Resumo da notícia
- O interior de São Paulo enfrenta onda de calor com temperaturas de até 40°C e umidade abaixo de 12%, aumentando o risco de incêndios e afetando o setor agropecuário.
- Mais de 150 municípios brasileiros vivem seca severa, com previsão de temperaturas altas e chuvas abaixo da média em quase todo o país, exceto na Região Sul.
- Produtores rurais buscam eficiência hídrica com tecnologias para retenção de água no solo e enfatizam a importância do planejamento financeiro e crédito rural para enfrentar emergências climáticas.
Uma onda de calor extremo eleva os termômetros a até 40°C no interior de São Paulo. O setor agropecuário já está em alerta.
Afinal, a umidade relativa do ar cai abaixo de 12% nos horários mais críticos. Isso aumenta a pressão sobre os recursos hídricos e eleva o risco de incêndios florestais.
Risco de incêndio cresce no estado
A Defesa Civil de São Paulo emitiu o alerta. As regiões norte e noroeste foram apontadas como as mais críticas.
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Além disso, o calor e a baixa umidade ampliam a preocupação com queimadas em outras áreas do estado.
Seca atinge boa parte do Brasil
O episódio paulista se soma a um quadro mais amplo de estresse hídrico no país. Segundo o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), mais de 150 municípios brasileiros enfrentam seca severa.
Outros 530 municípios vivem seca moderada, aponta o órgão. A previsão sazonal indica temperaturas acima da média em todo o país.
As chuvas devem ficar abaixo da média na maior parte do território. A exceção é a Região Sul.
Eficiência hídrica vira prioridade no campo
Para Francisco Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB, o problema vai além da disponibilidade de água. O produtor também precisa garantir que ela permaneça acessível à planta pelo maior tempo possível.
“A preocupação não deve ser apenas com a quantidade de água disponível, mas com a eficiência com que ela permanece acessível à planta”, afirma.
Por isso, a empresa desenvolve polímeros que retêm água no solo. Eles a liberam aos poucos na região das raízes.
Assim, a tecnologia reduz o desperdício em períodos de calor intenso. “Não conseguimos controlar quando uma onda de calor vai acontecer, mas podemos deixar o sistema produtivo menos vulnerável”, completa Carvalho.
Crédito rural entra no planejamento
Investimentos em irrigação, infraestrutura e recuperação de áreas afetadas costumam exigir recursos fora do orçamento previsto. Por isso, Romário Alves, CEO e fundador da Sonhagro, defende que o planejamento financeiro passe a integrar a rotina da propriedade.
“Uma seca prolongada ou um incêndio podem criar uma necessidade de investimento inesperada. O planejamento e o acesso ao crédito precisam ser discutidos antes de a emergência acontecer”, diz Alves.
Além disso, segundo ele, o crédito rural também pode financiar equipamentos e tecnologias. Isso aumenta a eficiência da propriedade a médio prazo.
Água, clima e finanças andam juntas
Diante desse cenário, a gestão rural passa por uma mudança mais ampla. Água, clima e capacidade financeira deixam de ser questões isoladas.
Assim, os três fatores passam a integrar uma mesma estratégia. Portanto, preparar-se para o calor extremo não significa apenas reagir quando o termômetro sobe.
Significa, sobretudo, reduzir vulnerabilidades. E também manter fôlego financeiro diante de um ambiente cada vez mais exposto aos extremos climáticos.