Resumo da notícia
- O crescimento da produção de café robusta no Vietnã levou à redução da cobertura florestal nas Terras Altas Centrais, caindo de 42,8% em 1990 para 19% em 2020, causando impactos ambientais graves.
- O desmatamento gerou problemas como erosão do solo, perda de habitats e dependência maior de fertilizantes, além de afetar o equilíbrio hídrico e aumentar a vulnerabilidade a pragas na região produtora.
- Até 50% das áreas de cultivo podem se tornar inadequadas devido às mudanças climáticas e degradação ambiental, pressionando o setor a adotar práticas sustentáveis e aumentar a produtividade sem expandir áreas.
O avanço da produção de café no Vietnã provocou décadas de desmatamento e reduziu drasticamente a cobertura florestal nas Terras Altas Centrais, principal região produtora do país. A constatação faz parte de um relatório da organização Coffee Watch, com sede em Berlim.
Segundo o estudo, o Vietnã ocupa atualmente a posição de segundo maior produtor mundial de café e responde por cerca de 40% das exportações globais de robusta (Coffea canephora). Esse crescimento, no entanto, ocorreu com forte pressão sobre os recursos naturais.
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A análise, baseada em dados de satélite e registros oficiais, mostra que a cobertura de florestas tropicais na região caiu de 42,8% em 1990 para apenas 19% em 2020. As Terras Altas Centrais concentram cerca de 95% da produção de café do país.
Desmatamento avança
O desmatamento avançou com mais intensidade entre 1995 e 2010. Desde então, a perda florestal desacelerou, mas se mantém em níveis baixos. Hoje, as áreas de floresta remanescentes se concentram em regiões mais íngremes, de difícil acesso e, em muitos casos, dentro de áreas protegidas.

Políticas públicas e financiamentos internacionais incentivaram a expansão acelerada do café ao longo das últimas décadas. Como consequência, o modelo produtivo gerou impactos ambientais relevantes, como fragmentação de habitats, aumento da erosão do solo e empobrecimento nutricional das áreas cultivadas. Nesse cenário, produtores passaram a depender de maiores volumes de fertilizantes para sustentar a produtividade.
O relatório também destaca efeitos diretos sobre o equilíbrio ambiental da região, incluindo alterações no fluxo e na recarga hídrica, perda de estabilidade do solo, redução da umidade, diminuição do armazenamento de carbono e aumento da incidência de pragas.
Risco futuro
Além disso, a Coffee Watch alerta que até 50% da área atual de cultivo de robusta pode se tornar inadequada nas próximas décadas. O risco decorre da combinação entre degradação ambiental e eventos climáticos extremos, como temperaturas mais altas e chuvas irregulares.
Para especialistas, o setor já começa a mudar de foco. Ly Thi Minh Hai, diretora da RECOFTC no Vietnã, afirma que a expansão do café foi historicamente um dos principais vetores de desmatamento, mas destaca que o foco atual se volta para ganhos de produtividade e sustentabilidade nas áreas já cultivadas.
Segundo ela, os produtores precisam adotar práticas mais resilientes às mudanças climáticas, como renovação de lavouras, sistemas consorciados com árvores de sombra, agricultura regenerativa e uso mais eficiente da água. O objetivo consiste em aumentar a produtividade sem ampliar a área plantada.
A RECOFTC também atua junto a comunidades locais para promover sistemas agroflorestais. Além de fortalecer a regularização fundiária, medidas consideradas essenciais para conter novos avanços sobre áreas naturais.
Portanto, para Minh Hai, o futuro do café vietnamita dependerá menos da expansão territorial e mais da gestão eficiente das áreas já disponíveis.









