Estudo identificou 14 isolados de cinco espécies de Trichoderma em áreas nativas e lavouras irrigadas de melão na Bahia e no Piauí
Fungos Caatinga
Foto: Saulo Coelho

Fungos nativos da Caatinga resistiram a temperaturas de até 40°C e reduziram em mais de 70% o crescimento de patógenos agrícolas em testes de laboratório. A pesquisa analisou 14 isolados de cinco espécies de Trichoderma coletados na Bahia e no Piauí.

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caatinga
Os pesquisadores investigaram fungos coletados em áreas de vegetação nativa, além daqueles em lavouras irrigadas de melão, nos estados da Bahia e do Piauí . Foto: Saulo Coelho/Embrapa

Os pesquisadores retiraram as amostras de áreas de vegetação nativa e de lavouras irrigadas de melão. Além da resistência ao calor, eles avaliaram a capacidade de combater doenças e produzir esporos para a fabricação de biofungicidas.

Resistência ao calor

Os isolados das áreas cultivadas toleraram melhor o calor do que os coletados na vegetação nativa. Nos testes, os fungos cresceram de forma semelhante a 25°C e 30°C, mas apresentaram diferenças a partir de 35°C.

Os pesquisadores relacionam essa resistência à adaptação dos microrganismos ao ambiente quente e irrigado do semiárido. Essa característica pode favorecer o uso desses fungos em regiões com altas temperaturas e períodos de seca.

Ação contra doenças

Os fungos do gênero Trichoderma controlam doenças ao disputar nutrientes e espaço com outros organismos. Eles também podem parasitar fungos causadores de doenças e liberar compostos que impedem seu desenvolvimento.

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Os testes avaliaram a ação contra Fusarium sulawesienseFusarium solaniMacrophomina phaseolinaRhizoctonia solani e Pythium myriotylum. Esses organismos provocam problemas como podridão das raízes e murcha em culturas agrícolas.

Fungo Trichoderma
Foto: Gabriel Mascarin/Embrapa

Em alguns experimentos, os compostos voláteis dos fungos reduziram em mais de 70% o crescimento dos patógenos. O isolado de Trichoderma koningiopsis apresentou o resultado mais consistente entre os microrganismos avaliados.

O confronto direto funcionou melhor contra Rhizoctonia solani e Macrophomina phaseolina. Já os compostos voláteis tiveram maior efeito contra espécies de Fusarium e Pythium.

Produção limita uso comercial

Para medir a capacidade de produção, os pesquisadores cultivaram os fungos em arroz parboilizado. Após dez dias, isolados de Trichoderma asperelloides e Trichoderma asperellum produziram mais de 1,4 bilhão de conídios por grama de substrato.

Entretanto, alguns fungos eficientes contra as doenças produziram poucos esporos. Por isso, o melhor desempenho no controle de patógenos não garante, sozinho, viabilidade para fabricar biofungicidas em larga escala.

Testes ainda são necessários

A pesquisa identificou as espécies Trichoderma asperellumT. asperelloides, T. koningiopsisT. virens e T. spirale. Os resultados indicam que a biodiversidade do bioma pode fornecer microrganismos adaptados ao calor e à escassez de água.

Ainda assim, os fungos não estão prontos para uso comercial. Os pesquisadores precisam realizar testes em campo, verificar se os microrganismos conseguem colonizar plantas de melão e avaliar possíveis efeitos sobre o crescimento e a produtividade.

O grupo também pretende estudar combinações entre diferentes espécies ou isolados de Trichoderma. A estratégia pode ampliar o controle de doenças e ajudar as plantas a enfrentar o estresse térmico e hídrico.

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