Relatório do PNUMA aponta mais secas, chuvas fortes e riscos para lavouras e pastagens, com maior chance de perda de safra e necessidade de adaptação no campo
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O planeta deve ultrapassar nos próximos anos, o limite de 1,5°C de aquecimento global do Acordo de Paris. O novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) mostra como administrar os danos enquanto o mundo tenta voltar a patamares mais seguros.

Divulgado em 2 de setembro, o estudo indica um pico de 1,8°C acima dos níveis pré-industriais, mesmo no cenário mais otimista. A maioria dos outros cenários, no entanto, aponta para aquecimento ainda maior.

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“O calor abrasador, os incêndios florestais intensos e as inundações mortais deste verão são um alerta para o que está por vir”, afirma o secretário-geral da ONU, António Guterres. “Devemos tornar a ultrapassagem acima de 1,5 graus a menor e mais breve possível.”

O que muda para o agro

Para a agricultura e a pecuária, cada fração de grau adicional aumenta a exposição a eventos climáticos extremos. O risco de perda de produtividade sobe. A pressão sobre recursos naturais como água e solo também cresce. O setor está entre os mais vulneráveis. Ele depende diretamente do clima, da disponibilidade de água e das condições do terreno.

O relatório destaca que eventos extremos mais frequentes e intensos podem afetar o calendário de plantio e colheita. Eles também impactam a produtividade das lavouras e a criação de animais. Secas prolongadas reduzem a água para irrigação e dessedentação. Chuvas intensas, por outro lado, provocam erosão, perdas de solo e destruição de lavouras e infraestrutura.

Além disso, o aquecimento favorece a expansão e a mudança na distribuição de pragas e doenças agrícolas. Isso, por sua vez, cria novos desafios de manejo e eleva custos de produção.

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Adaptação deixa de ser opcional

Diante desse cenário, o PNUMA defende que adaptação e mitigação avancem juntas. O documento prioriza iniciativas que reduzam emissões e, ao mesmo tempo, aumentem a resiliência de comunidades rurais e economias locais.

Para o campo, isso significa ampliar investimentos em resiliência e manejo de água. Também exige mais tecnologias de adaptação, sistemas produtivos mais resistentes e recuperação de áreas degradadas. As emissões, por sua vez, precisam continuar caindo. Quanto menor e mais curta for a ultrapassagem de 1,5°C, menores tendem a ser os riscos, os custos de adaptação e as perdas associadas às mudanças climáticas.

Amazônia entre os pontos de risco

O documento também chama atenção para pontos de não retorno. São eventos que podem provocar mudanças irreversíveis ou de difícil reversão no sistema climático. Entre os riscos citados estão a desestabilização de grandes mantos de gelo, alterações na circulação oceânica do Atlântico e a degradação da Floresta Amazônica.

A Amazônia tem importância direta para o Brasil e para o agronegócio. Alterações no funcionamento da floresta podem afetar o regime de chuvas. Consequentemente, as condições de produção agrícola em diferentes regiões do país também mudam.

Perdas que não voltam mais

Mesmo que o mundo consiga reduzir as temperaturas depois, o relatório alerta que parte das perdas será irreversível. Comunidades poderão precisar se deslocar. Atividades econômicas terão de ser adaptadas. Sistemas de produção, por sua vez, precisarão responder a condições climáticas diferentes das atuais.

Esse cenário, portanto, reforça a necessidade de incorporar a gestão de riscos climáticos ao planejamento no agro. Ações recentes no Brasil, como as medidas da Embrapa para anos de El Niño, já apontam para a importância de avaliação constante de riscos, planos de contingência, uso de seguro rural e criação de reservas financeiras para enfrentar eventos adversos.