Resumo da notícia
- A 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura reuniram autoridades, pesquisadores e produtores em Cordeirópolis, reforçando a importância da pesquisa e inovação para a citricultura nacional.
- O evento, realizado no Centro de Citricultura Sylvio Moreira, contou com 89 expositores e destacou a integração da cadeia produtiva como pilar para o fortalecimento do setor.
- Líderes do agronegócio e autoridades ressaltaram a tradição do Instituto Agronômico e o papel de Cordeirópolis como polo nacional e internacional da citricultura.
A abertura oficial da 51ª Expocitros e da 47ª Semana da Citricultura reuniu autoridades, pesquisadores, produtores e representantes do agronegócio brasileiro no Centro de Citricultura Sylvio Moreira, em Cordeirópolis, interior de São Paulo. O evento ocorre entre os dias 26 e 29 de maio de 2026 e conta com 89 expositores. Além disso, reforça o papel da pesquisa, da inovação e da integração da cadeia produtiva para o fortalecimento da citricultura nacional.
Promovida no Centro de Citricultura Sylvio Moreira, unidade de Pesquisa e Desenvolvimento do Instituto Agronômico (IAC), a cerimônia começou com o hasteamento das bandeiras e a execução do Hino Nacional. O IAC integra a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Compuseram o palco o secretário estadual de Agricultura, Geraldo Melo Filho; a prefeita de Cordeirópolis, Cristina Saad; o ex-ministro da Agricultura e embaixador especial da ONU para Agricultura e Alimentação, Roberto Rodrigues; o diretor da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios da APTA, Carlos Nabil Ghobril; o diretor-geral do Instituto Agronômico, Marcos Lândell; e o diretor do Centro de Citricultura Sylvio Moreira, Dirceu Mattos Junior.

Evento reforça integração da cadeia citrícola
Durante o discurso inicial, o diretor do Centro de Citricultura Sylvio Moreira, Dirceu Mattos Junior, ressaltou a importância histórica da Expocitros para o setor.
“Desde o nascimento, nunca foi apenas um evento, mas um sistema integrado de colaboração, em que reunimos essa cadeia de produção e tantos atores do agronegócio brasileiro. É o terceiro evento mais tradicional do Brasil. Continuamos existindo após 52 anos de sua criação e temos como propósito ser melhor que o ano anterior”, afirmou.
Na sequência, o coordenador-geral do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Marcos Guimarães de Andrade Lândell, destacou a tradição da pesquisa paulista voltada à citricultura.
“O Instituto Agronômico trabalha há muito tempo com citros, durante todo o século 20 e continuamos ainda mais forte no século 21. Quero parabenizar a todos os pesquisadores e técnicos que nos apoiam e se dedicam para que as coisas sejam realizadas com excelência para que pudéssemos ter uma citricultura tão forte como a que temos hoje”, declarou.
A prefeita Cristina Saad afirmou que o município amplia sua presença no cenário nacional e internacional por meio da citricultura.
“Cordeirópolis abre suas portas não só para o Brasil, mas para o mundo através do Centro de Citricultura da nossa cidade. É um orgulho e um prazer muito grande contribuir com tudo isso”, disse.
Homenagens reconhecem trajetórias do agro
A solenidade também contou com homenagens voltadas à pesquisa, ao trabalho social e à trajetória de profissionais que contribuíram para o desenvolvimento da citricultura brasileira.
Neste ano, a entidade social homenageada foi a Acesac (Ação Social e Educativa da Paróquia de Santo Antônio de Cordeirópolis). A presidente da instituição, Célia Aparecida Evangelista Avi, recebeu uma doação entregue por Afonso Nogueira Filho, diretor comercial da Luma Implementos Agrícolas.
Outro destaque da cerimônia foi a entrega da Medalha do Mérito Científico Dom Pedro II ao ex-ministro Roberto Rodrigues. A honraria reconhece personalidades que contribuíram de forma relevante para o desenvolvimento científico e para o fortalecimento do Instituto Agronômico e do agro paulista.

