A Reforma Tributária pode provocar mudanças na formação de preços, na estratégia comercial e nos modelos de negócio das empresas do agronegócio. Os possíveis impactos sobre a distribuição de insumos agropecuários estiveram entre os principais temas do 15° Congresso Andav, encerrado nesta quinta-feira (13), em São Paulo.
Realizado pela Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), com organização da Zest Eventos, o congresso reuniu 18,5 mil profissionais e mais de 260 marcas nacionais e internacionais.
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Convênio ICMS 100/97 entra no debate
Um dos pontos discutidos durante o evento foi o futuro do Convênio ICMS 100/97, que reduz a base de cálculo do ICMS em operações interestaduais com determinados insumos agropecuários.
De acordo com o tributarista e CEO da ROIT, Lucas Ribeiro, o mecanismo continuará nas condições atuais até 2027. A regra ainda poderá ser prorrogada até 2032, mas começará a perder força a partir de 2029.
Nesse período, o percentual de desoneração deverá cair 10% ao ano, até o encerramento do benefício em 2033.
A mudança faz parte do processo de transição para o novo sistema de tributação sobre bens e serviços no Brasil. Para as empresas do agronegócio, a alteração pode afetar custos, margens, preços de venda e decisões comerciais.
Transição deve exigir revisão de preços
Especialistas que participaram do Congresso Andav afirmaram que a reforma poderá simplificar o ambiente fiscal no longo prazo, mas também tende a aumentar a complexidade durante o período de transição.
A advogada da Agro Hara, Jaqueline Hara, destacou que os efeitos da mudança devem alcançar toda a cadeia produtiva.
“A mudança vai simplificar o ambiente fiscal, mas, no início, haverá muita complexidade.”
Para o diretor-executivo da Cultura Agromais, César de Oliveira, as empresas precisarão revisar de forma ampla os próprios modelos de negócio.
Já o sócio-diretor da Semear Agronegócios, Marcos Pacheco, avaliou que a Reforma Tributária terá influência direta sobre o preço de venda dos produtos do agronegócio.
Liderança também foi tema
Além das discussões tributárias, o Congresso Andav 2026 abordou gestão de pessoas e liderança. Izabela Mioto, professora associada da Fundação Dom Cabral (FDC), apresentou o conceito de liderança transformativa.
O modelo parte do autoconhecimento e da capacidade de tomar decisões conscientes. O objetivo é construir equipes mais colaborativas, emocionalmente seguras e preparadas para manter resultados no longo prazo.
Segundo Mioto, o líder moderno precisa atuar como facilitador de fluxos em um ambiente cada vez mais acelerado e complexo. Para isso, deve mobilizar, engajar e criar condições para que a equipe trabalhe de forma integrada.
Prêmio Andav destaca comunicação
A presidente da Associação De Olho no Material Escolar, Leticia Jacintho, recebeu o Prêmio Andav de Reconhecimento na categoria Comunicação e Educação.
Como a homenageada não estava presente, Henrique Lago, vice-presidente da associação, recebeu o prêmio em seu nome. A entrega foi realizada por Roberta Alves, gerente de atendimento e educação corporativa da Andav, e Antônio Luiz Neto Neto, gerente de educação e regulatório da entidade.
Congresso reuniu profissionais do agro
O evento contou com a participação de distribuidores, agrônomos, consultores, representantes técnicos de vendas, pesquisadores e especialistas de diferentes áreas ligadas ao agronegócio.
A programação do Congresso Andav 2026 combinou debates sobre tributação, gestão, distribuição de insumos, estratégias comerciais e desafios para a cadeia produtiva.
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