Tambaqui lidera entre as espécies nativas cultivadas no país, enquanto pintado e pirarucu ampliam as opções para produtores e mercados regionais
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Tambaquis - Foto: Ron DeCloux/Flickr

Tambaqui, pintado e pirarucu mostram como a aquicultura brasileira pode ampliar a participação de espécies originárias das águas do país. Entre elas, o tambaqui ocupa a posição de maior destaque comercial. Segundo o IBGE, os produtores brasileiros alcançaram 120,85 mil toneladas da espécie em 2024, com valor de produção de R$ 1,50 bilhão. Rondônia liderou o cultivo.

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O resultado mostra a dimensão econômica dos peixes nativos em um mercado que também conta com forte participação da tilápia, espécie exótica amplamente criada no Brasil. A Embrapa considera o tambaqui a principal espécie nativa cultivada comercialmente no país.

Tambaqui combina crescimento e adaptação

O tambaqui (Colossoma macropomum) é originário da Bacia Amazônica e apresenta características que favorecem sua criação. O peixe apresenta bom desempenho de crescimento, rusticidade e adaptação a diferentes sistemas, entre eles viveiros escavados, tanques-rede e estruturas de recirculação de água.

Além disso, a espécie possui hábito alimentar onívoro e consegue aproveitar diferentes ingredientes na alimentação. Por essa razão, pesquisadores estudam alternativas para formular rações e melhorar a eficiência da produção.

A reprodução, entretanto, exige conhecimento técnico. Na natureza, o tambaqui recebe estímulos ambientais relacionados à migração para completar o ciclo reprodutivo. Em cativeiro, o produtor utiliza indução hormonal para obter a desova.

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Em 2025, a Embrapa publicou uma circular técnica com protocolos de indução utilizando buserelina. Os pesquisadores testaram os procedimentos em condições produtivas do Amazonas e de Alagoas.

Esse avanço ajuda a explicar por que a expansão da piscicultura de espécies nativas depende não apenas da demanda do consumidor. A cadeia também precisa de alevinos de qualidade, alimentação adequada, manejo eficiente e assistência técnica.

Pintado amplia as opções para produtores

O grupo dos surubins também conquistou espaço na criação comercial. O IBGE acompanha categorias que incluem pintado, cachara, cachapira, pintachara e surubim, além de outras espécies cultivadas.

A Embrapa, por sua vez, pesquisa diferentes representantes desse grupo e seus híbridos. Essas alternativas permitem trabalhar com características distintas de crescimento, manejo, alimentação e comercialização.

Por isso, a escolha da espécie precisa considerar as condições de cada propriedade e o mercado disponível na região. O preço de venda, sozinho, não determina a viabilidade de um empreendimento.

Pirarucu une produção e conservação

O pirarucu (Arapaima gigas) chama atenção pelo porte, pela capacidade de respirar ar atmosférico e pelo potencial de cultivo. A espécie apresenta características que favorecem o manejo e despertam interesse entre produtores.

Os dados mais recentes do IBGE dimensionam uma cadeia ainda menor que a do tambaqui, mas com atividade econômica própria. Em 2025, o Brasil produziu 1,68 mil toneladas de pirarucu, avaliadas em R$ 32,8 milhões. Rondônia apareceu como principal estado produtor.

Ao mesmo tempo, o peixe ganhou importância por meio do manejo comunitário do pirarucu em áreas da Amazônia. O Instituto Mamirauá informa que o sistema participativo implantado em 1999 contribuiu para aumentar em aproximadamente 620% o estoque natural da espécie nas áreas manejadas da Reserva Mamirauá.

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Nesse modelo, as comunidades participam do monitoramento dos estoques, seguem regras de pesca e comercializam a produção. Assim, o manejo passou a associar geração de renda e conservação dos recursos pesqueiros.

Reprodução ainda desafia a produção

Apesar da diversidade disponível, transformar espécies nativas em cadeias produtivas competitivas exige tecnologia. O produtor precisa contar com alevinos de qualidade, reprodução controlada, nutrição adequada, manejo da água, controle sanitário e canais de comercialização.

A reprodução representa uma das etapas mais técnicas. No caso do tambaqui, por exemplo, a Embrapa trabalha para aprimorar protocolos de indução hormonal e facilitar sua aplicação em diferentes regiões produtoras.

Por isso, o avanço dos peixes nativos na aquicultura brasileira depende da transformação do conhecimento científico em tecnologias acessíveis ao produtor.

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Tambaqui, pintado e pirarucu seguem caminhos diferentes dentro desse mercado. O primeiro já possui uma cadeia produtiva consolidada; os surubins atendem a diferentes estratégias de cultivo e comercialização; enquanto o pirarucu combina criação comercial com uma experiência relevante de manejo comunitário na Amazônia.