Maior oferta brasileira, exportações e variações do dólar influenciam as cotações, enquanto o clima mantém o setor em alerta para a próxima safra
café no cafeeiro
Foto: Agência Agro em Campo

Os preços do café arábica recuaram no período analisado pelo mercado, refletindo a pressão da oferta e as oscilações das cotações internacionais. Ao mesmo tempo, o comportamento do câmbio e o ritmo das exportações influenciam os valores recebidos pelos produtores brasileiros.

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Em 9 de outubro de 2026, o indicador Cepea/Esalq-USP registrou R$ 1.531,88 por saca de 60 kg de café arábica. Na mesma data, o café conilon alcançou R$ 961,31 por saca, conforme a série histórica consultada.

Para o cafeicultor, acompanhar essas variações é importante para avaliar as condições de comercialização. No entanto, uma queda pontual não significa que os preços continuarão recuando nas semanas seguintes.

Maior oferta influencia o preço do café

O avanço da comercialização da safra brasileira de café 2026/27 amplia a disponibilidade do produto no mercado. Quando os compradores encontram mais café disponível, as cotações podem sofrer pressão, especialmente se a demanda não acompanhar o crescimento da oferta.

Além disso, os movimentos nas bolsas internacionais influenciam as negociações brasileiras. Em Nova York, o contrato de café arábica com vencimento em dezembro de 2026 fechou a 286,95 centavos de dólar por libra-peso em 9 de outubro. Dois dias antes, em 7 de outubro, o mesmo contrato havia encerrado a sessão a 292,70 centavos de dólar por libra-peso.

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Em Londres, o contrato de robusta para novembro de 2026 fechou a US$ 3.470 por tonelada em 9 de outubro. Naquele pregão, registrou alta diária de 1,37%. Portanto, a variação de um único dia não deve ser confundida com a tendência de preços ao longo de 30 dias.

Exportações brasileiras de café avançam

As exportações brasileiras de café também ajudam a contextualizar o mercado. Em setembro de 2026, o Brasil embarcou 3,894 milhões de sacas de 60 kg, volume 3,1% superior às 3,778 milhões de sacas exportadas no mesmo mês de 2025, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Esse crescimento mostra que o café brasileiro continua presente no mercado internacional. Entretanto, o volume embarcado não determina sozinho o comportamento das cotações, que também dependem dos preços externos, do câmbio e da disponibilidade global do produto.

Outro indicador importante é a receita cambial. O faturamento das exportações varia conforme os preços internacionais, o volume comercializado e a composição dos embarques. Por isso, vender mais sacas não garante, necessariamente, uma receita maior.

Dólar e mercado internacional influenciam as cotações

O câmbio é outro fator importante para a formação dos preços do café no Brasil. Quando o real se valoriza diante do dólar, a conversão das receitas obtidas com as exportações pode resultar em valores menores em moeda nacional, mantidas as demais condições comerciais.

Por outro lado, a desvalorização do real pode favorecer a receita em moeda nacional dos exportadores. Esse efeito, porém, não determina sozinho o preço pago ao produtor, já que os compradores também consideram a qualidade dos grãos, a oferta disponível e as referências internacionais.

Acompanhar o câmbio e as bolsas, portanto, ajuda a entender as oscilações do mercado, embora esses indicadores não permitam prever com certeza a direção das cotações.

Produção mundial e consumo entram nas projeções

As perspectivas para a oferta global também influenciam as expectativas do setor. Para avaliar a produção mundial de café na temporada 2026/27, é necessário considerar o desenvolvimento das lavouras, as condições climáticas e a evolução da colheita nos principais países produtores.

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Quando a produção cresce mais do que o consumo, a maior disponibilidade pode pressionar os preços. Ainda assim, os estoques, a qualidade dos grãos, a logística e a demanda internacional também interferem nesse equilíbrio.

Esses números devem ser tratados como projeções, e não como resultados definitivos. Mudanças climáticas ou problemas durante a colheita podem alterar o volume efetivamente disponível.

Qualidade dos grãos afeta a remuneração

A qualidade continua sendo decisiva para a remuneração dos cafeicultores. Durante a colheita, chuvas intensas podem prejudicar parte da produção e comprometer determinados lotes, dependendo do momento e da intensidade das precipitações.

Como consequência, cafés com características comerciais inferiores podem alcançar valores menores. Já os lotes de melhor qualidade podem obter remuneração diferente da média do mercado.

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Portanto, a queda de um indicador não significa que todos os produtores receberão o mesmo valor por saca. A região produtora, o tipo de café, a qualidade, os custos de produção e as condições negociadas influenciam o resultado final.

Clima mantém atenção voltada para a próxima safra

As condições meteorológicas também entram nas avaliações sobre a safra de café 2027/28. A distribuição das chuvas e o comportamento das temperaturas serão importantes para o desenvolvimento das lavouras e para as futuras estimativas de produção.

A possibilidade de influência do El Niño mantém o setor atento a riscos de períodos mais secos e temperaturas elevadas em algumas regiões produtoras. Entretanto, esses riscos não significam que já existam perdas confirmadas na próxima safra.

Nas próximas semanas, a evolução das condições climáticas ajudará a esclarecer as perspectivas para as lavouras e poderá influenciar as expectativas de oferta.

O que esperar do mercado do café

A disponibilidade de café, o comportamento das exportações, o câmbio e as cotações internacionais continuarão entre os fatores que influenciam o mercado. Ainda assim, esses elementos não permitem garantir uma trajetória específica para os preços nos próximos meses.

Para o produtor, acompanhar os indicadores e comparar as ofertas dos compradores ajuda a avaliar as oportunidades de comercialização. Também é importante considerar a qualidade do produto e os custos envolvidos antes de negociar a safra.

Por fim, as cotações precisam ser interpretadas conforme a data e a referência utilizadas. Os valores registrados em 9 de outubro representam um retrato daquele pregão e não devem ser apresentados como preços atuais sem uma atualização.