Distribuidores relatam preocupação com o clima e oferta de matérias-primas para a próxima safra

O crédito mais restrito, o El Niño e as incertezas do cenário geopolítico estão entre as principais pautas das empresas que participam do 15º Congresso da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav).

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O evento começou na terça-feira (11) e segue até quinta-feira (13), no Transamerica Expo Center, em São Paulo.

Crédito mais restrito muda estratégia das empresas

Diretor conselheiro da Andav e líder do grupo de trabalho de pesquisa da entidade, Alberto Yoshida afirma que o setor sente os efeitos do ciclo de investimentos realizado entre 2020 e 2022, quando os preços das commodities estavam em patamares elevados.

Agora, os preços dos grãos perderam força, os juros estão mais altos e há menos recursos disponíveis para financiamento. O cenário também afeta os distribuidores de insumos.

“Se os produtores rurais passam por uma dificuldade muito grande, a distribuição está muito próxima. Esse aperto que nós temos é uma consequência inclusive do próprio mercado.”

Ao mesmo tempo, as distribuidoras enfrentam aumento dos custos operacionais, principalmente com combustíveis e energia elétrica.

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Para Yoshida, o momento exige maior atenção à gestão das empresas, com foco em gestão e fluxo de caixa, análise de balanço e controle de despesas.

Segundo ele, o cadastro dos clientes ganhou importância e a chamada “esteira de crédito” passou a ser uma ferramenta cada vez mais relevante para os distribuidores.

Gestão de risco ganha espaço no agro

Na Fortgreen, a estratégia tem sido reforçar a gestão de risco e ampliar as alternativas de financiamento.

Segundo o head de crédito, Henrique Ramires, a equipe passou a trabalhar mais próxima da área comercial e dos clientes, inclusive em campo.

A análise deixou de considerar apenas balanços e declarações financeiras. Também entram na avaliação informações sobre a lavoura, como região, cultura, preços e dados obtidos por imagens de satélite.

Além disso, a empresa também ampliou o uso de operações de barter e Cédulas de Produto Rural (CPRs) como instrumentos para reduzir riscos e sustentar as vendas.

“O barter serve para dois cenários: primeiro, alavancar venda; segundo: mitigar risco”, afirmou Ramires.

Produtores fracionam compra de insumos

O ambiente de maior cautela também mudou o ritmo de comercialização de insumos, segundo a multinacional Basf.

Gustavo Bastos, gerente sênior de acesso ao mercado da empresa, afirma que os produtores estão mais criteriosos e têm fracionado as aquisições.

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Com isso, parte das decisões de compra fica para mais perto do momento da aplicação.

El Niño aumenta atenção para a próxima safra

O El Niño é um dos principais fatores de preocupação para a próxima safra.

Segundo Bastos, os efeitos do fenômeno podem variar entre as regiões produtoras. No Cerrado, há preocupação com possíveis impactos sobre o calendário de plantio. No Sul, o cenário pode aumentar a pressão de fungos e doenças.

A estratégia da empresa, diante da maior incerteza climática, é manter proximidade com os agricultores para ajudar nos ajustes de manejo conforme as condições encontradas no campo.

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O monitoramento climático oficial para 2026 aponta diferenças importantes entre as regiões brasileiras. As projeções para o período de julho a setembro indicam maior probabilidade de chuva abaixo da média em áreas do centro-norte do país e de chuva acima da média em partes da Região Sul.

Geopolítica preocupa oferta de matérias-primas

O cenário internacional também aumenta a preocupação com a disponibilidade de matérias-primas utilizadas pela indústria.

Segundo Thiago Haydn, gerente comercial da Schem Group, os impactos relacionados ao Estreito de Hormuz já repercutem no mercado de enxofre.

A matéria-prima é relevante para a produção de ácido sulfúrico e, consequentemente, para diferentes fertilizantes e produtos químicos utilizados pelo agronegócio.

Para Haydn, o risco não está apenas na possibilidade de aumento dos preços.

“Pior que pagar caro é você não ter produto quando o produtor precisar”, concluiu.

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