Resumo da notícia
- O mercado de cacau passa por correção após consolidação, com preços influenciados por fatores técnicos, clima na África Ocidental e movimentação de contratos futuros.
- A alta da taxa de juros nos EUA fortaleceu o dólar e reduziu a exposição a ativos de risco, pressionando os preços das commodities, incluindo o cacau.
- Chuvas recentes na África Ocidental estão melhores, mas volumes elevados podem prejudicar o florescimento; o possível impacto do El Niño para 2026/27 mantém o mercado em alerta.
O mercado de cacau entrou em uma fase de correção depois de um período de consolidação. Enquanto os preços recuam, os agentes acompanham as condições climáticas na África Ocidental, o ritmo das exportações do Equador e o nível dos estoques certificados.
Segundo a Hedgepoint Global Markets, os futuros encerraram a semana passada em US$ 5.327 por tonelada em Nova York e £ 3.934 por tonelada em Londres. A consultoria avalia que fatores técnicos tiveram peso importante no movimento recente.
Além disso, a migração de posições do contrato de setembro para dezembro pode ter influenciado os dados de interesse em aberto. Por isso, a interpretação do posicionamento dos participantes exige cautela.
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Federal Reserve também pressionou as commodities
O ambiente internacional também contribuiu para a pressão sobre as commodities. Em 16 de setembro, o Federal Reserve (Fed) elevou a taxa básica dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4%.
Com a perspectiva de juros mais altos, o dólar ganhou força e o mercado reduziu a exposição a ativos de maior risco. Esse movimento também pressionou diferentes mercados de commodities.
“A recente queda dos preços do cacau pode refletir uma combinação de ajustes técnicos, reposicionamento dos agentes diante do vencimento dos contratos e o ambiente macroeconômico”, afirma Carolina França, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets.
Chuvas melhoram na África Ocidental
No campo, o clima continua entre os principais fatores acompanhados pelo mercado. Na última semana, Gana e Nigéria registraram chuvas mais favoráveis. Já a Costa do Marfim ainda apresentava acumulados abaixo da média.
Para os próximos 14 dias, os modelos climáticos citados no relatório indicam precipitações acima da média nas principais regiões produtoras. Esse cenário pode favorecer as lavouras. Por outro lado, volumes muito elevados também podem dificultar a polinização e prejudicar parte do florescimento.
Nesse contexto, o possível efeito do El Niño permanece no radar para a temporada 2026/27. O florescimento que começa em setembro ganha atenção porque influencia a formação da safra intermediária.
“O padrão mais evidente diz respeito às temperaturas durante o principal período de florescimento, que normalmente atinge seu pico entre abril e junho. Um bom volume de chuvas nas próximas semanas é importante tanto para sustentar o florescimento quanto para favorecer o desenvolvimento dos frutos que serão colhidos na parte final da safra principal”, explica Carolina.
O relatório ressalta que as safras anteriores sob influência do El Niño não mostram uma relação direta e consistente entre o fenômeno, o volume de chuvas e seus efeitos sobre a produção. Portanto, o clima ainda representa uma fonte de incerteza para a próxima temporada.
Exportações do Equador entram no radar
Ao mesmo tempo, o ritmo das exportações do Equador também influencia as expectativas de oferta. A consultoria estima embarques de aproximadamente 55,4 mil toneladas em agosto e considera o resultado compatível com suas projeções.
O Equador tem participação relevante na oferta internacional de cacau. Entretanto, os dados oficiais mostram um cenário diferente quando se observa o acumulado do ano: entre janeiro e julho de 2026, as exportações de cacau e derivados somaram US$ 1,1957 bilhão, queda de 54,6% em relação ao mesmo período de 2025.
Assim, o ritmo dos embarques de agosto precisa ser analisado junto com o desempenho acumulado do setor. A diferença entre volume exportado e valor obtido também mostra como a dinâmica dos preços interfere na receita do segmento.
Estoques seguem no radar
Os estoques certificados completam o quadro acompanhado pelo mercado. Nos Estados Unidos, os volumes permanecem elevados. Na Europa, por sua vez, os estoques voltaram para níveis próximos da média histórica, segundo o relatório.
A proximidade do período de entrega física dos contratos também pode provocar oscilações nos volumes certificados. A consultoria cita, como exemplo, a queda de 21,5% registrada nos estoques europeus.
Nas próximas semanas, o mercado deve continuar acompanhando o clima na África Ocidental, o desenvolvimento do El Niño, as exportações do Equador e os estoques. Esses fatores podem influenciar as expectativas de oferta e o comportamento dos preços do cacau.


