Chuvas reduziram ritmo da colheita e analistas projetam moagem 35% menor; qualidade da cana também preocupa
Colheita de cana-de-açúcar no Centro-Sul, onde chuvas reduziram o ritmo de moagem das usinas.
Foto: Unica

A produção de açúcar pode ter sofrido uma das quedas mais fortes desta safra no Centro-Sul. Uma pesquisa com dez analistas estima fabricação de 2,09 milhões de toneladas na primeira quinzena de setembro, recuo de 42,5% na comparação anual.

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No mesmo período de 2025, as usinas produziram cerca de 3,6 milhões de toneladas. A estimativa foi levantada pela Platts, da S&P Global Energy, antes da consolidação dos números da atual quinzena pela Unica.

O tamanho da queda tem uma explicação que começa fora das usinas. As chuvas dificultaram a colheita da cana e reduziram o ritmo de processamento, justamente em uma etapa importante da safra.

Além disso, os analistas projetam deterioração na qualidade industrial da matéria-prima. Assim, não seria apenas uma questão de colocar menos cana nas moendas.

Moagem pode cair 35%

A estimativa aponta para 29,8 milhões de toneladas de cana processadas na primeira metade de setembro. Se confirmada, a moagem terá caído 35,4% diante das 46,1 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano passado.

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A comparação ajuda a dimensionar o impacto das chuvas.

Em 2025, dados posteriormente divulgados pela Unica mostraram moagem de 45,97 milhões de toneladas na primeira quinzena de setembro e produção de 3,62 milhões de toneladas de açúcar. O número oficial ficou muito próximo da base de comparação utilizada pela pesquisa atual.

Agora, portanto, o setor pode ter perdido aproximadamente 16 milhões de toneladas de moagem em apenas uma quinzena na comparação anual.

Isso não significa, porém, que o setor tenha perdido essa cana. As usinas podem colher e processar parte desse volume mais adiante, conforme as condições climáticas e o calendário de cada unidade.

Cana também pode chegar com menos açúcar

Outro indicador ajuda a entender por que o impacto sobre o açúcar pode ser ainda maior que a queda da moagem.

O ATR, sigla para Açúcares Totais Recuperáveis, é estimado em 147,53 quilos por tonelada de cana. Um ano antes, estava em 154,59 kg/t.

Na prática, o ATR indica quanto açúcar recuperável existe na matéria-prima disponível para a fabricação de açúcar e etanol.

Quanto menor esse índice, menor tende a ser o potencial industrial de cada tonelada processada.

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A combinação projetada para setembro, portanto, é especialmente desfavorável ao açúcar: menos cana chegando às usinas e menor concentração de açúcares na matéria-prima.

Etanol ganha espaço no mix

As usinas também podem ter alterado a divisão da cana entre açúcar e etanol.

A pesquisa estima que 49,85% da matéria-prima foi destinada ao açúcar, enquanto 50,15% seguiu para a fabricação de etanol.

Essa divisão representa uma mudança importante. Na primeira quinzena de setembro de 2025, a Unica registrou 53,5% da cana direcionada ao açúcar.

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Ainda assim, nem o biocombustível escaparia da redução da moagem.

A produção total de etanol, incluindo o combustível produzido a partir do milho, é estimada em 1,89 bilhão de litros, queda de 18,7% diante dos 2,33 bilhões de litros registrados um ano antes.

A retração, entretanto, seria muito menor que os 42,5% projetados para o açúcar.

Números ainda precisam de confirmação

Os dados representam uma estimativa de mercado, e não o resultado consolidado da primeira quinzena de setembro de 2026.

Esse ponto é importante porque moagem, produção, ATR e mix efetivamente registrados pelas usinas podem apresentar diferenças em relação à pesquisa com analistas.

Ainda assim, o levantamento antecipa o tamanho do efeito que as chuvas podem ter provocado no principal polo produtor de açúcar do país.

A confirmação virá com a atualização dos dados setoriais. Se os números ficarem próximos das projeções, setembro terá marcado uma mudança brusca no ritmo da safra: menos cana processada, menor ATR e uma redução de mais de 40% na produção de açúcar em apenas uma quinzena.