Produtores de Junqueirópolis lidam com atraso nas chuvas, consumo em baixa e concorrência acirrada, enquanto o setor sofre com o envelhecimento dos agricultores.
Foto: Ricardo Moura/Embrapa

A tradicional safra paulista de acerola enfrenta uma conjuntura difícil nesta temporada 2025/2026. No município de Junqueirópolis, conhecido como a capital da fruta no estado, produtores veem a produção encolher devido a uma combinação de fatores climáticos e de mercado.

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O atraso significativo das chuvas de primavera atrasou o início da colheita, que normalmente ganha volume em outubro, para o início de dezembro. Este revés climático deve causar a perda de pelo menos uma das floradas anuais da frutinha, que pode produzir de cinco a seis ciclos entre outubro e maio.

Além do clima, os agricultores da região sentem a queda no consumo e o aumento direto da concorrência com os estados do Nordeste. A produção nordestina, que responde por mais de 70% da acerola nacional, avança no mercado, pressionando os preços. O excedente da fruta madura daquela região chega a São Paulo a valores muito baixos, desafiando a competitividade local.

A Cooperativa Agrícola de Junqueirópolis, que costuma comercializar cerca de 1,2 mil toneladas por ano, projeta uma safra que pode não ultrapassar 900 toneladas nesta temporada. Há uma década, o município chegava a movimentar 7 mil toneladas.

Os preços ao produtor iniciaram a safra em R$ 2,70 o quilo, mas já apresentam tendência de queda, estabilizando-se em torno de R$ 2,50. Apesar do cenário adverso, a cooperativa mantém sua saúde financeira, pagando os produtores à vista.

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Desafios estruturais e mão de obra

Para além das variáveis de mercado, a cadeia produtiva da acerola na região enfrenta problemas estruturais. A colheita manual, necessária devido à sensibilidade da fruta madura, enfrenta escassez de mão de obra, uma atividade considerada sazonal.

Um desafio ainda maior é o perfil etário dos produtores. A maioria dos cooperados tem idade avançada, muitos acima dos 70 anos, com pouquíssimos agricultores abaixo dos 50 anos. Esta ausência de sucessão familiar limita os investimentos em novas tecnologias e a expansão dos pomares, mantendo a produção em uma escala mais modesta.

Apesar das incertezas, produtores tradicionais seguem na atividade. Eles esperam que a demanda do mercado se normalize para que as próximas floradas da temporada possam ser colhidas integralmente, evitando que a fruta, sem comprador, precise ficar nos pés.