Brasil importa quase 81 mil toneladas por ano; entenda como escolher, usar e conservar o azeite sem cair em crenças populares
Azeite de oliva sendo usado no preparo de alimento em frigideira quente
Foto: Agro em Campo

O azeite pode ir ao fogo? A cor verde indica maior qualidade? Picância significa que o produto é melhor? Com o avanço do consumo no Brasil, dúvidas como essas acompanham o consumidor diante das diferentes opções disponíveis nos supermercados.

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O mercado brasileiro movimenta volumes expressivos. O país importou 80.768 toneladas de azeite na safra 2024/25, segundo o Conselho Oleícola Internacional (IOC). O volume ficou 0,5% abaixo do registrado na temporada anterior.

O movimento mudou de direção no início da safra seguinte. Entre outubro de 2025 e março de 2026, as importações brasileiras cresceram 40,5% na comparação com igual período anterior. O Brasil responde, em média, por aproximadamente 9% das importações mundiais de azeite e 3,1% do consumo global.

Portugal domina o fornecimento ao mercado brasileiro. Na safra 2024/25, o país respondeu por 62% das importações brasileiras, com crescimento de 20,3% sobre a temporada anterior.

Além do aumento da oferta, o interesse pelo produto passa por suas características nutricionais. O azeite contém principalmente gorduras monoinsaturadas, com predominância do ácido oleico. A FDA reconhece evidências, embora limitadas e não conclusivas, de benefício cardiovascular quando o azeite substitui quantidade semelhante de gordura saturada sem aumentar a ingestão total de calorias.

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A composição também varia conforme o tipo de azeite. Os virgens e extravirgens preservam compostos fenólicos provenientes da azeitona, enquanto o refino reduz parte desses componentes.

“Quando falamos de azeite, estamos falando de um ingrediente que reúne atributos nutricionais e gastronômicos. O ácido oleico e os compostos fenólicos estão entre os componentes que despertam o interesse da ciência, enquanto o aroma, o sabor, o amargor e a picância ajudam a definir a experiência à mesa. Entender essas características é uma forma de fazer escolhas mais conscientes e aproveitar melhor o produto no dia a dia”, afirma Eduardo Casarin, diretor da Filippo Berio no Brasil.

Mas composição, sabor, cor e forma de uso também alimentam uma série de crenças. Confira oito delas.

  • Azeite pode ser usado para cozinhar: verdade

O azeite não precisa ficar restrito à finalização de pratos e saladas. Ele pode entrar em refogados, assados e outras preparações aquecidas.

A UC Davis reúne estudos que apontam pontos de fumaça entre aproximadamente 175°C e 240°C, dependendo da categoria, qualidade e frescor do produto. A instituição também destaca a estabilidade proporcionada pelas gorduras monoinsaturadas e pelos antioxidantes naturais presentes em azeites de boa qualidade.

Como acontece com outros óleos, deve-se evitar aquecimento excessivo até a formação intensa de fumaça.

  • Quanto mais picante, melhor o azeite: mito

A sensação de picância não funciona sozinha como certificado de qualidade.

Amargor e picância fazem parte dos atributos sensoriais positivos encontrados em azeites extravirgens e podem estar relacionados à presença de compostos fenólicos. Entretanto, intensidade maior não significa automaticamente produto superior.

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Qualidade envolve outros parâmetros químicos e sensoriais.

  • Azeite é fonte de gordura monoinsaturada: verdade

O ácido oleico representa o principal ácido graxo do azeite.

A FDA reconhece uma alegação qualificada relacionando o consumo de gorduras monoinsaturadas presentes no azeite à possível redução do risco de doença coronariana quando elas substituem gorduras saturadas na alimentação, sem aumentar o consumo total de calorias.

Isso não transforma o azeite, isoladamente, em tratamento ou prevenção de doenças. Seus possíveis benefícios precisam ser considerados dentro do conjunto da alimentação.

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  • Azeites virgens e extravirgens têm compostos fenólicos: verdade

Azeites virgens são obtidos diretamente da azeitona por processos mecânicos. Por isso, preservam compostos fenólicos e antioxidantes naturais presentes no fruto.

azeite
Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar.

A quantidade desses compostos varia conforme fatores como cultivar, maturação da azeitona, processamento e armazenamento.

  • Quanto mais verde, melhor o azeite: mito

A aparência pode enganar.

A tonalidade do azeite varia de acordo com fatores como variedade e maturação da azeitona. Portanto, uma cor verde mais intensa não comprova, isoladamente, qualidade superior.

Critérios sensoriais e químicos são mais importantes do que simplesmente escolher a garrafa pelo tom do produto.

  • Só o extravirgem cabe em uma alimentação equilibrada: mito

O extravirgem ocupa a categoria de maior qualidade sensorial e química entre os azeites virgens, mas isso não significa que seja o único tipo que pode entrar na alimentação.

A diferença está principalmente no processamento e nas características químicas e sensoriais. Produtos refinados apresentam sabor mais neutro e menor quantidade de alguns compostos encontrados nos azeites virgens.

A escolha depende também da finalidade culinária e da preferência do consumidor.

  • Azeite serve apenas para saladas: mito

Além da finalização de saladas, o azeite pode acompanhar legumes, massas, grãos, peixes e carnes e entrar no preparo de molhos e marinadas.

azeitonas e azeite
Imagem de azerbaijan_stockers no Magnific

O uso culinário depende do perfil sensorial desejado. Azeites mais aromáticos podem ter maior destaque na finalização, enquanto outros perfis se adaptam ao cozimento.

  • Luz e calor prejudicam o azeite: verdade

Armazenamento interfere diretamente na conservação.

Luz, temperatura, exposição ao oxigênio e tempo favorecem reações que reduzem a qualidade do produto. A recomendação é manter a embalagem fechada e protegida de fontes de luz e calor.

Isso também ajuda a explicar por que frescor importa. A UC Davis recomenda observar, quando disponível, a data da colheita e priorizar produtos mais recentes.

Para o consumidor brasileiro, conhecer essas diferenças ganha importância conforme o mercado cresce. Depois de importar quase 81 mil toneladas na safra 2024/25, o país registrou forte aceleração das compras externas nos primeiros seis meses da temporada seguinte.