Resumo da notícia
- O verão de 2026 trouxe calor extremo e falta de chuvas, reduzindo a produção de hortaliças no Reino Unido e obrigando a importações para suprir o mercado interno.
- Preços no atacado dispararam: tomate subiu mais de 60%, alface americana quase 90% e batata mais de 40%, impactando consumidores e varejistas.
- Brócolis perdeu metade da produção, e distribuidores importam da Espanha e Holanda; a situação preocupa autoridades e produtores pela possível escassez futura.
O verão de 2026 está impondo um dos maiores desafios já enfrentados pela agricultura britânica. A combinação de calor extremo e escassez de chuvas comprometeu a produção de hortaliças em diversas regiões do Reino Unido, reduziu a oferta de alimentos e obrigou supermercados, restaurantes e distribuidores a recorrerem às importações justamente no período em que o país costuma abastecer o próprio mercado.
Os efeitos já chegaram às prateleiras. Segundo representantes do setor ouvidos pelo jornal britânico The Guardian, os preços no atacado dispararam nas últimas semanas. O tomate ficou mais de 60% mais caro, a alface americana registrou alta próxima de 90% e a batata acumula valorização superior a 40%.
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O cenário também preocupa autoridades, varejistas e produtores, que classificam a atual temporada como uma das mais difíceis das últimas décadas.
Brócolis perde metade da produção
Entre as culturas mais afetadas está o brócolis. Em algumas propriedades, a produtividade caiu cerca de 50%, consequência direta das temperaturas elevadas e da falta de água para irrigação.
David Simmons, produtor da Riviera Produce e integrante da diretoria da Brassica Growers’ Association, afirmou ao The Guardian que os agricultores passaram a unir duas cabeças de brócolis para atingir o peso mínimo exigido pelo mercado.
“O Reino Unido enfrenta uma grande escassez de brócolis neste momento. Estamos importando produtos da Espanha e da Holanda para atender aos pedidos”, afirmou.
Segundo ele, a preocupação agora se concentra na couve-flor, que também pode apresentar redução significativa de oferta nas próximas semanas caso o clima permaneça seco.
Importações voltam ao centro do abastecimento
A queda da produção obrigou distribuidores a fazer um movimento considerado incomum para esta época do ano.
Tradicionalmente, durante o verão, boa parte das hortaliças consumidas no Reino Unido é produzida internamente. Desta vez, porém, empresas voltaram a comprar grandes volumes na Espanha para evitar desabastecimento.
Tim O’Malley, presidente da distribuidora Nationwide Produce, afirmou ao The Guardian que a situação é mais grave do que muitos consumidores imaginam.
“A situação é pior do que o público imagina. Estamos ficando sem água”, disse.
Segundo o executivo, verduras folhosas, alface americana e brócolis foram as culturas mais prejudicadas. Mesmo enfrentando temperaturas elevadas, produtores espanhóis conseguem manter parte da produção graças à infraestrutura de irrigação desenvolvida ao longo de décadas.
Cenouras enfrentam o pior ano da história
A situação também preocupa os produtores de cenoura.
Rodger Hobson, agricultor de Yorkshire responsável por cerca de 4% da produção britânica da cultura, classificou 2026 como o pior ano já registrado em sua propriedade.
“É de partir o coração e para o bolso”, afirmou ao The Guardian.
Segundo Hobson, temperaturas acima de 25°C já reduzem significativamente o desenvolvimento das plantas. Quando os termômetros ultrapassam os 30°C, praticamente todo o crescimento da cultura é interrompido.
Caso não ocorram chuvas consistentes nas próximas semanas, a produção nacional poderá acabar meses antes do previsto, obrigando o país a ampliar as importações durante a primavera europeia.
Colheitas antecipadas preocupam agricultores
Além das hortaliças, outras culturas também apresentam perdas importantes.
A safra inglesa de ervilhas caiu cerca de um terço em relação ao esperado. Já a colheita de cereais começou mais cedo do que o habitual, reflexo direto das altas temperaturas e da rápida perda de umidade do solo.
Produtores estudam adotar variedades mais resistentes ao calor, semelhantes às cultivadas no sul da Europa. No entanto, representantes do setor defendem que apenas mudanças tecnológicas não serão suficientes.
Entre as principais reivindicações está o aumento dos investimentos em reservatórios para armazenar água das chuvas do inverno e da primavera, garantindo irrigação durante os meses mais secos.
Supermercados cobram ação do governo
A preocupação extrapolou o campo.
As maiores redes varejistas do Reino Unido, juntamente com fabricantes, distribuidores e atacadistas de alimentos, enviaram um documento ao governo britânico alertando que incêndios florestais, secas prolongadas e eventos climáticos extremos passaram a representar uma ameaça concreta à segurança alimentar nacional.
As empresas defendem políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção doméstica e à redução da dependência das importações.
Calor atinge toda a Europa
Os impactos não se restringem ao Reino Unido.
Diversos países europeus registram perdas em culturas como trigo, batata, tomate e oliveiras, pressionados pela combinação de seca prolongada, incêndios florestais e sucessivas ondas de calor.
Especialistas avaliam que a tendência aumenta a volatilidade do mercado internacional de alimentos e pode influenciar o comércio agrícola nos próximos meses, principalmente se as condições climáticas extremas persistirem até o fim do verão no Hemisfério Norte.









