Com ciclo curto, múltiplos produtos e baixo custo de manejo, a cultura ganha espaço no calendário agrícola brasileiro
O girassol virou aposta de produtores que querem mais renda sem abrir mão das culturas principais

Quem busca diversificação na lavoura tem encontrado no girassol uma alternativa cada vez mais atraente, e os dados confirmam esse movimento.

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Segundo a Conab, a área plantada na safra 2022/23 chegou a 70 mil hectares, um crescimento de 12% em relação ao ano anterior. A cultura reúne uma combinação rara de baixo custo de manejo, ciclo curto e múltiplas fontes de receita.

Encaixe perfeito no calendário agrícola

O ciclo de aproximadamente 120 dias é um dos grandes trunfos da cultura. Ele permite o plantio justamente nos períodos de entressafra, ocupando a terra em janelas que normalmente ficariam ociosas. Combinado com soja e milho na rotação, o girassol ainda contribui para a saúde do solo, quebrando o ciclo de pragas e doenças, o que traz benefícios que vão além da safra atual.

Para pequenos e médios produtores, essa flexibilidade é especialmente valiosa.

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Girassol: uma oportunidade lucrativa para agricultores
Uma oportunidade lucrativa para agricultores

Números que explicam o interesse crescente

A produtividade média no Brasil fica entre 1.500 e 2.000 kg por hectare, de acordo com a Embrapa. Com manejo adequado e condições favoráveis de solo e clima, esse número pode ultrapassar os 2.500 kg/ha.

No mercado, as cotações têm se mantido atraentes, em torno de R$ 100 por saca de 60 kg. Considerando uma produtividade média de 1,8 tonelada por hectare e preço médio de R$ 1.700 por tonelada, um produtor pode alcançar receita bruta de aproximadamente R$ 3.060 por hectare. Dependendo da eficiência do manejo e das condições de mercado, esse valor pode ser ainda maior.

Mais de uma fonte de renda na mesma planta

Um ponto que chama atenção é a diversidade de produtos que a cultura gera. O óleo é o mais conhecido, com ampla aplicação na indústria alimentícia e cosmética, além do crescente interesse para a produção de biodiesel, um mercado em expansão no Brasil.

Além disso, há outro produto que muitos ignoram: o farelo. Subproduto do processo de extração de óleo, ele é altamente valorizado na alimentação animal, especialmente na pecuária leiteira, pelo alto teor proteico.

Onde a produção acontece

Estados como Mato Grosso, Goiás e Paraná concentram a maior parte da produção nacional, destacando-se pela alta eficiência. Mas a Embrapa reforça que a cultura tem boa adaptação a diferentes tipos de solo e clima, incluindo regiões mais secas, o que abre espaço para expansão em áreas onde outras culturas têm dificuldade de prosperar.

Nem tudo são facilidades, é claro. A colheita exige máquinas específicas, o que representa um investimento inicial que pode pesar no orçamento de quem ainda não tem esse maquinário. Em algumas regiões, a escassez de sementes de qualidade e a falta de assistência técnica especializada também travam a expansão.

No entanto, com o suporte de instituições de pesquisa como a Embrapa e o acesso a programas de assistência técnica, muitos produtores têm conseguido superar essas barreiras e colher bons resultados já nas primeiras safras.