Tecnologia permite detectar doenças precocemente, fortalecer a biossegurança e reduzir riscos para a produção avícola
Frangos de corte em uma granja de produção intensiva no Brasil. O setor avícola brasileiro deve ampliar a produção e as exportações de carne de frango em 2026, segundo projeções divulgadas pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Foto: SAGRIMA

A gripe aviária ampliou a atenção sobre a importância do diagnóstico precoce na produção animal e reforçou o papel da biologia molecular na vigilância sanitária. Técnicas como a PCR em tempo real permitem identificar agentes infecciosos antes mesmo do surgimento dos primeiros sinais clínicos. Com isso, produtores, profissionais da medicina veterinária e autoridades sanitárias conseguem agir com mais rapidez diante de possíveis ameaças aos plantéis.

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Para Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado – Agronegócio da Loccus, empresa brasileira especializada em soluções para diagnóstico molecular, a mudança acompanha um cenário em que a sanidade animal passou a exigir monitoramento cada vez mais preciso e contínuo. Segundo ela, os desafios enfrentados pelos aviários estão relacionados à intensificação da produção, à disseminação global de patógenos e também à necessidade de reduzir o uso de antibióticos.

“Os desafios de sanidade e controle de doenças em aviários estão cada vez mais ligados à intensificação da produção, à disseminação global de patógenos e à necessidade de reduzir o uso de antibióticos”, afirma Tatiani.

Na avaliação da especialista, a vigilância molecular permite antecipar a identificação de agentes causadores de doenças. Dessa forma, a produção pode responder mais rapidamente diante de um risco sanitário, reduzindo a possibilidade de perdas e fortalecendo as medidas de controle.

“Com a vigilância molecular, hoje conseguimos identificar a presença do agente causador muito antes da manifestação clínica, permitindo decisões rápidas que reduzem perdas produtivas, minimizam riscos sanitários e fortalecem toda a cadeia do agronegócio”, explica.

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A preocupação ganhou força diante da experiência recente com a influenza aviária de alta patogenicidade, considerada uma das principais ameaças à produção animal global. O cenário reforçou a necessidade de ampliar a vigilância laboratorial e adotar ferramentas capazes de identificar a circulação de agentes infecciosos com maior antecedência.

Vigilância molecular amplia capacidade de prevenção

De acordo com Tatiani, o diagnóstico molecular não se limita à identificação inicial de um agente infeccioso. A tecnologia também permite caracterizar geneticamente vírus e bactérias, acompanhar mutações, identificar variantes e compreender as possíveis rotas de disseminação dos patógenos.

Essas informações ajudam a orientar decisões relacionadas à biossegurança e aos programas sanitários. Na prática, o monitoramento oferece elementos para que produtores e autoridades possam avaliar riscos e definir estratégias de controle de maneira mais rápida e precisa.

A especialista avalia que a experiência com doenças de grande impacto econômico demonstrou a importância de investir em prevenção antes que um surto esteja instalado. Entre os exemplos estão a própria influenza aviária, a peste suína africana e a febre aftosa.

Para a avicultura, esse acompanhamento contínuo representa uma ferramenta adicional de proteção dos plantéis. Além disso, a capacidade de identificar riscos com antecedência pode contribuir para reduzir impactos econômicos e preservar a regularidade das operações.

“Depois de eventos como a influenza aviária, ficou claro que esperar os primeiros sintomas significa agir tarde demais”, destaca Tatiani.

A afirmação resume uma mudança de estratégia na sanidade animal. Em vez de concentrar as ações apenas na resposta a uma doença já manifestada, a vigilância molecular permite trabalhar com uma lógica de acompanhamento permanente.

Diagnóstico molecular chega a outras doenças

A evolução das ferramentas de diagnóstico também ampliou o uso dos exames moleculares para outras enfermidades de importância econômica. Além da influenza aviária, os testes vêm sendo utilizados na detecção de doenças como brucelose, tuberculose bovina, leptospirose, mastite e diarreia neonatal.

Tatiani explica que a ampliação dessas aplicações acompanha a necessidade de diagnósticos mais rápidos e precisos na medicina veterinária. A identificação antecipada de agentes pode apoiar decisões clínicas e contribuir para um controle sanitário mais eficiente dos rebanhos.

Esse movimento também ganha relevância diante das exigências dos mercados internacionais. A manutenção de padrões sanitários rigorosos é um fator importante para a competitividade da agropecuária brasileira. Por isso, a capacidade de monitorar doenças e demonstrar controle sanitário contribui para proteger a produção e manter a confiança dos compradores.

Na visão da especialista, o diagnóstico molecular tende a ocupar um espaço cada vez mais permanente na rotina da produção animal. O objetivo é transformar a vigilância em uma prática contínua, capaz de identificar riscos antes que eles provoquem impactos maiores.

“Depois de eventos como a influenza aviária, ficou claro que esperar os primeiros sintomas significa agir tarde demais. O diagnóstico molecular passou a ser um investimento permanente em biossegurança, porque monitorar continuamente custa muito menos do que lidar com os prejuízos provocados por um surto sanitário”, afirma Tatiani.

A adoção dessas ferramentas, portanto, amplia a capacidade de prevenção e resposta da cadeia produtiva. Na avicultura, o diagnóstico precoce se soma às medidas de biossegurança para reduzir riscos e proteger os plantéis.

Ao mesmo tempo, o uso contínuo da vigilância molecular pode contribuir para preservar a produtividade, reduzir perdas e fortalecer a posição da produção brasileira no mercado internacional. Assim, o diagnóstico deixa de ser apenas uma etapa diante de uma suspeita e passa a integrar uma estratégia permanente de proteção da atividade agropecuária.