Resumo da notícia
- Contratos futuros de café arábica e robusta fecharam em queda devido à retirada da previsão de chuvas, que pode acelerar a colheita no Brasil e pressionar os preços após alta inicial.
- O aumento dos estoques certificados de robusta na ICE, atingindo máxima em dois anos, contribuiu para a queda dos preços, enquanto os estoques de arábica caíram, sustentando seu valor.
- O atraso na colheita brasileira persiste, com 64% concluído até 15 de julho, abaixo da média, mantendo o mercado atento apesar da volatilidade e baixa liquidez nos contratos futuros.
Os contratos futuros de café arábica com vencimento em setembro (KCU26) fecharam nesta terça-feira (21) em queda de 0,75%, recuo de 2,45 pontos, na Intercontinental Exchange (ICE) em Nova York. O robusta para o mesmo mês (RMU26), negociado em Londres, caiu 1,70%, ou 66 pontos.
As atualizações das previsões meteorológicas retiraram a expectativa de chuvas nesta semana nas regiões produtoras do Brasil e reacenderam a possibilidade de aceleração da colheita, o que pressionou as cotações após um início de pregão em alta.
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Mercado abre em alta, mas perde fôlego ao longo do dia
O pregão desta terça começou com o arábica valorizado na ICE Futures US: o contrato de setembro chegou a operar a 328,45 centavos de dólar por libra-peso, alta de 390 pontos, enquanto o vencimento de dezembro avançava 445 pontos, a 313,90 centavos. No mercado físico brasileiro, o indicador Cepea/Esalq também abriu em alta, com a saca de 60 kg do arábica cotada a R$ 1.753,28 em São Paulo, valorização de 2,40% no dia. O robusta, no entanto, já refletia a pressão da elevação dos estoques e recuava 0,56%, para R$ 1.104,56 a saca.
Analistas atribuem a virada dos preços ao longo do pregão à atualização das previsões climáticas, que passaram a indicar predomínio de tempo seco até o fim de julho na maior parte das áreas produtoras do Sudeste e da Bahia, com apenas pancadas isoladas entre o sul do Espírito Santo e o sul da Bahia. A perspectiva de estiagem favorece o avanço dos trabalhos de campo e reduz o temor de novos atrasos na colheita.
Aumento dos estoques da ICE pressiona o robusta
A elevação dos estoques certificados também pesa sobre o robusta. Na segunda-feira (20), o volume disponível na ICE atingiu uma máxima de 3,75 meses, com 4.239 lotes. Ou seja, uma recuperação expressiva frente à mínima de dois anos registrada em 15 de maio, quando os estoques somavam apenas 3.631 lotes. Já os estoques de arábica seguem em trajetória oposta: caíram a uma mínima de 2,25 anos nesta terça, com 328.759 sacas, o que ajuda a sustentar o preço da variedade.
Apesar da queda desta terça, o atraso da colheita brasileira continua no radar do mercado. Segundo levantamento da Safras & Mercado divulgado na sexta-feira (17), os produtores haviam concluído 64% da colheita da safra 2026/27 até 15 de julho. Um percentual inferior aos 77% do mesmo período do ano passado e abaixo da média histórica de cinco anos, de 70%.
O atraso ajudou a levar o arábica ao maior nível em 5,75 meses em 6 de julho. E o robusta repetiu o movimento no dia seguinte, também na máxima do período. Desde então, porém, as cotações oscilam com força dentro de uma faixa ampla, abaixo desses picos, em um cenário de baixa liquidez que amplifica os movimentos de preço.
Margens mais altas na ICE reduzem liquidez e ampliam a volatilidade
A recente elevação das exigências de margem para negociação de contratos futuros de café pela ICE reduziu a liquidez do mercado. Como consequência, fundos de investimento encerraram posições com mais frequência, o que provoca oscilações de preço mais bruscas em uma única direção. Um padrão que analistas esperam que persista nas próximas semanas, à medida que a safra brasileira avança e as bolsas internacionais seguem reagindo a cada novo dado.
As fortes chuvas registradas no Brasil ao longo do último mês prejudicaram os trabalhos de campo. E podem ter comprometido a qualidade da safra, o que levou produtores a segurar vendas na expectativa de preços mais altos. A esse fator soma-se a preocupação com o El Niño. A trading Commercial alertou que o fenômeno pode atrasar as chuvas do Brasil entre setembro e outubro. Esse é um período decisivo para a floração, prejudicando a safra 2026/27. Em 8 de julho, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos classificou o episódio, formado no mês anterior no Pacífico equatorial, como um dos mais fortes dos últimos 75 anos. E com potencial para provocar enchentes, secas e variações bruscas de temperatura na Ásia e na América do Sul.
Dados mais recentes da Somar Meteorologia reforçam o quadro de estiagem: Minas Gerais, maior produtor de café do país, registrou apenas 0,2 mm de chuva na semana encerrada em 19 de julho, equivalente a 20% da média histórica para o período.
Fatores baixistas seguem no radar
Do lado da oferta, o desempenho das exportações brasileiras também pressiona os preços. O Cecafé informou na semana passada que os embarques de café verde cresceram 14,4% em junho na comparação anual, somando 2,64 milhões de sacas. O Vietnã, maior produtor mundial de robusta, também amplia embarques: as exportações no primeiro semestre de 2026 avançaram 7,3%, para 1,05 milhão de toneladas, segundo o escritório nacional de estatísticas do país. Em 2025, os embarques haviam crescido 17,5%. A produção vietnamita da safra 2025/26 deve subir 6%, para 1,76 milhão de toneladas (29,4 milhões de sacas), maior volume em quatro anos.
Em relatório de 3 de junho, o USDA projetou uma safra brasileira recorde de 71,9 milhões de sacas para 2026/27. Ou seja, uma alta de 14% na comparação anual. Uma estimativa que, em 9 de junho, havia levado o arábica à mínima de 20,5 meses e o robusta à mínima de 3,5 meses no contrato mais próximo. O Rabobank elevou a projeção de superávit global de arábica para 9,5 milhões de sacas, ante 7,0 milhões estimados anteriormente.
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Já a Organização Internacional do Café informou queda de 0,3% nas exportações globais do atual ano-safra, para 138,658 milhões de sacas. Em relatório semestral, o FAS/USDA projetou recorde de produção mundial em 2025/26, de 178,848 milhões de sacas. Um alta de 2%, puxada pelo avanço de 10,9% do robusta (83,333 milhões de sacas), que compensa a queda de 4,7% do arábica (95,515 milhões de sacas). A produção brasileira deve recuar 3,1%, para 63 milhões de sacas, enquanto a do Vietnã deve crescer 6,2%, para 30,8 milhões de sacas. Os estoques finais globais devem cair 5,4%, para 20,148 milhões de sacas.








