Resumo da notícia
- Plano de recuperação judicial do Grupo Agro Schunck prevê deságio de 80% em parte das dívidas, com prazo de até 16 anos para pagamento, visando aliviar passivo de cerca de R$ 15 milhões.
- Dívidas elevadas consumiram capital de giro, prejudicando financiamento das atividades agrícolas essenciais, como aquisição de insumos e manutenção durante o ciclo produtivo.
- O grupo, composto pela empresa e três produtores rurais familiares, atua no cultivo de soja, milho, trigo e feijão no Sudoeste do Paraná, buscando preservar a continuidade dos negócios.
Um plano de recuperação judicial do Grupo Agro Schunck, ligado ao agronegócio no Sudoeste do Paraná, prevê deságio de 80% sobre parte das dívidas e prazo de até 16 anos para pagamento. A negociação envolve um passivo de aproximadamente R$ 15 milhões, segundo informações divulgadas pela consultoria que participou da estruturação econômico-financeira do acordo.
O processo nº 0028344-33.2025.8.16.0021 tramita na Justiça do Paraná e reúne a Agro Schunck Ltda. e os produtores rurais Edenilson Martins Schunck, Juarez Schunck e Neusa Lemos Martins Schunck.
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A Agro Schunck mantém sede em Pato Branco, enquanto os produtores desenvolvem atividades rurais em Clevelândia. Documentos da recuperação judicial indicam atuação no cultivo de soja, milho, trigo e feijão, além de outras atividades agropecuárias.
Plano prevê deságio de 80%
A proposta negociada prevê deságio de 80% e prazo de 16 anos para pagamento, com correção pela Taxa Referencial (TR).
A PS Consultoria participou da estruturação econômico-financeira e das negociações, enquanto a condução jurídica ficou sob responsabilidade do escritório de advocacia contratado pelo grupo.
“Por trás da aprovação de um plano existe uma construção econômica muito grande. É preciso entender quanto a empresa efetivamente consegue pagar, em quanto tempo, quanto de caixa precisa permanecer na operação e como transformar tudo isso em uma proposta que também possa ser negociada com os credores. Neste caso, chegamos a uma condição de 80% de deságio e prazo de 16 anos para pagamento”, explica Pedro Siqueira, especialista em reestruturação empresarial e recuperação judicial da PS Consultoria.

O percentual chama atenção porque, em termos nominais, um deságio de 80% significa reduzir para 20% o valor do crédito atingido pelo desconto. As condições efetivamente aplicáveis, porém, dependem da classe e das regras previstas no plano aprovado.
Dívidas pressionaram capital de giro
Documentos apresentados no processo apontam que o custo financeiro das dívidas passou a consumir recursos necessários ao capital de giro da atividade.
Juros, correções e multas aumentaram a pressão sobre o caixa, segundo informações apresentadas na recuperação judicial.
Esse problema ganha peso adicional na atividade agrícola porque o produtor precisa financiar despesas antes de receber a receita da safra. Sementes, fertilizantes, defensivos, combustível, manutenção de máquinas e mão de obra exigem recursos durante o ciclo produtivo.
Ao alongar o pagamento das obrigações, o plano busca reduzir essa pressão financeira e preservar recursos para a continuidade das atividades.
Grupo reúne empresa e três produtores rurais
O Grupo Agro Schunck possui estrutura familiar. A recuperação judicial reúne uma empresa e três produtores rurais.
A Agro Schunck iniciou suas atividades em dezembro de 2021 e atua principalmente no comércio atacadista de máquinas e equipamentos para uso agropecuário.
Edenilson Martins Schunck, Juarez Schunck e Neusa Lemos Martins Schunck aparecem no processo como produtores rurais com atividades que incluem soja, milho, trigo e feijão, além de criação animal e serviços relacionados à agricultura e pecuária.
A administração judicial do processo está a cargo da Fatto Administração Judicial.
Processo começou em 2025
O pedido de recuperação judicial chegou à Justiça em 2025. Desde então, o processo passou pela apresentação do plano, análise da administração judicial e assembleias de credores.
Durante a recuperação, o grupo manteve suas atividades.
Para Pedro Siqueira, o percentual de desconto não deve servir isoladamente como indicador do sucesso de uma recuperação.
“O objetivo não é simplesmente conseguir o maior desconto possível. Uma recuperação bem estruturada precisa encontrar uma equação que preserve uma empresa economicamente viável e permita que aquilo que foi negociado seja efetivamente cumprido. O melhor plano não é apenas aquele que consegue ser aprovado, mas aquele que cria condições para o negócio atravessar a crise, se reorganizar e voltar a crescer”, afirma.