Apesar da alta mensal, Brasil registra pior desempenho em vendas aos EUA para o período desde 2023, com déficit acumulado de US$ 3,2 bilhões
Exportações do Brasil
Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 12,1% em valor em agosto de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado. O avanço, porém, não reverte o cenário negativo acumulado no ano: entre janeiro e agosto, as vendas ao mercado americano somaram US$ 24,1 bilhões, uma queda de 9,7% frente ao mesmo período de 2025. O recuo equivale a cerca de US$ 2,6 bilhões a menos em exportações e leva o Brasil ao pior resultado para o período desde 2023.

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Os números integram a mais recente edição do Monitor do Comércio Brasil–EUA, produzido pela Amcham Brasil a partir de dados do Comexstat.

Preços compensam queda no volume exportado

O crescimento de 12,1% em valor registrado em agosto conviveu com uma retração de 17,3% na quantidade exportada, que atingiu o menor patamar para o mês desde 2021. Preços médios mais altos sustentaram o resultado positivo em valor, embora alguns produtos também tenham ampliado o volume vendido, caso de carne bovina, semimanufaturados de ferro ou aço, aeronaves e café.

A base de comparação já carrega o efeito das tarifas adicionais de 40% e 50% que os Estados Unidos aplicaram a partir de agosto de 2025. Mesmo com a alta geral em valor, os produtos que hoje enfrentam sobretaxas de 25% a 37,5% recuaram 10,5% em agosto.

Produtos com sobretaxa lideram as perdas do ano

No acumulado de janeiro a agosto, os bens sujeitos às sobretaxas de 25% a 37,5% caíram 29,1%, recuando de US$ 5,1 bilhões para US$ 3,6 bilhões. Ao considerar todos os produtos taxados, a queda chega a 11,4%. Já os itens sem sobretaxa também perderam espaço, com retração de 8,3%.

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Entre os dez principais produtos taxados em 25% a 37,5%, nove tiveram queda nas vendas aos Estados Unidos no ano. Madeira de coníferas (-55,3%), fumo não manufaturado (-39,9%), sebo bovino (-39,4%) e granitos trabalhados (-37,4%) puxam as maiores retrações.

As importações brasileiras de produtos americanos cresceram 1,1% em agosto, emplacando o segundo mês seguido de alta após sete meses de queda. No acumulado do ano, no entanto, as compras ainda registram retração.

Os três grandes setores da economia perdem espaço nos EUA

O relatório da Amcham Brasil aponta que a queda nas exportações ao mercado americano atinge indústria de transformação, indústria extrativa e agropecuária — os três grandes setores da economia brasileira. O cenário contrasta com o desempenho das vendas brasileiras para o restante do mundo, que cresceram nos mesmos três segmentos.

Entre janeiro e agosto, a indústria de transformação viu as exportações aos EUA recuarem 4,9%, enquanto as vendas do setor para os demais mercados avançaram 6,6%. A indústria extrativa amargou queda de 28,9% nas vendas aos americanos, ante alta de 19,6% para o resto do mundo. Na agropecuária, os embarques aos EUA caíram 26,7%, na contramão do crescimento de 9,5% registrado nas vendas para outros países.

A indústria de transformação responde por 83,3% das exportações brasileiras aos Estados Unidos. A retração de 4,9% marca a primeira queda das vendas do setor ao mercado americano desde 2020. Ainda assim, os Estados Unidos seguem como principal destino das exportações industriais do Brasil, concentrando 15,5% do total.

Entre os dez principais produtos exportados aos EUA no acumulado do ano, seis caíram. Em quatro casos, a queda no mercado americano ocorreu justamente quando as vendas para o restante do mundo cresceram: petróleo bruto (-31,5% para os EUA), semimanufaturados de ferro ou aço (-4,3%), ferro-gusa (-8,1%) e celulose (-1,9%).

Os números do comércio Brasil-EUA em 2026
  • Exportações Brasil → Estados Unidos: US$ 24,1 bilhões (-9,7%)
  • Importações Estados Unidos → Brasil: US$ 27,3 bilhões (-8,6%)
  • Déficit brasileiro: US$ 3,2 bilhões
  • Bens sem sobretaxa: US$ 13,1 bilhões (-8,3%)
  • Bens com sobretaxa: US$ 11,0 bilhões (-11,4%)
  • Produtos com sobretaxas de 25% a 37,5%: US$ 3,6 bilhões (-29,1%)

Para o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, o comércio bilateral segue em retração neste ano, com quedas tanto nas exportações quanto nas importações. Ele defende que Brasil e Estados Unidos busquem soluções que reduzam barreiras comerciais e fortaleçam as trocas entre os dois países, diante de perdas estimadas em US$ 5,2 bilhões no comércio bilateral até agosto.