Resumo da notícia
- Os preços do café subiram com a valorização do real frente ao dólar, interrompendo quedas da semana e reduzindo o apetite por exportações brasileiras. O arábica e o robusta tiveram alta significativa.
- Expectativas de safra recorde no Brasil para 2026/27, com produção estimada acima de 75 milhões de sacas, e o aumento das exportações vietnamitas pressionam os preços para baixo.
- Fatores climáticos como a falta de chuvas em Minas Gerais e o fechamento do Estreito de Ormuz elevam custos e restringem oferta, enquanto estoques mistos e queda nas exportações brasileiras sustentam as cotações.
Os preços do café voltaram a subir nesta sexta-feira (11) após a valorização do real frente ao dólar, movimento que estimulou cobertura de posições vendidas e interrompeu a sequência de quedas na semana. O contrato maio do café arábica (KCK26) subiu +6,05 pontos (+2,11%), enquanto o robusta na ICE (RMK26) teve alta de +18 pontos (+0,54%).
A alta do real, que alcançou o maior valor em 23 meses, reduziu o apetite das exportações brasileiras e deu suporte às cotações internacionais. O câmbio mais forte tende a desestimular as vendas externas, já que os produtores recebem menos em moeda local.
Expectativas de safra recorde no Brasil limitam ganhos
Nos últimos dias, o mercado vinha recuando diante das previsões de uma safra recorde de café no Brasil em 2026/27. O Marex Group Plc estima produção de 75,9 milhões de sacas, superando a previsão da Sucafina (75,4 milhões). A StoneX também revisou para cima sua projeção, calculando 75,3 milhões de sacas. Bem acima da estimativa de novembro (70,7 milhões).
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A consultoria prevê aumento do excedente global para 10 milhões de sacas, o maior volume em seis anos.
O aumento das exportações de café do Vietnã, maior produtor mundial de robusta, adiciona pressão de baixa aos preços. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas, o país exportou 585 mil toneladas entre janeiro e março, alta de 14% em relação ao mesmo período de 2025.
No ano anterior, as vendas externas vietnamitas cresceram +17,5%, atingindo 1,58 milhão de toneladas. A produção 2025/26 deve subir +6% e alcançar 1,76 milhão de toneladas (29,4 milhões de sacas), o maior patamar em quatro anos.
Fatores climáticos e logísticos influenciam o mercado
O fechamento do Estreito de Ormuz elevou os custos de transporte e frete, encarecendo as importações e reduzindo a oferta global. Ao mesmo tempo, a falta de chuvas em Minas Gerais, principal região produtora de arábica, também dá sustentação às cotações. Segundo a Somar Meteorologia, o estado recebeu apenas 11,7 mm na última semana, o equivalente a 47% da média histórica.
Os estoques monitorados pela ICE também refletem o quadro misto de oferta. Os volumes de robusta caíram para 4.045 lotes, menor nível em quase quatro meses. Já os estoques de arábica subiram para 585.621 sacas, o maior patamar em mais de seis meses, o que pressiona os preços dessa variedade.
Exportações brasileiras em queda reforçam suporte
Os embarques de café do Brasil recuaram em fevereiro. A Cecafé relatou queda de -27% nas exportações de café verde, somando 2,3 milhões de sacas. Dados do Ministério do Comércio confirmam redução de -17,4% nas exportações totais, para 142 mil toneladas.
Em fevereiro, o arábica chegou ao menor valor em quase 17 meses, refletindo expectativas de superoferta. A Conab prevê safra brasileira recorde de 66,2 milhões de sacas (+17,2%), sendo 44,1 milhões de arábica (+23,2%) e 22,1 milhões de robusta (+6,3%).
O Rabobank projeta produção global recorde de 180 milhões de sacas em 2026/27, cerca de 8 milhões acima da temporada anterior. Já a Organização Internacional do Café (OIC) informou que as exportações mundiais recuaram -0,3%, para 138,6 milhões de sacas.
Panorama do USDA confirma expansão da produção mundial
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima aumento global de +2% na produção 2025/26, totalizando 178,8 milhões de sacas. A previsão indica queda de -4,7% na produção de arábica (95,5 milhões) e avanço de +10,9% na de robusta (83,3 milhões).
Para o Brasil, o USDA projeta recuo de -3,1% (63 milhões de sacas), enquanto o Vietnã deve crescer +6,2%, chegando ao maior volume em quatro anos (30,8 milhões). Os estoques globais devem cair -5,4%, para 20,1 milhões de sacas.