O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreendeu o mercado ao divulgar, em 12 de janeiro, o primeiro relatório WASDE de 2026 com fortes revisões de alta na produção e nos estoques de grãos. A Hedgepoint Global Markets analisou o documento e destacou o viés baixista que deve dominar as cotações de soja, milho e trigo nos próximos meses.

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Segundo a consultoria, os ajustes indicam uma oferta mais robusta do que a esperada, tanto nos Estados Unidos quanto em grandes produtores do hemisfério Sul, ampliando o cenário de pressão sobre os preços internacionais.

Soja: aumento de produção e estoques reforça tendência de baixa

O USDA elevou a produção norte-americana de soja para 116 milhões de toneladas, acima dos 115,7 milhões estimados em dezembro. A área colhida e a produtividade também subiram, alcançando 3.564 kg/ha.

Nos estoques, o avanço foi expressivo: os Estados Unidos devem encerrar o ciclo com 9,5 milhões de toneladas, alta de 20,7% em relação ao mês anterior.

No Brasil, a projeção subiu de 175 para 178 milhões de toneladas, configurando uma oferta global mais ampla. O conjunto desses fatores consolidou o viés baixista para o mercado de soja.

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Milho: revisões reforçam pressão sobre preços

O relatório também trouxe revisões importantes para o milho. A produção norte-americana agora soma 432,4 milhões de toneladas, ante 425,5 milhões no mês passado. A produtividade média subiu para 11.707 kg/ha, enquanto a área colhida foi revisada para 36,9 milhões de hectares.

Os estoques finais dos Estados Unidos atingiram 56,6 milhões de toneladas, alta de 9,8%. Os dados indicam que o mercado segue com fundamentos de oferta fortes e tendência de baixa sustentada.

Trigo: movimentos leves, mas com viés negativo

No caso do trigo, as alterações foram menores, mas mantêm o sinal de pressão. Os estoques finais norte-americanos subiram para 25,2 milhões de toneladas, enquanto os estoques mundiais chegaram a 278,3 milhões. Ambos acima das expectativas de estabilidade. Mesmo discretos, esses ajustes reforçam um cenário levemente baixista para o cereal.

Para Thais Italiani, gerente de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, o relatório de janeiro trouxe surpresas relevantes, especialmente para soja e milho. “O aumento inesperado na produção e nos estoques reforça a pressão sobre os preços no curto prazo”, afirma.

O coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, Luiz Roque, avalia que as revisões indicam fundamentos consistentes de oferta. “Esse quadro deve manter o viés baixista predominante e serve de alerta para produtores e indústrias ajustarem suas estratégias de hedge”, orienta.