Resumo da notícia
- Tambaqui lidera a aquicultura de espécies nativas no Brasil, com 120,85 mil toneladas produzidas em 2024 e valor de R$ 1,5 bilhão, destacando Rondônia como principal estado produtor.
- A criação do tambaqui é favorecida por seu crescimento rápido, rusticidade e adaptação a diversos sistemas, além do hábito alimentar onívoro que facilita formulações de ração.
- Pintado e pirarucu ampliam as opções na piscicultura nacional, com pesquisas focadas em manejo eficiente, híbridos e conservação, promovendo diversidade e sustentabilidade no setor.
Tambaqui, pintado e pirarucu mostram como a aquicultura brasileira pode ampliar a participação de espécies originárias das águas do país. Entre elas, o tambaqui ocupa a posição de maior destaque comercial. Segundo o IBGE, os produtores brasileiros alcançaram 120,85 mil toneladas da espécie em 2024, com valor de produção de R$ 1,50 bilhão. Rondônia liderou o cultivo.
O resultado mostra a dimensão econômica dos peixes nativos em um mercado que também conta com forte participação da tilápia, espécie exótica amplamente criada no Brasil. A Embrapa considera o tambaqui a principal espécie nativa cultivada comercialmente no país.
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Tambaqui combina crescimento e adaptação
O tambaqui (Colossoma macropomum) é originário da Bacia Amazônica e apresenta características que favorecem sua criação. O peixe apresenta bom desempenho de crescimento, rusticidade e adaptação a diferentes sistemas, entre eles viveiros escavados, tanques-rede e estruturas de recirculação de água.
Além disso, a espécie possui hábito alimentar onívoro e consegue aproveitar diferentes ingredientes na alimentação. Por essa razão, pesquisadores estudam alternativas para formular rações e melhorar a eficiência da produção.
A reprodução, entretanto, exige conhecimento técnico. Na natureza, o tambaqui recebe estímulos ambientais relacionados à migração para completar o ciclo reprodutivo. Em cativeiro, o produtor utiliza indução hormonal para obter a desova.
Em 2025, a Embrapa publicou uma circular técnica com protocolos de indução utilizando buserelina. Os pesquisadores testaram os procedimentos em condições produtivas do Amazonas e de Alagoas.
Esse avanço ajuda a explicar por que a expansão da piscicultura de espécies nativas depende não apenas da demanda do consumidor. A cadeia também precisa de alevinos de qualidade, alimentação adequada, manejo eficiente e assistência técnica.
Pintado amplia as opções para produtores
O grupo dos surubins também conquistou espaço na criação comercial. O IBGE acompanha categorias que incluem pintado, cachara, cachapira, pintachara e surubim, além de outras espécies cultivadas.
A Embrapa, por sua vez, pesquisa diferentes representantes desse grupo e seus híbridos. Essas alternativas permitem trabalhar com características distintas de crescimento, manejo, alimentação e comercialização.
Por isso, a escolha da espécie precisa considerar as condições de cada propriedade e o mercado disponível na região. O preço de venda, sozinho, não determina a viabilidade de um empreendimento.
Pirarucu une produção e conservação
O pirarucu (Arapaima gigas) chama atenção pelo porte, pela capacidade de respirar ar atmosférico e pelo potencial de cultivo. A espécie apresenta características que favorecem o manejo e despertam interesse entre produtores.
Os dados mais recentes do IBGE dimensionam uma cadeia ainda menor que a do tambaqui, mas com atividade econômica própria. Em 2025, o Brasil produziu 1,68 mil toneladas de pirarucu, avaliadas em R$ 32,8 milhões. Rondônia apareceu como principal estado produtor.
Ao mesmo tempo, o peixe ganhou importância por meio do manejo comunitário do pirarucu em áreas da Amazônia. O Instituto Mamirauá informa que o sistema participativo implantado em 1999 contribuiu para aumentar em aproximadamente 620% o estoque natural da espécie nas áreas manejadas da Reserva Mamirauá.
Nesse modelo, as comunidades participam do monitoramento dos estoques, seguem regras de pesca e comercializam a produção. Assim, o manejo passou a associar geração de renda e conservação dos recursos pesqueiros.
Reprodução ainda desafia a produção
Apesar da diversidade disponível, transformar espécies nativas em cadeias produtivas competitivas exige tecnologia. O produtor precisa contar com alevinos de qualidade, reprodução controlada, nutrição adequada, manejo da água, controle sanitário e canais de comercialização.
A reprodução representa uma das etapas mais técnicas. No caso do tambaqui, por exemplo, a Embrapa trabalha para aprimorar protocolos de indução hormonal e facilitar sua aplicação em diferentes regiões produtoras.
Por isso, o avanço dos peixes nativos na aquicultura brasileira depende da transformação do conhecimento científico em tecnologias acessíveis ao produtor.
Tambaqui, pintado e pirarucu seguem caminhos diferentes dentro desse mercado. O primeiro já possui uma cadeia produtiva consolidada; os surubins atendem a diferentes estratégias de cultivo e comercialização; enquanto o pirarucu combina criação comercial com uma experiência relevante de manejo comunitário na Amazônia.