Após receber a homenagem, Roberto Rodrigues fez um pronunciamento marcado pela emoção e por reflexões sobre o atual momento do país e do agronegócio brasileiro.
“Eu tenho recebido algumas homenagens que muito me honram e me orgulham. Eu tenho amor pela agricultura, eu gosto de trabalhar com agricultura. Hoje é emoção pura, estou segurando as pontas aqui”, afirmou.
O ex-ministro também destacou a ligação histórica com o Instituto Agronômico e com o setor citrícola paulista.
“Vejo aqui diversas gerações, vejo alunos meus que se tornaram meus amigos, e estar aqui, na casa onde eu nasci, realmente me traz muita emoção”, declarou.
Roberto Rodrigues alerta para momento de crise
Ao comentar o cenário econômico e produtivo, Roberto Rodrigues avaliou que o agro atravessa um período desafiador. Ainda assim, reforçou confiança no futuro do setor.
“Vivemos um momento complicadíssimo no Brasil, mas vai passar. É como um tsunami. O problema é quando a onda volta. Quem não estiver com raízes firmes vai embora com ela”, disse.
Segundo ele, o cenário atual supera outras crises já enfrentadas pelo agronegócio brasileiro.
“As crises passam, e essa, particularmente, é a maior que eu já vivi, pois não é uma crise nacional, fruto de problemas internos. É muito maior, mais grave e mais violenta, mas vai passar. O futuro é fantástico, portanto, fiquemos vivos”, afirmou.
Além disso, o tradicional Dia do Citricultor homenageou José de Alencar Matta, produtor rural que construiu sua trajetória na citricultura a partir do trabalho familiar e da expansão das atividades agrícolas no interior paulista.
O Prêmio GCONCI – Hall da Fama da Citricultura Brasileira foi entregue ao pesquisador Walter dos Santos Soares Filho. O agrônomo é referência nacional em melhoramento genético de citros e atua na Embrapa Mandioca e Fruticultura.
Já o Prêmio Engenheiro Agrônomo Destaque da Citricultura reconheceu Hamilton Humberto Ramos, pesquisador científico do Instituto Agronômico, com atuação voltada à tecnologia e segurança na aplicação de defensivos agrícolas.
Pesquisa e inovação ganham espaço no evento
O Prêmio Centro de Citricultura 2026, com o tema “Inovação para o Futuro da Citricultura”, foi concedido ao AcaroLab, da UNESP/FCAV de Jaboticabal. O laboratório se destaca pelos trabalhos desenvolvidos em manejo integrado de ácaros e pesquisas relacionadas à leprose dos citros.
Além disso, a programação apresentou resultados inéditos de pesquisas sobre os benefícios do consumo de suco de laranja para a saúde humana. O conteúdo foi exibido em vídeo institucional com participação dos pesquisadores da USP Franco Lajolo e Neuza Hassimotto.

Durante o encerramento da solenidade, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho, destacou a importância econômica da citricultura brasileira e o papel estratégico da pesquisa para o avanço do setor.
“Estar aqui hoje é uma honra, uma satisfação, pela importância do setor, pela importância dos produtores, pelo que a citricultura representa pro Brasil. Estar nesse solo tão fértil, com tanto conhecimento, tecnologia e solução que tanto contribuiu para o agro brasileiro”, afirmou.
Segundo o secretário, o setor enfrenta um momento delicado, marcado por desafios econômicos e sanitários.
“O setor como um todo está passando por um momento muito delicado, muito sensível. Produzir nesse momento de crise é algo desafiador, mas envolve pesquisa, tecnologia, acesso a mercado, preços internacionais, sanidade, principalmente contra o greening”, destacou.
Governo paulista reforça apoio ao produtor
Geraldo Melo Filho também reforçou a importância do apoio ao produtor rural.
“O principal papel do Estado é o apoio ao produtor que está exposto a todos os riscos, estar ao lado desse produtor nos momentos de crise e de necessidade”, concluiu.
Na sequência, a organização realizou o tradicional brinde de encerramento com suco de laranja.
A 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura seguem até o dia 29 de maio com programação técnica, exposição de tecnologias, debates sobre inovação e apresentações voltadas ao fortalecimento da cadeia citrícola brasileira.