Resumo da notícia
- O mercado brasileiro de tilápia teve alta no início de 2026 devido à Quaresma e Semana Santa, mas a demanda caiu no segundo trimestre com o inverno e o aumento das importações do Vietnã, pressionando os preços.
- As importações de tilápia do Vietnã atingiram pico em março com 1.956 toneladas e caíram 29% até julho, reduzindo a pressão sobre os preços e abrindo espaço para recuperação no segundo semestre.
- Estados como São Paulo e Santa Catarina lideram as importações, mas medidas restritivas adotadas por vários estados devem ajudar na recuperação gradual dos preços pagos aos produtores no segundo semestre.
O mercado brasileiro de tilápia iniciou o ano em alta, impulsionado pelo aumento da demanda durante a Quaresma e a Semana Santa, mas perdeu força ao longo do segundo trimestre.
A desaceleração sazonal do consumo, somada à chegada do inverno e ao avanço das importações de pescado do Vietnã, ampliou a pressão sobre os preços pagos aos produtores e comprometeu a rentabilidade de parte da cadeia produtiva.
A partir do fim do primeiro semestre, no entanto, as compras externas começaram a perder ritmo. Dados da Embrapa Pesca e Aquicultura mostram que as importações de tilápia do Vietnã atingiram o pico de 1.956 toneladas em março. E recuaram nos meses seguintes, até chegarem a 1.342 toneladas em junho e 957 toneladas em julho. Ou seja, uma queda de aproximadamente 29% em relação ao mês anterior.
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Sazonalidade e importações pressionaram os preços
O presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, atribui o comportamento dos preços no primeiro semestre à sazonalidade tradicional do mercado, que combina valorização no início do ano com acomodação nos meses seguintes.
“O primeiro trimestre foi bastante positivo para os produtores. No entanto, a chegada do inverno reduziu a demanda e coincidiu com um aumento expressivo das importações no início do ano, contribuindo para pressionar os preços pagos ao produtor.”
São Paulo, principal mercado consumidor do país, sentiu o efeito com mais intensidade. Segundo Medeiros, o volume de tilápia importada correspondeu a cerca de 30% da produção paulista estimada nos cinco primeiros meses do ano, o que ampliou a concorrência com o produto nacional.
“As importações afetam diretamente a formação dos preços e pressionam a saúde financeira das empresas da cadeia produtiva. É uma concorrência que ocorre justamente em um momento de menor consumo. Tornando o cenário ainda mais desafiador para os produtores brasileiros”, analisa o executivo.
Desaceleração das importações melhora perspectivas para o segundo semestre
A redução das compras externas nos últimos meses abre espaço para uma perspectiva mais positiva na segunda metade do ano. São Paulo e Santa Catarina concentram cerca de 83% das importações acumuladas em 2026, com 4.068 toneladas e 3.433 toneladas, respectivamente. Em julho, porém, Santa Catarina assumiu a liderança nas compras mensais, com 419 toneladas, enquanto São Paulo importou 364 toneladas.
A PEIXE BR projeta recuperação gradual dos preços pagos ao produtor no segundo semestre, sustentada pela retomada sazonal do consumo e pelas medidas adotadas por estados como Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, que passaram a impor restrições ou exigências à comercialização da tilápia importada do Vietnã.
“A tendência é de manutenção e até de recuperação dos preços ao produtor no segundo semestre. As iniciativas adotadas pelos estados ajudam a reduzir a pressão das importações sobre o mercado interno. E podem contribuir para restabelecer um ambiente mais equilibrado para a produção nacional”, conclui Medeiros.
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