Resumo da notícia
- O uso das fritas (FTE) como fertilizantes oferece liberação lenta de micronutrientes, importante para o manejo eficiente em solos com diferentes características e alta produtividade agrícola.
- A escolha do fertilizante deve considerar composição, solubilidade, pH do solo e custo-benefício, pois diferentes produtos FTE variam em formulação e eficiência conforme as condições da área.
- Produtores precisam avaliar a necessidade da lavoura, comparar a concentração real de nutrientes e adaptar a aplicação para garantir a disponibilidade adequada e evitar desperdícios ou toxicidade.
O avanço das produtividades aumenta a necessidade de ajustar o manejo de micronutrientes e torna a escolha do fertilizante mais importante para a eficiência da adubação. Nesse cenário, as fritas, conhecidas pela sigla FTE (Fritted Trace Elements), aparecem entre as alternativas para fornecer esses elementos às culturas.
A tecnologia utiliza uma matriz vítrea formada pela fusão de matérias-primas que contêm os nutrientes. Depois do resfriamento, o material passa por moagem e origina o fertilizante. A característica principal está na liberação mais lenta dos nutrientes no solo.
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O FTE não corresponde a um único produto nem apresenta sempre a mesma composição. A formulação pode fornecer diferentes micronutrientes, de acordo com as matérias-primas utilizadas e com a especificação do fertilizante. Por isso, o produtor deve conferir a composição e a garantia antes de definir o uso.
Já o manejo de micronutrientes envolve diferentes formulações, como sulfatos, óxidos, carbonatos, silicatos e fritas. Cada uma apresenta propriedades próprias de solubilidade e disponibilidade dos nutrientes.
Escolha depende das condições da área
Segundo Jovânio Conink, gestor comercial e de agronegócio, o produtor precisa olhar além do nome da tecnologia. Para ele, fatores como textura do solo, pH, calagem, matéria orgânica, capacidade de troca de cátions (CTC), histórico de adubação e exportação de nutrientes pela colheita interferem na resposta das plantas.
Além disso, as características da área podem alterar a disponibilidade dos micronutrientes. Assim, o mesmo produto pode apresentar respostas diferentes conforme as condições encontradas no campo.
A Embrapa explica que as fritas apresentam solubilidade lenta e podem ter menor eficiência que materiais mais solúveis, principalmente em solos com pH elevado. Por isso, o produtor precisa observar a concentração do nutriente, a solubilidade, a forma de aplicação e o custo-benefício antes da compra.
Como decidir antes da compra
Depois de identificar a necessidade nutricional da lavoura, o produtor deve conferir quais elementos o fertilizante fornece e em que concentração. No caso dos FTEs, essa verificação ganha importância porque diferentes produtos podem apresentar composições distintas.
O pH também merece atenção. Como as fritas liberam os nutrientes de forma mais lenta, as características da área podem interferir na disponibilidade desses elementos para as plantas. A velocidade de liberação precisa, portanto, estar de acordo com a necessidade da cultura.
Outro cuidado envolve a comparação de preços. Em vez de considerar apenas o valor por tonelada do fertilizante, o produtor deve calcular quanto paga pela quantidade efetiva de cada micronutriente. Essa conta permite comparar produtos com concentrações diferentes de maneira mais adequada.
A Embrapa também alerta que níveis muito altos de determinados micronutrientes podem aumentar o risco de toxicidade. Portanto, a aplicação deve acompanhar a necessidade da cultura e a recomendação técnica para a área.
Com produtividades mais altas, o planejamento nutricional ganha ainda mais importância. O produtor precisa considerar também a quantidade de nutrientes retirada pela colheita e ajustar a estratégia de reposição.
Nesse contexto, o FTE representa uma alternativa para o fornecimento de micronutrientes. A decisão deve considerar a composição do produto, as características da área, a necessidade da cultura, a velocidade de liberação e o custo da adubação.