Resumo da notícia
- As abelhas são essenciais para a polinização, aumentando a produtividade agrícola e contribuindo para a biodiversidade, tema central do Dia Nacional da Abelha.
- A Secretaria de Agricultura de São Paulo investe em proteção das abelhas por meio de pesquisas, vigilância sanitária e orientação a produtores, garantindo saúde das colmeias.
- Controles rigorosos na cadeia do mel, incluindo rastreabilidade e fiscalização, foram avaliados positivamente pela União Europeia, mas a retomada das exportações ainda depende de etapas adicionais.
As abelhas desempenham um papel importante na produção de alimentos. Ao transportar pólen entre as flores, esses insetos ajudam na reprodução das plantas, contribuem para a produtividade agrícola e participam da conservação da biodiversidade. Por isso, o Dia Nacional da Abelha chama atenção para a relação entre polinização, agricultura e geração de renda no campo.
Nesse contexto, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo desenvolve ações voltadas à proteção das abelhas e ao fortalecimento da atividade. A iniciativa reúne pesquisas da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) e trabalhos da Defesa Agropecuária, que atuam em áreas como sanidade, vigilância, inspeção, rastreabilidade e orientação aos produtores.
Além do mel, a cadeia apícola fornece produtos como própolis, geleia real, pólen apícola e cera para diferentes segmentos da indústria. Assim, a proteção das colmeias envolve tanto a conservação dos polinizadores quanto o acompanhamento das condições necessárias para a produção e a comercialização dos produtos apícolas.
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Sanidade protege as colmeias
Para manter esse trabalho, o Programa Estadual da Saúde das Abelhas (PESAb) acompanha doenças e pragas que podem afetar tanto as abelhas do gênero Apis quanto as espécies nativas sem ferrão. O programa reúne inspeções, informações epidemiológicas e ações voltadas às condições sanitárias das criações.
Além disso, a Defesa Agropecuária estabelece critérios para o cadastro de produtores e propriedades e para a movimentação de abelhas, colmeias, produtos e materiais relacionados à atividade. O trabalho também considera medidas para reduzir os riscos associados ao uso de defensivos agrícolas.
Dessa maneira, a vigilância sanitária ajuda a identificar problemas, orientar os criadores e reduzir fatores que podem comprometer a saúde das colônias. Ao mesmo tempo, a educação sanitária aproxima as recomendações técnicas da rotina dos produtores.
Controles também influenciam o mercado externo
Esse cuidado também tem relação com o comércio internacional. Em 31 de agosto, durante uma missão da União Europeia em Ribeirão Preto, a Defesa Agropecuária de São Paulo apresentou ações adotadas no controle sanitário da cadeia do mel.
Segundo as informações apresentadas na missão, o estado mantém vigilância ativa desde 2023, além de mecanismos de cadastro de produtores, rastreabilidade, controle de antimicrobianos e educação sanitária.
A missão fez parte de uma auditoria nacional realizada entre 24 de agosto e 4 de setembro, que avaliou os controles brasileiros relacionados ao mel e à avicultura. Depois da avaliação, o relatório final divulgado em 28 de setembro considerou satisfatórios os controles brasileiros analisados.
No entanto, o resultado técnico favorável não significa a retomada automática das exportações de mel para a União Europeia. Ainda existem etapas administrativas que precisam ser concluídas pelo bloco.
Para os produtores, o processo reforça a importância de manter registros, cumprir exigências sanitárias, acompanhar a saúde das colmeias e garantir a rastreabilidade da produção. Com isso, as informações do campo passam a ter peso não apenas na sanidade dos animais, mas também no acesso a mercados.
Pesquisa melhora o manejo e ajuda a conservar espécies
Ao mesmo tempo, a pesquisa científica amplia o conhecimento sobre as abelhas e pode ajudar a melhorar o manejo da atividade. Em Monte Alegre do Sul, a APTA mantém estudos com Apis mellifera para avaliar o potencial apícola da região e as condições relacionadas à produção de mel.
A pesquisa também considera a disponibilidade de recursos florais ao longo do ano. Segundo o pesquisador Daniel Gomes, esse conhecimento pode contribuir para um planejamento mais adequado da atividade.

“O trabalho também contribui para a compreensão da disponibilidade de recursos florais ao longo do ano e para o desenvolvimento sustentável da apicultura paulista”, destaca.
Em outra frente, pesquisadores trabalham com abelhas nativas sem ferrão em Brotas. O projeto coordenado por Carla Cachoni Pizzolante busca relacionar conservação, criação responsável e geração de renda.
“O objetivo é fortalecer a conservação das abelhas nativas, incentivar sua criação de forma responsável e valorizar o potencial socioeconômico da atividade”, explica.
Já em Piracicaba, a pesquisadora Maria Imaculada Zucchi estuda a diversidade genética da jataí (Tetragonisca angustula) em áreas restauradas e fragmentos de Mata Atlântica.
“O projeto busca compreender como essas populações se comportam geneticamente em ambientes restaurados, contribuindo para ações de conservação e para a manutenção dos serviços ecossistêmicos de polinização”, ressalta Zucchi.
Com diferentes linhas de pesquisa, os estudos ajudam a entender tanto o potencial produtivo das abelhas quanto as condições necessárias para conservar suas populações e os serviços de polinização.
Instituto Biológico investiga mortalidade de abelhas
Além das pesquisas de campo, o Instituto Biológico também atua na investigação de problemas que afetam as colônias. O trabalho inclui a análise de abelhas encontradas mortas e a investigação da presença de resíduos de agrotóxicos.
O Laboratório de Ecologia de Agroquímicos realiza análises relacionadas a essas ocorrências e busca identificar possíveis fatores associados à mortalidade. Ao mesmo tempo, o laboratório de atendimento à saúde das abelhas, em Pindamonhangaba, realiza diagnósticos em Apis mellifera africanizada.
Nesse caso, os exames podem identificar vírus, fungos, bactérias e parasitas. Dessa forma, os resultados ajudam a orientar medidas de controle e prevenção dentro das criações.
Abelhas também ocupam espaço nas cidades
A presença das abelhas não se limita ao meio rural. A cidade de São Paulo também reúne apiários e meliponários, incluindo criações de espécies nativas sem ferrão.
No Instituto Biológico, um cafezal urbano integra atividades relacionadas à agricultura regenerativa, ao manejo do solo e à conservação da biodiversidade. Nesse ambiente, pesquisadores acompanham a interação entre o cultivo e diferentes grupos de abelhas.
Além da Apis mellifera, o espaço abriga espécies pertencentes a oito gêneros de abelhas. Assim, o trabalho permite observar como esses insetos participam da polinização em ambientes urbanos e como o manejo pode favorecer a biodiversidade.
Planeta Inseto aproxima público das abelhas
Para aproximar esse conhecimento do público, o Instituto Biológico mantém o Planeta Inseto, espaço que apresenta diferentes aspectos da vida dos insetos.
Entre as atrações está o Recanto das Abelhas, que abriga uma colônia de iraí, espécie nativa sem ferrão. Além da observação presencial, câmeras permitem acompanhar o comportamento das abelhas e visualizar a organização da colônia.
A exposição também mostra como as abelhas sociais dividem funções dentro da colônia. Dessa maneira, o visitante consegue entender melhor a importância desses insetos para os ecossistemas e para a produção de alimentos.
O Planeta Inseto funciona gratuitamente de terça-feira a domingo, das 9h às 16h, na Avenida Dr. Dante Pazzanese, 64, Vila Mariana, em São Paulo.