Resumo da notícia
- A fêmea Braford Jasmine foi avaliada em R$ 567 mil na 49ª Expointer após a venda de 33% de sua propriedade por R$ 189 mil no 1º Leilão Legado, destacando-se no mercado de genética bovina.
- Jasmine combina biotipo, qualidade de carne, produtividade e uma linhagem genética sólida, fatores que influenciam seu alto valor e atraem criadores da raça Braford.
- Como doadora de elite, a novilha tem potencial para multiplicar sua genética por meio da produção de embriões, reforçando seu papel estratégico na pecuária de elite.
Uma fêmea Braford avaliada em R$ 567 mil se tornou uma das estrelas da 49ª Expointer. Jasmine, da fazenda Pitanga, de São Gabriel, alcançou o valor depois que 33% de sua propriedade foram negociados por R$ 189 mil durante o 1º Leilão Legado, realizado no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, no Rio Grande do Sul. O negócio colocou a novilha entre os animais de maior valorização da feira e chamou atenção para o mercado de genética bovina.
Mas o que faz uma vaca de R$ 567 mil? Essa resposta passa por um conjunto de características. Biotipo, qualidade de carne, produtividade, genealogia e desempenho em exposições estão entre os fatores que ajudam a explicar o valor alcançado pela fêmea.

Quem acompanha Jasmine de perto durante a Expointer é o cabanheiro Leandro Brandão Soares, responsável pelo manejo do animal. Para ele, um dos principais diferenciais está na combinação de características físicas e produtivas procuradas pelos criadores da raça Braford.
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“Ela é uma novilha e o diferencial dela está no biotipo. É uma novilha feminina e bem estruturada, coisas que o pessoal procura na raça, entre elas, qualidade na carne, uma boa produtividade”, explica Leandro.
Além dessas características, Jasmine carrega uma linhagem genética considerada importante dentro da seleção da raça.
“Ela faz parte de uma família sólida, tanto a mãe dela, quanto a avó já são doadoras e agora ela vem como doadora de elite”, afirma o cabanheiro.
Uma linhagem construída para produzir genética
A genealogia é um dos pontos que ajudam a entender o mercado de animais de elite. Mais do que avaliar apenas o animal presente na pista, os criadores consideram o potencial de transmissão de características desejáveis para as próximas gerações.
Jasmine chega a essa etapa depois de uma trajetória construída nas pistas. Em 2025, a fêmea foi Grande Campeã Terneira do Mundial Braford, resultado que acrescentou valor ao seu currículo e reforçou sua importância dentro da seleção genética da raça.
A conquista também demonstra que a valorização não está relacionada apenas ao tamanho ou à aparência do animal. O desempenho em exposições funciona como uma espécie de vitrine para características que podem interessar ao mercado de genética.
Agora, como doadora de elite, Jasmine passa a ter outro papel dentro da pecuária. A expectativa está na produção de embriões e na possibilidade de multiplicar sua genética por meio das futuras gerações.
O valor está no que Jasmine pode transmitir
O negócio realizado durante o 1º Leilão Legado ajuda a dimensionar o interesse pelo animal. Foram negociados 33% da propriedade de Jasmine por R$ 189 mil. A partir dessa negociação, a fêmea passou a ser avaliada em R$ 567 mil.
A diferença é importante: Jasmine não foi vendida integralmente por R$ 567 mil. O valor corresponde à avaliação total do animal a partir da participação comercializada no leilão.

A cifra, portanto, representa uma aposta no potencial reprodutivo da fêmea. Quem investe em uma participação de um animal de elite não está olhando somente para o presente. O objetivo também é participar dos resultados que podem vir da produção de embriões e da transmissão genética para os descendentes.
Para Leandro, o reconhecimento alcançado por Jasmine é consequência de um conjunto de atributos que começa na formação do animal e passa pela seleção genética.
A estrutura corporal, a feminilidade e a capacidade produtiva fazem parte desse conjunto. Somadas à genealogia e ao desempenho nas pistas, essas características ajudam a transformar uma novilha em um ativo de alto valor dentro da pecuária de seleção.
De campeã a doadora de elite
A história de Jasmine também mostra como o mercado de genética bovina trabalha com diferentes etapas. Primeiro, o animal precisa apresentar características desejáveis. Depois, o desempenho nas pistas pode ampliar sua visibilidade. Com uma genealogia consistente e resultados comprovados, a fêmea pode avançar para programas de reprodução e multiplicação genética.
No caso de Jasmine, essa trajetória ganhou força com o título conquistado em 2025. A condição de Grande Campeã Terneira do Mundial Braford ajudou a consolidar a imagem da fêmea como um animal diferenciado.
Agora, aos olhos do mercado, o desafio é transformar esse potencial em genética para as próximas gerações.
É justamente essa possibilidade que ajuda a explicar como uma vaca pode alcançar uma avaliação de centenas de milhares de reais. O preço não está apenas no animal que aparece diante do público. Está também na genética que ele carrega e, principalmente, no que pode transmitir ao rebanho.
Na 49ª Expointer, Jasmine virou exemplo de um segmento da pecuária em que genética, seleção, produtividade e desempenho podem transformar uma fêmea em um patrimônio reprodutivo de alto valor.