Resumo da notícia
- Cientistas identificaram a nova espécie Eunectes akayima, antes confundida com a sucuri-verde Eunectes murinus, após análises genéticas e morfológicas que indicaram diferenças significativas.
- A separação entre as espécies ocorreu há cerca de 10 milhões de anos, possivelmente devido a barreiras geológicas como o Arco do Vaupés, que isolou populações no norte e sul da América do Sul.
- Uma expedição na Amazônia equatoriana mediu sucuris de até 6,3 metros e coletou relatos de animais maiores, embora essas medidas ainda não tenham confirmação científica oficial.
Cientistas reconheceram uma nova espécie de sucuri-verde na Amazônia. Batizada de Eunectes akayima, ela antes era classificada como Eunectes murinus, espécie conhecida como sucuri-verde.
A distinção surgiu a partir de análises genéticas e morfológicas. Os estudos, publicados em 2024 na revista científica Diversity, mostraram diferenças suficientes para separar as duas linhagens. A nova espécie ocorre no norte da América do Sul, enquanto Eunectes murinus mantém sua classificação original.
Além disso, os pesquisadores encontraram cerca de 5,5% de diferença no DNA mitocondrial entre as linhagens. Os resultados reforçaram a necessidade de reconhecer Eunectes akayima como uma espécie distinta.
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Análise genética revelou diferenças
A análise genética ajudou os pesquisadores a identificar diferenças que a aparência não revela. Por isso, a equipe combinou os dados do DNA com características físicas para avaliar a separação das populações.
A Eunectes murinus ou anaconda verde do sul, já era conhecida pelos estudiosos e pesquisadores – Foto: Wikimedia Commons.
Para isso, os cientistas analisaram três genes mitocondriais e encontraram 109 diferenças de nucleotídeos. Além disso, observaram características físicas que reforçaram a distinção entre as populações.
Separação ocorreu há cerca de 10 milhões de anos
Os pesquisadores estimam que as duas linhagens tenham se separado há aproximadamente 10 milhões de anos.
Segundo o estudo, mudanças geológicas na América do Sul podem ter contribuído para esse processo. Entre as hipóteses, os pesquisadores citam o Arco do Vaupés, estrutura associada ao levantamento dos Andes que teria funcionado como uma barreira entre populações do norte e do sul do continente.
Com o isolamento geográfico, as populações acumularam diferenças ao longo de milhões de anos.
Expedição encontrou sucuris na Amazônia equatoriana
A pesquisa também envolveu uma expedição de dez dias no território Baihuaeri Waorani, na Amazônia equatoriana.
A equipe foi liderada pelo professor Bryan Fry, da Universidade de Queensland, e contou com o especialista em sucuris Jesús Rivas. Durante o trabalho, indígenas Waorani acompanharam os pesquisadores e ajudaram a localizar os animais.
Durante a expedição, a equipe mediu uma fêmea com 6,3 metros de comprimento. Também recebeu relatos de exemplares com mais de 7,5 metros e cerca de 500 quilos.
No entanto, os pesquisadores não confirmaram cientificamente essas medidas. A Universidade de Queensland classificou os relatos como anedóticos.
