Resumo da notícia
- A apicultura latino-americana perde até 50% das colônias anuais devido a pragas como o ácaro Varroa destructor e doenças, exigindo vigilância sanitária integrada para controle e prevenção eficazes.
- Pesquisas apontam que sistemas de monitoramento permanente permitem detectar novas doenças precocemente, evitando sua disseminação entre países e protegendo a polinização e produção agrícola.
- Programas na Argentina e Uruguai já reduziram doenças graves e identificaram resistência natural ao Varroa, oferecendo caminhos para manejos mais sustentáveis e adaptados à região.
A apicultura latino-americana perde de 20% a 50% das colônias por ano. Pragas e doenças avançam. Por isso, uma revisão na revista Apidologie defende vigilância sanitária integrada na região. O objetivo é detectar ameaças mais rápido e, assim, evitar que cruzem fronteiras.
Pesquisadores da Sociedade Latino-Americana de Pesquisa Apícola (SoLatInA) reuniram décadas de dados. Eles estudaram doenças e pragas das abelhas melíferas nas Américas. O alerta é claro. Sem monitoramento, a saúde das colmeias e a polinização agrícola seguem vulneráveis.
Principais ameaças
O ácaro Varroa destructor segue como o principal inimigo. Além disso, ele abre porta para outros agentes. “Além desse ectoparasita, outras pragas disseminadas, como o microsporídio Nosema ceranae e diversos vírus, incluindo o vírus da asa deformada, reduzem a produtividade e comprometem a sobrevivência das colmeias”, afirmou Natalia Bulacio Cagnolo, do INTA.
O pequeno besouro da colmeia (Aethina tumida) já chegou ao Brasil, à Bolívia e ao Paraguai. Dessa forma, a presença em vários países exige alertas rápidos e respostas coordenadas.
Vigilância que funciona
“Ter sistemas de monitoramento permanente, por meio de vigilância ativa, permite a detecção precoce de novas doenças, o acompanhamento de sua evolução e a emissão de alertas antes que os problemas se espalhem entre regiões ou cruzem fronteiras”, observou Bulacio.
Na Argentina e no Uruguai, programas de acompanhamento reduziram a cria pútrida americana a níveis mínimos. Trata-se de uma das doenças bacterianas mais graves. Segundo o INTA, diagnósticos sistemáticos e boas práticas de manejo contiveram a disseminação e, consequentemente, reduziram o impacto.
A pesquisa também encontrou resistência natural ao ácaro Varroa em abelhas da Argentina, do Uruguai e de Cuba. Os cientistas observaram isso sem tratamentos químicos sintéticos. “Compreender esses processos representa uma oportunidade para desenvolver estratégias de manejo mais sustentáveis e adaptadas às condições da região”, disse Bulacio.
Apicultura em números
A América Latina tem mais de 6.000 espécies de abelhas nativas. Além disso, mantém cerca de 8 milhões de colmeias. Produze cerca de 70.000 toneladas de mel por ano.
Por isso, monitorar doenças em tempo real é fundamental. A medida protege a polinização, a produção agrícola e a biodiversidade.
Congresso regional discute o tema
A saúde das abelhas está no centro do XVII Congresso Latino-Americano de Apicultura (FILAPI 2026), em Mar del Plata. O evento começou após o VII Workshop da SoLatInA (29 e 30 de agosto). Cerca de 80 pesquisadores participaram, da Universidade Nacional de Mar del Plata.
O congresso vai até 6 de setembro no NH Gran Hotel Provincial. Há palestras, trabalhos científicos, encontros de negócios, concursos de mel e a feira APIEXPO. Enquanto isso, o estudo na Apidologie “Pragas e Patógenos das Abelhas Melíferas na América Latina: Breve Revisão Histórica, Situação Atual e Desafios Restantes”, ganha destaque na agenda.