Captação avançou 3,86% em agosto, enquanto custo da produção subiu 0,63%; Cepea prevê pressão sobre as cotações nos próximos meses
leite
Foto: Reagro - Divulgação

O preço do leite captado pelos laticínios ficou praticamente estável em agosto. No entanto, a recuperação da oferta já começa a pressionar as cotações. Segundo o Cepea, da Esalq/USP, o valor chegou a R$ 2,8869 por litro na “Média Brasil” líquida. O resultado representa alta real de 0,7% sobre julho e de 9,18% na comparação com agosto de 2025.

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Ao mesmo tempo, o Índice de Captação de Leite (ICAP-L) cresceu 3,86% entre julho e agosto. A recuperação ganhou força principalmente no Sul do país. Com mais matéria-prima disponível, portanto, o mercado entra em setembro e outubro sob maior pressão para os valores pagos ao produtor.

Oferta de leite aumenta a pressão sobre as cotações

A estabilidade registrada em agosto ocorreu mesmo com o avanço da produção leiteira. Ainda assim, a sustentação dos preços de alguns derivados e a demanda relativamente firme ajudaram a limitar uma queda mais forte naquele momento.

Agora, porém, o cenário começa a mudar. Conforme os colaboradores consultados pelo Cepea, a maior disponibilidade de leite, principalmente no Sul, elevou a oferta de matéria-prima e passou a pressionar as cotações dos derivados no atacado do Sudeste.

Em São Paulo, os preços do leite UHT e do leite em pó subiram 4,65% e 1,80%, respectivamente, em agosto. Já a muçarela registrou alta de 0,62% na comparação com julho. Os dados fazem parte de pesquisas do Cepea apoiadas pela OCB.

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Custo da produção também sobe

Enquanto a disponibilidade aumenta, o produtor enfrenta uma nova pressão nos gastos. O Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira avançou 0,63% na “Média Brasil” em agosto.

Depois de dois meses de relativa estabilidade, o indicador voltou a subir. Segundo o Cepea, o encarecimento dos insumos usados na alimentação do rebanho puxou esse movimento.

Além disso, as altas do milho e da soja registradas no mês anterior chegaram aos concentrados utilizados na atividade. Com isso, o preço desses produtos subiu 1,2% em agosto.

Assim, o produtor passa a lidar com dois movimentos diferentes. De um lado, a oferta maior limita a sustentação dos valores recebidos. De outro, o aumento dos gastos com alimentação eleva o custo da pecuária leiteira.

Importações continuam elevadas

As compras externas também influenciam o mercado brasileiro. Em agosto, as importações de lácteos recuaram 2,54% em relação a julho e somaram 230,3 milhões de litros em equivalente-leite.

Apesar da queda mensal, o volume ficou quase 40% acima do registrado em agosto de 2025. O leite em pó respondeu por 72,3% das importações, com 166,58 milhões de litros em equivalente-leite. O resultado ficou 0,99% acima do volume de julho.

Por isso, a entrada de produtos importados continua ampliando a oferta disponível no mercado interno. Na avaliação do Cepea, esse movimento também limita uma sustentação mais forte dos valores domésticos.

Cepea prevê recuo nos próximos meses

Para setembro e outubro, o Cepea prevê recuo das cotações do leite cru. A projeção considera a recuperação da oferta, a maior disponibilidade de matéria-prima e a permanência das importações em volumes elevados.

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Nesse cenário, o produtor precisa acompanhar de perto a relação entre remuneração e despesas. Embora o valor recebido ainda esteja acima do registrado um ano antes, a recuperação da oferta pode reduzir as cotações enquanto os gastos com alimentação continuam avançando.