Memória, aprendizagem, comunicação e comportamento revelam habilidades dos suínos e ajudam a melhorar o manejo nas granjas
porco
Foto: Ari Dias/AEN

Os porcos despertam o interesse da ciência pela capacidade de aprendizagem e memória e pela forma como interagem com o ambiente. Pesquisas mostram que eles conseguem aprender tarefas, guardar informações e responder de maneiras diferentes aos estímulos.

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Um trabalho de referência nessa área foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Utrecht, nos Países Baixos. Publicado na revista Animal Cognition, o estudo reuniu pesquisas sobre aprendizagem e memória em suínos e identificou evidências dessas capacidades em diferentes testes. Ao mesmo tempo, os autores ressaltaram que os métodos de avaliação ainda precisam de aprimoramento.

Na prática, essas descobertas também têm importância para a criação. Entender como os animais percebem e respondem ao ambiente pode contribuir para melhorar as condições das granjas.

Suínos conseguem aprender

Pesquisas de cognição animal mostram que os suínos conseguem aprender associações e diferenciar estímulos em determinadas tarefas. Em alguns experimentos, eles aprenderam a relacionar sinais específicos a recompensas.

O resultado não significa que a espécie pense como os seres humanos. Em outras palavras, a evidência mostra que os animais conseguem utilizar experiências anteriores para responder a determinadas situações.

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A memória influencia as respostas

A memória dos suínos também aparece em experimentos de orientação e aprendizagem espacial. A revisão da Universidade de Utrecht reuniu estudos que avaliaram diferentes formas de retenção de informações.

Por isso, os pesquisadores destacam que os resultados variam conforme o método utilizado. Comparações diretas entre a capacidade cognitiva dos suínos e a de outras espécies, portanto, exigem cautela.

O comportamento pode indicar diferentes estados

Outra linha de pesquisa utiliza o viés cognitivo para investigar como estados afetivos podem influenciar as respostas dos animais.

Pesquisadores da Universidade de Newcastle, da Queen’s University Belfast e da University of Lincoln, no Reino Unido, avaliaram a relação entre humor, personalidade e desempenho de porcos em testes cognitivos.

Com isso, os resultados ajudam a ampliar as ferramentas usadas pela ciência para estudar o bem-estar dos suínos, incluindo aspectos que não aparecem apenas pela observação física.

Fuçar faz parte da rotina natural

O comportamento de fuçar, conhecido como rooting, permite ao suíno investigar o ambiente, procurar alimento e manipular materiais.

Pesquisadores da Universidade de Turim, na Itália, estudaram esse comportamento em porcos criados em condições de maior liberdade. O trabalho reforçou a importância de considerar o rooting na avaliação das condições de criação.

Nesse contexto, o enriquecimento ambiental pode oferecer materiais e oportunidades para exploração, principalmente em sistemas que restringem o acesso ao ambiente natural.

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Porcas e leitões se comunicam

A comunicação entre mãe e filhotes também chama a atenção dos pesquisadores. Um estudo da Norwegian University of Life Sciences (NMBU) avaliou contatos, cheiros e vocalizações de porcas durante a interação com os leitões.

Publicado na revista PLOS ONE, o trabalho encontrou associações entre esses comportamentos e indicadores relacionados ao cuidado materno, à sobrevivência dos leitões e à qualidade da leitegada.

Assim, observar a interação entre porcas e leitões pode fornecer informações importantes sobre a relação materna.

A lama ajuda a enfrentar o calor

O banho de lama tem uma função que vai além da aparência. Os suínos possuem poucas glândulas sudoríparas funcionais e, por isso, enfrentam limitações para perder calor pela transpiração.

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Em temperaturas elevadas, a água e as superfícies úmidas ajudam na dissipação de calor. O comportamento, portanto, representa uma resposta às condições ambientais.

Na suinocultura, esse aspecto reforça a importância de controlar a temperatura das instalações e reduzir o estresse térmico nos períodos mais quentes.

Ciência ajuda a melhorar o manejo

Os estudos revelam diferentes aspectos da vida dos suínos, desde a aprendizagem e a memória até a exploração, a comunicação e a resposta ao calor.

Dessa forma, esse conhecimento ajuda a orientar instalações, enriquecimento ambiental e práticas de criação. Para o produtor, observar essas características significa compreender melhor as necessidades dos animais e tomar decisões de manejo mais adequadas.

No fim, a capacidade de aprendizagem e memória mostra que o comportamento dos porcos merece atenção não apenas pela curiosidade científica, mas também pela relação direta com o bem-estar animal e a rotina das granjas.