Mesmo com recuo na produção, setor amplia moagem, empregos e capacidade industrial em 2025
Produção de fécula de mandioca recua em 2025, mas alta dos preços eleva o Valor Bruto da Produção para R$ 2,14 bilhões no Brasil.
Foto: Tony Oliveira/Sistema CNA/Senar

A indústria brasileira de amidos de mandioca ampliou sua capacidade instalada, aumentou a moagem e gerou mais empregos em 2025. No entanto, a produção de fécula e de outros derivados registrou leve queda.

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Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Amidos de Mandioca (Abam), mostram que a valorização da fécula compensou a retração produtiva e elevou o Valor Bruto da Produção (VBP).

O levantamento identificou 88 unidades industriais ativas e inativas. As plantas estão distribuídas em 65 municípios de sete estados brasileiros.

Capacidade industrial cresce pelo quinto ano seguido

A capacidade instalada alcançou 25,6 mil toneladas por dia em 2025. O resultado representa o quinto crescimento anual consecutivo. A expansão ocorreu principalmente devido às ampliações realizadas em algumas unidades industriais.

O Paraná liderou a capacidade instalada, com participação de 65,6%. Mato Grosso do Sul respondeu por 19,8% e São Paulo por 7,9%. Santa Catarina, Bahia, Pernambuco e Alagoas concentraram os 6,7% restantes.

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O número de empregados diretos nas fecularias chegou a 3.721 trabalhadores. O volume representa aumento de 7% em comparação com 2024.

Moagem de mandioca bate recorde histórico

As fecularias processaram 3,13 milhões de toneladas de mandioca em 2025. O volume cresceu 5,5% em relação ao ano anterior e estabeleceu novo recorde na série histórica do Cepea. O aumento ocorreu na maior parte das regiões acompanhadas pela pesquisa.

Produção de fécula recua apesar da maior moagem

A produção nacional de fécula totalizou 686,03 mil toneladas em 2025. O resultado ficou 0,5% abaixo do registrado no ano anterior. A queda foi influenciada principalmente por São Paulo. O estado reduziu sua produção em 40,9%.

Nas demais regiões, a produção avançou ao longo do período. O Paraná respondeu por 67,6% da produção nacional. Mato Grosso do Sul participou com 22,8% e São Paulo com 5,8%. O Nordeste concentrou 3,1% da produção e Santa Catarina representou 0,7%.

Segundo pesquisadores do Cepea, a redução ocorreu devido à menor taxa média de extração de amido pela indústria. O cenário contrasta com o maior teor de amido nas raízes observado durante a maior parte de 2025.

Amidos modificados avançam no mercado

A diversificação industrial permaneceu em crescimento. Entre as empresas pesquisadas, 45,1% produziram pelo menos um derivado adicional além da fécula. O volume total desses produtos alcançou 355,8 mil toneladas. Apesar disso, a produção conjunta recuou 3,2% no ano.

O destaque ficou com os amidos modificados. A produção da categoria cresceu 31,2% e atingiu 155,6 mil toneladas. O desempenho indica avanço dos produtos com maior valor agregado.

Valorização da fécula eleva VBP para R$ 2,14 bilhões

O preço médio nominal da fécula subiu 3,1% em 2025. A tonelada foi comercializada, em média, por R$ 3.122,47 na modalidade FOB indústria. Com isso, o Valor Bruto da Produção alcançou R$ 2,14 bilhões. O indicador avançou 2,6% em relação ao ano anterior. Em termos reais, porém, os preços permaneceram praticamente estáveis após o desconto da inflação.

Panificação lidera consumo da fécula

O principal destino da fécula foi o segmento de massas, biscoitos e panificação. O setor respondeu por 26,7% do volume comercializado. Atacadistas e redistribuidores participaram com 10,8%. Outras fecularias absorveram 10,2% da produção.

Os setores de papel e papelão representaram 6,4%. O varejo respondeu por 5,3% e os frigoríficos por 5,1%. A produção de tapioca semipronta absorveu 3,6%.

Já as indústrias químicas utilizaram 2,1% do total produzido. Entre as empresas pesquisadas, 20,7% realizaram exportações diretas de fécula. Os estoques encerraram 2025 em 54,3 mil toneladas. O volume correspondeu a 7,9% da produção anual.

Setor projeta crescimento em 2026

Para 2026, 57,4% das empresas esperam manter a produção nos mesmos níveis de 2025. Outros 29,4% projetam crescimento médio de 20,3%. Já 13,2% estimam queda média de 12,8%.

No consolidado, a expectativa do setor aponta expansão de 15,5% na produção. Dados preliminares do Cepea indicam que a produção de fécula alcançou 360 mil toneladas até maio. O volume supera em 4,1% o registrado no mesmo período de 2025.

Apesar do avanço, o resultado ainda permanece abaixo das projeções do setor. A colheita da mandioca e o esmagamento industrial concentram-se tradicionalmente no primeiro semestre.