Seca e ondas de calor derrubam a produção da hortaliça no Reino Unido, elevam os preços e obrigam supermercados a importar alface em plena safra
Alface Romana
Foto: Embrapa/Zineb Benchekchou

A alface virou um dos principais símbolos da crise climática que atinge a agricultura europeia neste verão.

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No Reino Unido, a combinação de seca prolongada e calor intenso derrubou a produção da hortaliça, reduziu a oferta no mercado e fez o preço no atacado subir cerca de 90%. O cenário levou redes de supermercados, distribuidores e restaurantes a recorrerem a fornecedores da Espanha para manter o abastecimento.

O problema ocorre justamente no período em que o país normalmente concentra sua produção de verão, diminuindo a necessidade de importações.

Calor interrompe o desenvolvimento das plantas

A falta de chuva chegou em um dos momentos mais importantes do ciclo das hortaliças.

Embora muitos produtores utilizem sistemas de irrigação, a escassez de água reduziu a capacidade de manter o solo úmido durante as sucessivas ondas de calor.

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Como consequência, parte das plantações apresentou crescimento irregular, folhas menores e perda de qualidade comercial.

Em diversas propriedades, agricultores passaram a colher menos unidades por hectare, reduzindo a oferta disponível para o mercado.

Espanha volta a abastecer o Reino Unido

Diante da quebra de safra, distribuidores precisaram reorganizar rapidamente a cadeia de abastecimento.

Em vez de comprar a produção britânica, empresas voltaram a importar alface cultivada na Espanha, país acostumado a produzir em condições de temperaturas mais elevadas.

A mudança representa uma situação incomum para esta época do ano, quando a maior parte da demanda costuma ser atendida pelos agricultores locais.

Além da Espanha, fornecedores da Holanda também passaram a complementar o abastecimento de algumas regiões.

Preços sobem e pressionam toda a cadeia

A alta da alface não ocorreu de forma isolada.

O tomate acumulou aumento superior a 60% no mercado atacadista britânico. A batata também ficou mais cara, enquanto outras hortaliças apresentam tendência de valorização caso o tempo seco continue.

Para supermercados e restaurantes, o aumento dos custos representa um desafio adicional justamente durante o período de maior consumo de saladas e refeições leves no verão europeu.

Ao mesmo tempo, produtores enfrentam despesas maiores com irrigação e redução na produtividade.

Agricultura sente os efeitos das mudanças climáticas

Plantação de Alface
Foto: Embrapa/Italo Ludke

Especialistas avaliam que episódios de calor extremo tendem a se tornar mais frequentes nas próximas décadas.

As hortaliças estão entre as culturas mais sensíveis às variações de temperatura porque dependem de grande disponibilidade de água e apresentam ciclos curtos de desenvolvimento.

Quando o solo perde umidade rapidamente, as plantas reduzem o crescimento para preservar energia. Como resultado, a produtividade cai e parte da produção perde valor comercial.

Esse comportamento já preocupa agricultores em diferentes regiões da Europa.

Supermercados pedem medidas ao governo

A crise mobilizou produtores, indústrias e grandes redes varejistas.

Mais de uma centena de empresas do setor alimentício solicitaram ao governo britânico medidas para fortalecer a produção nacional e reduzir a vulnerabilidade provocada pelos eventos climáticos extremos.

Entre as reivindicações estão investimentos em infraestrutura hídrica, ampliação da capacidade de armazenamento de água e incentivos para tornar a agricultura mais resiliente.

O objetivo é diminuir a dependência de importações durante períodos de clima severo.

Brasil acompanha o cenário

Embora o problema esteja concentrado na Europa, o mercado brasileiro observa a situação com atenção.

Além disso, oscilações na oferta internacional podem alterar fluxos comerciais, influenciar preços e criar oportunidades para exportadores de alimentos.

Além disso, a sequência de eventos extremos reforça um alerta que também vale para o Brasil: investir em irrigação, manejo da água e adaptação das lavouras tornou-se uma estratégia cada vez mais importante para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.