Manasses Oykoeter Suruí conquistou o primeiro lugar no Concurso Tribos, que reuniu 150 amostras e valoriza a produção de comunidades indígenas da Amazônia
concurso em Rondônia revela o potencial do Robusta Amazônico produzido por indígenas
Concurso em Rondônia revela o potencial do Robusta Amazônico produzido por indígenas - Foto: Divulgação

A valorização dos cafés de origem tem aberto novas oportunidades para produtores que investem em qualidade, identidade territorial e práticas sustentáveis. Na Amazônia, esse movimento também coloca em evidência o trabalho de comunidades indígenas, que encontram na cafeicultura uma alternativa para ampliar a renda e fortalecer a autonomia produtiva.

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O Robusta Amazônico produzido por indígenas de Rondônia conquistou destaque na 8ª edição do Concurso Tribos, promovido pela Rituais Cafés Especiais, marca do Grupo 3corações. Realizado na quarta-feira (14), em Cacoal (RO), o concurso reuniu 150 amostras e premiou Manasses Oykoeter Suruí, da comunidade Paiter Suruí, que alcançou 91,11 pontos. O resultado evidencia o potencial dos cafés produzidos por comunidades indígenas e amplia o reconhecimento da cafeicultura amazônica no mercado de cafés especiais.

Projeto fortalece a renda de comunidades indígenas

Criado em 2019, o Projeto Tribos busca fortalecer a produção de café indígena por meio de capacitação, valorização da origem e acesso ao mercado de cafés especiais. Segundo a organização, a iniciativa envolve 169 famílias de 35 aldeias, pertencentes a sete etnias, e impacta cerca de 2 mil indígenas. Desde o início, o projeto recebeu R$ 20 milhões em investimentos. Além disso, a empresa afirma que destina 100% do lucro da iniciativa às comunidades participantes e compra toda a produção das comunidades parceiras, com pagamento de um prêmio pela qualidade.

concurso Rondonia
Foto: Divulgação

Desde a primeira edição, o projeto já adquiriu mais de 730 toneladas de café das comunidades parceiras e comprou mais de 1.200 sacas de microlotes raros. Em 2024, um café ligado à iniciativa conquistou, segundo a organização, o título de melhor canephora do mundo, com nota máxima de 100 pontos. Esses resultados ajudam a mostrar como a qualidade pode ampliar as oportunidades comerciais para produtores indígenas.

“O Concurso Tribos não premia apenas xícaras extraordinárias, ele celebra a autonomia, a dedicação e o orgulho dos produtores indígenas que transformaram suas comunidades através da cafeicultura na Amazônia. Chegar ao patamar de 90+ pontos prova que, quando unimos empreendedorismo, conhecimento e um ciclo sustentável, não há limites para a prosperidade fruto do Robusta Amazônico”, ressalta Patricia Carvalho, Líder do Projeto Tribos no Grupo 3corações.

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Premiação valoriza a qualidade dos cafés

Os dez primeiros colocados dividiram mais de R$ 130 mil em premiações, de acordo com a organização. O vencedor receberá R$ 5 mil por saca, enquanto o segundo colocado terá direito a R$ 4,5 mil e o terceiro, a R$ 4 mil. Do quarto ao décimo lugar, o valor será de R$ 3 mil por saca. Como comparação, a divulgação do concurso cita uma média de R$ 900 por saca no mercado de commodity.

Além dos valores por saca, os cinco primeiros colocados receberão prêmios em dinheiro: R$ 25 mil para o campeão, R$ 15 mil para o segundo lugar, R$ 10 mil para o terceiro, R$ 5 mil para o quarto e R$ 4 mil para o quinto. Os concorrentes que ficaram entre a sexta e a décima posição receberão R$ 1,5 mil cada.

A edição deste ano também contou com o reconhecimento da BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais), reforçando a aproximação entre a produção indígena e o segmento de cafés especiais. A avaliação foi conduzida por uma equipe de especialistas, com Silvio Leite à frente do júri.

Parcerias ampliam o alcance do projeto

O Projeto Tribos reúne instituições públicas, cooperativas e organizações ligadas à cadeia do café. Entre os parceiros citados estão Funai, Coopaiter, Garah Itxá, Coopsur, Coopirb, Embrapa, Emater-RO, AGRICAFÉ, Semagri, AGROCAF, Armazém de Café Cacoal, Cafeama e Câmara Setorial do Café de Rondônia. A articulação entre esses agentes contribui para conectar os produtores a conhecimentos técnicos, organização produtiva e oportunidades de comercialização.

“O Projeto Tribos representa muito bem os diferenciais da Rituais Cafés Especiais – nossa marca premium dentro do Grupo 3corações – que tem como essência unir cafés especiais de qualidade excepcional, com origem e cadeia sustentável, a um alcance nacional, através de nossa estrutura. Temos muito orgulho de fomentar projetos como este, que valorizam a diversidade e excelência brasileira”, destaca Anderson Spada, Head de Marketing do Grupo 3corações.

Jovens indígenas avançam na formação de baristas

Além de apoiar a produção de café, o projeto investe na formação de jovens indígenas para ampliar a participação das comunidades em diferentes etapas do mercado. Em duas edições da Copa Barista, 56 jovens receberam treinamento. Já a Copa Harmonizações destacou criações que combinam café com outros ingredientes.

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Foto: Divulgação

Thomas Oypagawaromb Flegler Suruí conquistou destaque com o drink Aurora Tropical, preparado com café, suco de laranja, xarope de maçã verde e água com gás. Pamasoe Sameiwai E Waled Ibikayed Estéfane Suruí apresentou o Pamasoe, que combina café, suco de coco, xarope de pêssego, água tônica e limão.

“É um nome em Tupi-Mondé e está relacionado ao sentido de ‘nosso saber’ ou ‘nossa sabedoria’. Acho que combina bastante com o drink porque é um nome meu também”, conta o barista.

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Veja os dez primeiros colocados

A classificação da 8ª edição do Concurso Tribos ficou assim:
  1. Manasses Oykoeter Suruí — 91,11 pontos
  2. Joel Oyyeter Suruí — 90,68 pontos
  3. Goemanhama Rifate Suruí — 90,57 pontos
  4. Iremar Suruí — 90,29 pontos
  5. Denilson Suruí — 90,07 pontos
  6. Eleno Suruí — 89,86 pontos
  7. Maria Kawangawa Cinta Larga Suruí — 89,86 pontos
  8. Motira Labiway Suruí — 89,71 pontos
  9. Wilson Suruí — 89,68 pontos
  10. Ferrari Suruí — 89,61 pontos

A trajetória do Projeto Tribos mostra como a valorização da origem, o reconhecimento da qualidade e o acesso ao mercado podem abrir oportunidades para a cafeicultura indígena. Ao reunir produção, formação e premiação, a iniciativa amplia a visibilidade do café indígena de Rondônia e fortalece o debate sobre a participação das comunidades amazônicas em cadeias de maior valor agregado.