Resumo da notícia
- A safra 2025/26 do Brasil deve alcançar 360,8 milhões de toneladas de grãos, com soja em 180,5 milhões e feijão caindo 3,2%, segundo a Conab. A irrigação aumenta a produtividade do feijão no Centro-Sul.
- No Triângulo Mineiro, o uso do pivô central permite planejar múltiplas janelas de plantio e extrair mais valor do mesmo hectare, tornando a irrigação essencial para o calendário agrícola.
- Produtores migram do conceito de ter irrigação para focar na eficiência hídrica, buscando maximizar a produção com cada volume de água e reduzir custos, segundo especialistas da Hydroplan-EB.
O Brasil deve colher 360,8 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26. A soja fica em 180,5 milhões de toneladas. Já o feijão cai 3,2%, para cerca de 3 milhões de toneladas, segundo a Conab. Além disso, a terceira safra de feijão, predominantemente irrigada no Centro-Sul, deve entregar 681 mil toneladas.
Assim, a irrigação deixa de ser só “seguro contra seca”. Ela passa a comandar o calendário da propriedade. No Triângulo Mineiro, com muitos pivôs centrais, quem irriga planeja mais janelas de plantio. E, ao mesmo tempo, busca extrair mais valor do mesmo hectare.
“Quando existe um pivô instalado, precisamos enxergá-lo como parte de uma estrutura produtiva que precisa entregar resultado. A água dá ao produtor maior capacidade de planejamento, mas existe um custo envolvido. Por isso, eficiência hídrica e produtividade precisam andar juntas”, afirma Loremberg Moraes, diretor da Hydroplan-EB.
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Pivô central organiza o calendário
No Triângulo Mineiro, o pivô central amplia as possibilidades de cultivo. O produtor, portanto, precisa extrair valor da mesma área em mais de uma janela produtiva. Isso vem depois de investir em estrutura, energia e insumos.
Em Minas, a Conab registrou feijão de segundo ciclo em sucessão a milho e soja. Na terceira safra, a irrigação ganha peso. Ela permite produzir em período de menor disponibilidade natural de água.
O feijoeiro é sensível à falta e ao excesso de água. Por esse motivo, a Embrapa destaca que o manejo deve considerar momento e quantidade adequados de irrigação. “O pivô resolve uma parte importante do problema, que é levar água para a lavoura. A etapa seguinte é aumentar o aproveitamento dessa água no sistema produtivo. Se conseguimos mantê-la disponível por mais tempo na região explorada pelas raízes, reduzimos perdas e damos à planta melhores condições para atravessar períodos de maior demanda”, explica Moraes.
Além disso, a Conab observou, na safra 2025/26, diferenças entre áreas irrigadas e de sequeiro. As lavouras com reposição de umidade tiveram melhores condições e expectativa de produtividade.
Eficiência hídrica na conta do produtor
Para Moraes, a avaliação da irrigação migra do “ter ou não ter” para “quanto produzir com cada volume de água”. “Durante muito tempo, a discussão foi sobre ter ou não ter irrigação. Agora, no entanto, estamos entrando em outra etapa. O produtor começa a perguntar quanto consegue produzir com aquela água, quanto custa cada aplicação e como pode aproveitar melhor a estrutura que já possui. É uma mudança importante porque coloca eficiência no centro da decisão”, afirma.
No Triângulo Mineiro, o pivô central vira ferramenta para organizar o calendário. Ele amplia opções de cultivo. E, assim, ajuda a buscar maior retorno sobre cada hectare já incorporado à produção.