Proposta surge em meio ao avanço das importações, à queda das exportações brasileiras e à pressão sobre produtores e frigoríficos
tilapia
Foto : Jonathan Campos / AEN

A Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados) propôs ao governo federal uma cota anual de 16,2 mil toneladas para a importação de filés de tilápia, independentemente do país de origem.

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O volume tem como base, segundo a associação, a média mensal das importações registrada no primeiro semestre de 2026, multiplicada por 12 meses. Dessa forma, o ritmo de compras externas do período serve como referência para estabelecer o limite anual.

A medida seria temporária, e não um limite permanente para as importações. Nesse caso, a proposta prevê acompanhar preços, oferta, empregos e capacidade das indústrias para avaliar se o volume continua adequado. Além disso, inclui exigências sanitárias e de qualidade.

De acordo com os cálculos apresentados pela Abipesca, as 16,2 mil toneladas equivalem a cerca de 5% do volume nacional de filés.

Importações ganham espaço

Segundo dados apresentados pela Abipesca, o Brasil importou cerca de 8 mil toneladas de filés de tilápia do Vietnã no primeiro semestre de 2026, em operações de US$ 33 milhões.

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Em março, por sua vez, as compras externas chegaram a cerca de 11% do volume nacional mensal e superaram, pela primeira vez, as exportações brasileiras da espécie.

Já a produção de 2025 alcançou mais de 707 mil toneladas de tilápia inteira, conforme o dado citado pela associação. A partir desse volume e do rendimento industrial utilizado no cálculo, chega-se a uma estimativa de aproximadamente 212 mil toneladas de filés.

No entanto, no primeiro semestre de 2026, as exportações da piscicultura recuaram 34% em relação ao mesmo período de 2025, de acordo com os números apresentados pela Abipesca. Além disso, a associação aponta dificuldades no mercado europeu e impactos de mudanças tarifárias nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, o Brasil avalia uma possível abertura para a tilápia produzida na China, maior produtor mundial da espécie.

Piscicultura sente pressão do mercado

Nesse contexto, o cenário pode afetar as decisões de investimento na piscicultura. Como a criação exige planejamento antecipado, mudanças nas vendas podem, consequentemente, alterar a compra de insumos e o povoamento dos viveiros.

Além disso, dados de entidades regionais citados pela Abipesca indicam queda de aproximadamente 30% nas vendas de alevinos em seis meses. Para a associação, esse movimento pode indicar menor investimento futuro.

Por outro lado, a atividade também enfrenta custos elevados com petróleo, fretes, seguros e logística.

Mudanças regulatórias entram no debate

Paralelamente, a criação está no centro da discussão sobre uma possível inclusão da espécie na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras.

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Segundo a Abipesca, uma eventual classificação poderia afetar empreendimentos que dependem de licenciamento ambiental, crédito, uso de águas da União e expansão das atividades.

Assim, a proposta prevê o acompanhamento de indicadores econômicos, comerciais, sanitários e regulatórios para orientar eventuais mudanças na medida.