demais áreas de Rondônia permanecem classificadas como sem ocorrência da doença.