Resumo da notícia
- Entregas de fertilizantes caíram 5,4% no 1º semestre de 2026, totalizando 19,02 milhões de toneladas, impactadas por juros altos, crédito restrito e incertezas internacionais.
- Mato Grosso liderou as entregas com 25,8% do total nacional, seguido por Paraná, Goiás, São Paulo e Minas Gerais, que juntos somaram 65% das entregas no período.
- Produção nacional recuou 16,3% e importações caíram 4,2%, pressionando o planejamento dos produtores diante do aumento dos custos e da volatilidade cambial e de preços.
As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 19,02 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026, queda de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA).
Em junho, o volume chegou a 3,55 milhões de toneladas, recuo de 17,2% na comparação anual. Segundo a ANDA, juros elevados, menor oferta de crédito, condições de troca desfavoráveis e incertezas no cenário internacional reduziram o ritmo dos negócios.
A associação informou que as compras avançaram no início do ano, mas perderam força a partir de maio. O movimento também afetou as negociações para a safra 2026/27.
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Mato Grosso lidera as entregas
Mato Grosso concentrou 4,90 milhões de toneladas no semestre, equivalentes a 25,8% do total nacional. Na sequência, aparecem Paraná, com 2,15 milhões; Goiás, com 2,01 milhões; São Paulo, com 2 milhões; e Minas Gerais, com 1,33 milhão.
Juntos, esses cinco estados responderam por cerca de 65% das entregas registradas no país entre janeiro e junho. Os dados da ANDA mostram como o volume se distribuiu entre os estados no período, sem indicar, isoladamente, as razões para essa concentração.
Produção nacional recua 16,3%
A produção de fertilizantes intermediários caiu 16,3% no primeiro semestre, para 2,94 milhões de toneladas. Em junho, foram produzidas 533 mil toneladas, queda de 12,5% frente ao mesmo mês de 2025.
De acordo com a ANDA, o resultado está relacionado principalmente à produção de fosfatados e à alta do enxofre, utilizado nesse processo. A entidade ressalvou, porém, que os dados não captaram toda a produção nacional, especialmente nos segmentos de ureia e cloreto de potássio.
Importações também caem
As importações recuaram no período. Entre janeiro e junho, o Brasil recebeu 17,69 milhões de toneladas, queda de 4,2% em relação ao mesmo período de 2025.
Somente em junho, foram 3,17 milhões de toneladas, recuo de 10,9% na comparação anual. Com isso, produção e compras externas registraram redução no primeiro semestre.
Para o produtor, o principal efeito está no planejamento da compra dos insumos. Com juros elevados e crédito mais restrito, uma aquisição antecipada pode exigir maior disponibilidade de capital ou financiamento, enquanto adiar a compra mantém o produtor exposto às oscilações de preços, câmbio e custos de importação. Os dados da ANDA, porém, não permitem afirmar que haverá falta de fertilizantes ou aumento de preços nas propriedades.
Paranaguá concentra 25,1% das entradas
O Porto de Paranaguá recebeu 4,44 milhões de toneladas no primeiro semestre, queda de 8,8% em relação a 2025. O terminal respondeu por 25,1% das importações brasileiras no período.
A movimentação do segundo semestre ajudará a mostrar se o ritmo das importações e das entregas muda antes do avanço das compras para a safra 2026/27. Além disso, mercado externo, câmbio e custos logísticos continuarão entre os fatores que podem influenciar o preço final dos insumos.