Fenômeno climático preocupa grandes produtores do Hemisfério Norte, enquanto safra brasileira de cana deve alcançar 635 milhões de toneladas em 2026/27
Com condições climáticas mais favoráveis que seus concorrentes, Brasil pode ampliar sua relevância no mercado global de açúcar nos próximos ciclos produtivos — Foto: Wenderson Araujo/CNA

Após um período de pressão provocado pelo aumento da oferta mundial, os preços do açúcar podem voltar a ganhar sustentação no mercado internacional. O motivo está nas crescentes preocupações com o avanço do El Niño e seus possíveis efeitos sobre a produção da commodity nos principais países produtores.

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De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, embora o Brasil, maior produtor e exportador global de açúcar, deva atravessar o fenômeno climático com impactos relativamente moderados, importantes países do Hemisfério Norte podem enfrentar um cenário mais seco nos próximos meses. Dessa forma, aumentam os riscos para a produtividade agrícola e para a disponibilidade de açúcar na próxima safra.

No caso brasileiro, a consultoria destaca que a cana-de-açúcar já ultrapassou sua principal fase de desenvolvimento para a safra 2026/27. Além disso, os efeitos mais significativos do El Niño tendem a se concentrar na região Sul do país, área que possui participação limitada na produção nacional da cultura.

Por outro lado, a Hedgepoint observa que um clima mais chuvoso, caso avance além do Centro-Sul, pode desacelerar o ritmo de moagem. Ainda assim, a avaliação para o setor segue positiva. A expectativa é que a produção brasileira de cana supere 600 milhões de toneladas pelo quarto ciclo consecutivo. Para a safra 2026/27, a estimativa alcança cerca de 635 milhões de toneladas.

Mercado acompanha impactos nas próximas safras

Enquanto o foco permanece na safra atualmente em desenvolvimento, agentes do mercado também observam os possíveis reflexos do fenômeno climático nos próximos ciclos produtivos.

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Caso o El Niño ganhe força durante o segundo semestre de 2026 e permaneça ativo ao longo de parte de 2027, os impactos poderão ultrapassar a temporada atual. Assim, o fenômeno poderá influenciar expectativas de oferta e decisões estratégicas do mercado global.

“Um maior volume de chuvas na região Sul do Centro-Sul pode ser positivo para o desenvolvimento de 2027/28, apesar de ainda ser muito cedo para afirmar qualquer tendência”.

Índia e Tailândia na mira

Enquanto o Brasil tende a enfrentar efeitos mais limitados, a atenção dos participantes do mercado se concentra em importantes produtores do Hemisfério Norte.

Índia e Tailândia figuram entre os países historicamente mais vulneráveis às condições climáticas associadas ao El Niño. Nesses locais, a redução das chuvas e o aumento das temperaturas podem elevar o risco de estresse hídrico nos canaviais.

Como consequência, tanto a produtividade quanto a disponibilidade de matéria-prima para a fabricação de açúcar podem ser afetadas na safra 2026/27, cujo ciclo tem início em outubro de 2026.

Dependência global do Brasil pode crescer

Apesar do atual cenário de oferta global mais confortável, o mercado já começa a precificar os possíveis efeitos do fenômeno climático sobre as próximas temporadas.

Historicamente, episódios de El Niño alteram os padrões de precipitação em diversas regiões produtoras de cana-de-açúcar, influenciando diretamente os índices de produtividade agrícola. Por isso, a intensidade e a duração do evento permanecem entre os principais fatores observados pelos agentes do setor.

Se o fenômeno se intensificar ao longo da segunda metade de 2026 e avançar por 2027, o papel do Brasil poderá ganhar ainda mais relevância para o equilíbrio da oferta mundial.