Resumo da notícia
- Marcas brasileiras inovam ao lançar refrigerantes que combinam extrato de café com frutas e água gaseificada, ampliando o consumo do café para além da tradicional xícara.
- A mistura de café com suco de laranja viralizou nas redes sociais por equilibrar a acidez cítrica com o amargor do café, criando uma bebida refrescante ideal para dias quentes.
- A China experimenta um crescimento expressivo no consumo de café, impulsionado pela expansão da rede Luckin Coffee, que compra grande parte dos grãos diretamente do Brasil.
O café deixou de se limitar à xícara. Nos últimos anos, marcas brasileiras passaram a misturar extrato de café com frutas e água gaseificada, criando refrigerantes que ocupam as gôndolas de supermercados ao lado dos sabores tradicionais de guaraná e cola. A linha Origem, por exemplo, reúne versões como a Tradicional (maçã, extrato de café e limão), a de maracujá e a de uva, todas gaseificadas e vendidas como “bebida mista” de frutas com café. A Coca-Cola também entrou nesse nicho: a empresa lançou o Café Expresso, um refrigerante que combina extrato de café com cola em latas de 220 ml.

Essa combinação surpreende à primeira vista, mas segue uma lógica sensorial conhecida dos apreciadores da bebida. Grãos de café já carregam notas naturais de frutas cítricas, caramelo e até uva, dependendo da origem e do processo de torra. Misturar o extrato com sabores frutados, portanto, potencializa uma característica que já existe no próprio grão.
- Acidentes com máquinas agrícolas perto da rede elétrica sobem 83%
- Ração bovina ganha novos ingredientes e pode reduzir custos da produção
Segundo Marcos Antonio Matos, Ceo do CECAFÉ, “Isso é tão importante para a cadeia produtiva! Novas formas de consumo com inovação e bom gosto! Isso é sustentabilidade pensando no bem-estar de todos que amam um bom café.”
Café com laranja vira febre nas redes sociais
Enquanto os refrigerantes de café ganham espaço nas prateleiras, uma combinação caseira viralizou no TikTok e conquistou até quem nunca imaginou misturar as duas bebidas: café com suco de laranja. A receita une café coado ou espresso gelado, suco de laranja fresco e, em algumas versões, água com gás ou mel.
A explicação para o sucesso da mistura está na acidez equilibrada da laranja, que contrasta com o amargor do café . E resulta em uma bebida refrescante, ideal para dias quentes. Baristas recomendam um cuidado técnico na hora do preparo: o café deve esfriar antes de entrar em contato com o suco, já que a mistura quente pode gerar sabores indesejados. A prática, aliás, não é tão recente quanto parece. Países como Espanha e Portugal já combinam café com cítricos há décadas, em versões conhecidas como “café com limão” ou “com toranja”.
A China descobriu o grão e mudou o mercado global
Se o Ocidente testa novos formatos para consumir café, a China vive uma revolução ainda mais profunda: o país está aprendendo a beber a bebida pela primeira vez em escala de massa. Até 2009, os chineses consumiam cerca de 300 mil sacas de 60 kg de café por ano. Hoje, esse número já passa de 6 milhões de sacas, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
A expansão da rede de cafeterias Luckin Coffee puxa boa parte dessa mudança. A empresa, fundada em Pequim em 2017, saltou de 8 mil para mais de 20 mil lojas em poucos anos e hoje compra metade de todo o café que consome diretamente do Brasil. Em 2024, a companhia firmou um acordo para adquirir 240 mil toneladas de grãos brasileiros entre 2025 e 2029.
O boom chinês vira recorde de safra no Brasil
Essa guinada de consumo já aparece nos números da balança comercial brasileira. As exportações de café para a China saltaram de US$ 32,9 milhões, entre abril de 2020 e março de 2021, para US$ 402,8 milhões em março de 2026. Ou seja, um crescimento de mais de doze vezes em seis anos. O governo chinês também ampliou o número de empresas brasileiras autorizadas a exportar para o país, liberando 183 novos fornecedores em 2025.

O produtor brasileiro sente esse movimento diretamente na lavoura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra recorde de 66 milhões de sacas para o ciclo 2026/27. Portanto, um avanço de 17% em relação ao ano anterior. O aumento reflete tanto a demanda chinesa quanto o investimento em tecnologia e a leve expansão da área plantada no país.
Do refrigerante gaseificado ao copo de suco de laranja com café, e das prateleiras brasileiras às cafeterias de Pequim, a bebida que nasceu na Etiópia segue reinventando formatos. E cada nova forma de consumo movimenta uma cadeia que termina, sempre, na conta do produtor rural.
