Resumo da notícia
- O agronegócio brasileiro atingiu recorde de US$ 87 bilhões em exportações no 1º semestre de 2026, com alta de 6,2% no faturamento impulsionada pelo aumento de 7,5% no volume exportado.
- A China foi responsável por 35% do faturamento, gastando mais de US$ 30 bilhões, principalmente em soja, carne bovina, celulose e carne suína, mas a concentração nas compras gera preocupação sobre possíveis restrições comerciais.
- As exportações para os Estados Unidos caíram 25% devido a tarifas adicionais e tensões comerciais, enquanto produtos como madeira, arroz e açúcar foram os mais impactados pela retração nas vendas.
O agronegócio brasileiro superou as tensões geopolíticas e os custos de produção mais altos no primeiro semestre de 2026. O setor registrou um novo recorde de exportações, com faturamento de US$ 87 bilhões em vendas externas entre janeiro e junho.
As exportações do agronegócio brasileiro atingiram US$ 87 bilhões no primeiro semestre de 2026. O resultado representa um recorde para o período e uma alta de 6,2% em relação ao mesmo intervalo de 2025, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Volume puxa alta, preço médio cai
O aumento de 7,5% no volume exportado impulsionou o faturamento, enquanto o preço médio em dólar dos produtos caiu 1,2%. Além disso, os principais destinos das vendas foram China, Índia, União Europeia e países do Golfo.
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Esse movimento mostra que o Brasil conseguiu vender mais produtos mesmo com preços menores no mercado internacional. Consequentemente, o crescimento do volume compensou a queda nos preços e garantiu o recorde de faturamento no período.
China responde por 35% do faturamento
A China consolidou-se como o maior comprador do agro brasileiro e respondeu por 35% de todo o faturamento do setor no período. O país asiático gastou mais de US$ 30 bilhões em produtos brasileiros entre janeiro e junho, o que representa uma alta de 10% a 10,5% ante o primeiro semestre de 2025.
Dentro desse total, 66% foram destinados ao complexo soja. Além disso, carne bovina in natura, celulose e carne suína também tiveram participação expressiva nas compras chinesas.
Concentração gera alerta no setor
O complexo soja, somado aos setores de carnes e florestal, representou mais de 90% das vendas brasileiras para a China no primeiro semestre de 2026. Por causa dessa concentração, produtores e entidades do setor temem novas cotas de importação ou restrições comerciais por parte do governo chinês.
Essa dependência de um único mercado preocupa especialmente porque a China já impôs barreiras a produtos brasileiros no passado. Portanto, qualquer mudança na política comercial chinesa pode afetar diretamente o faturamento do agronegócio nacional.
Queda de 25% nas vendas aos EUA
Em direção oposta, as exportações para os Estados Unidos recuaram 25% em receita no período. Essa queda reflete o impacto de tarifas adicionais impostas pelo governo americano e também as tensões comerciais em curso.
Além disso, dados da Amcham Brasil mostram que apenas 9,4% das vendas do Brasil para o exterior foram destinadas aos Estados Unidos no primeiro semestre, o menor patamar em anos. Produtos sobretaxados, como madeira, arroz, uva, ovos e açúcar, puxaram a retração, enquanto itens como carne e café ficaram fora da cobrança adicional de 25%.
Produtos com maior crescimento
Entre os produtos com maior crescimento em volume exportado estão óleo de soja (+30%), milho (+22%), carne bovina (+15%), carne suína (+10%), carne de frango (+14%), algodão (+21%), soja em grão (+7%) e farelo de soja (+11%).
Por outro lado, o desempenho positivo do volume compensou a queda de 1,2% no preço médio em dólar, o que permitiu que o faturamento total crescesse 6,2% mesmo com preços menores. Assim, o agronegócio manteve o ritmo de exportações mesmo diante de custos de frete mais altos e dificuldades logísticas globais.
Riscos no horizonte
Apesar do bom desempenho no primeiro semestre, o setor acompanha com atenção medidas como as cotas chinesas sobre carne bovina brasileira e restrições da União Europeia ao uso de agentes antimicrobianos na produção.
Para os próximos meses, projeções do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) indicam que a oferta global de produtos agropecuários deve permanecer em patamares elevados, mesmo com eventos climáticos mais frequentes e conflitos no Irã e na Ucrânia.