Apesar da aparência impressionante, a concentração de parasitas na cauda da serpente integra o equilíbrio natural do ecossistema pantaneiro
cobra sucuri com carrapato
Foto: Redes Sociais Pantanal Oficial

Um vídeo de uma sucuri-amarela coberta de carrapatos ganhou repercussão nas redes sociais e despertou a curiosidade de milhares de internautas. O guia de turismo e produtor de conteúdo do Pantanal Brazil, Zé Mineiro, registrou a serpente com diversos carrapatos concentrados na cauda, no Pantanal de Mato Grosso do Sul.

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Apesar da aparência incomum para quem desconhece o comportamento desses animais, especialistas garantem que a cena integra a dinâmica natural do ecossistema. Embora esses parasitas estejam normalmente associados aos mamíferos, diversas espécies também utilizam aves e répteis como hospedeiros, entre eles lagartos, jabutis, jacarés e outras espécies de serpentes

Escamas finas favorecem a fixação dos carrapatos

A anatomia da sucuri facilita a instalação dos parasitas. Os carrapatos costumam se fixar em regiões onde as escamas são mais finas ou onde a pele apresenta pequenas dobras, o que facilita a perfuração e a alimentação. Esses pontos específicos do corpo, como a região da cauda, oferecem menos resistência para a picada e permitem que o parasita permaneça grudado por mais tempo.

A quantidade expressiva de carrapatos observada no vídeo levanta uma pista sobre o comportamento recente do animal. Pela quantidade de parasitas observada, a serpente provavelmente permaneceu fora da água por um período prolongado, o que favoreceu o acúmulo dos carrapatos. Como a sucuri-amarela tem hábitos semiaquáticos, quanto mais tempo ela passa em terra, maior a exposição a esses aracnídeos.

Como a sucuri elimina os parasitas sozinha

A própria fisiologia da serpente trabalha a favor do controle da infestação. Ao mergulhar e permanecer submersa por períodos longos, o animal consegue se livrar de parte dos carrapatos, mesmo eles sendo bastante resistentes. Ainda assim, as serpentes seguem sujeitas à ação desses parasitas.

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A troca de pele, processo chamado de ecdise, funciona como um segundo mecanismo de limpeza. Durante a renovação da pele, muitos carrapatos saem junto com a camada antiga. Embora alguns parasitas firmemente fixados possam permanecer no animal até completarem a alimentação ou se soltarem por conta própria.

Mesmo com o impacto causado pelas imagens, pesquisadores da fauna silvestre não classificam o episódio como raridade. Apesar de a cena causar estranhamento no público leigo, é comum que sucuris sejam parasitadas por carrapatos. A sucuri-amarela (Eunectes notaeus), símbolo do Pantanal sul-mato-grossense, segue como uma das espécies mais suscetíveis a esse tipo de infestação sazonal, sem que isso indique risco à saúde do animal.