Resumo da notícia
- O mercado de boi gordo manteve preços firmes até julho de 2026, sustentado por exportações aquecidas, oferta ajustada e câmbio favorável, apesar do consumo doméstico moderado.
- O mercado de suínos enfrentou forte desvalorização, com preços do suíno vivo recuando pelo quarto mês consecutivo em São Paulo, atingindo um dos menores patamares históricos.
- A queda nos preços do suíno é atribuída à menor demanda interna, redução no poder de compra das famílias, férias escolares e aumento da oferta devido a investimentos feitos em 2025.
O mercado de carnes apresentou comportamentos distintos nos primeiros sete meses de 2026. Enquanto o boi gordo manteve preços firmes, o suíno perdeu valor. Segundo o Cepea, as exportações aquecidas ajudaram a sustentar o mercado bovino durante o período. Além disso, a oferta ajustada de animais terminados reforçou esse cenário.
A reposição valorizada também contribuiu para manter os preços do boi gordo em patamares firmes. Entretanto, o consumo doméstico permaneceu moderado. O câmbio favorável, por sua vez, ampliou a competitividade da carne bovina brasileira no mercado internacional. Assim, a demanda externa compensou parte da fragilidade interna.
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O poder de compra das famílias ainda limita o consumo doméstico. Por isso, o mercado do boi gordo alternou momentos de pressão e recuperação.
Boi gordo tem oferta ajustada
No primeiro trimestre, o setor ainda sentiu os efeitos do elevado abate de fêmeas registrado nos anos anteriores. Esse movimento reduziu a disponibilidade de animais para reposição. Consequentemente, a menor oferta valorizou essa categoria no mercado.
Já no segundo trimestre, a entrada de animais de pasto aumentou a oferta em algumas regiões produtoras. Mesmo assim, os frigoríficos mantiveram escalas de abate relativamente ajustadas. Dessa forma, o cenário limitou quedas mais acentuadas nos preços do boi gordo.
Suíno vivo acumula forte desvalorização
Enquanto o boi encontrou sustentação, o mercado de suínos enfrentou forte pressão em julho. O preço médio do suíno vivo recuou pelo quarto mês consecutivo em São Paulo. Com isso, atingiu o terceiro menor patamar histórico da série do Cepea.
A análise considera a região SP-5, formada por Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba. Segundo o Cepea, a menor demanda pelo animal vivo e pela carne pressionou os preços na segunda quinzena de julho.
A procura por carne suína costuma perder força na segunda metade do mês. Nesse período, o menor poder de compra reduz o consumo. Consequentemente, a menor procura pela carne também diminui a demanda pelo suíno vivo. Além disso, as férias escolares reforçaram a redução da procura. Por isso, os preços médios recuaram, apesar das altas no começo de julho.
Suíno vivo cai 43,1% desde dezembro
O cenário baixista surpreende o setor, segundo o Cepea. Afinal, o mercado esperava uma demanda firme em 2026, como ocorreu em 2025. Na comparação com as cotações reais de dezembro, o suíno vivo de SP-5 acumula queda de 43,1%.
Já a carcaça especial registra desvalorização de 36,2% no mesmo período. Além da demanda enfraquecida, o Cepea aponta outro fator para explicar o cenário atual.
O setor realizou maiores investimentos no ano passado. Como resultado, esses aportes ampliaram a produção e elevaram a oferta interna em 2026. Assim, o mercado de carnes apresenta trajetórias diferentes neste ano. O boi encontra suporte nas exportações e na oferta ajustada.
Por outro lado, o suíno enfrenta maior disponibilidade interna e demanda mais fraca. Esse conjunto de fatores pressiona as cotações da proteína.









