Resumo da notícia
- A Ilha de Santa Catalina iniciou o abate de cerca de 200 cervos para recuperar a vegetação nativa e reduzir o risco de incêndios, após decisão judicial que permitiu o início da operação.
- Estudos indicam que os cervos, espécie introduzida, prejudicam a recuperação da flora nativa, aumentando a mortalidade de brotos e favorecendo plantas invasoras que elevam o risco de incêndios.
- O plano prevê a retirada de até 2 mil animais em até cinco anos, com uso de drones e cães, mas enfrenta contestação judicial de grupos que propõem alternativas como esterilização e transferência dos cervos.
A Ilha de Santa Catalina, na Califórnia, iniciou o abate de cervos como parte de um plano para recuperar a vegetação nativa e reduzir o risco de incêndios. A primeira etapa prevê a retirada de cerca de 200 animais entre setembro e outubro de 2026. A operação avançou depois que a Justiça negou o pedido de grupos contrários à medida para suspender os trabalhos. A disputa judicial, porém, continua.
A Catalina Island Conservancy, que administra 88% da ilha, considera os cervos uma espécie introduzida. Segundo a entidade, os animais chegaram ao local no fim da década de 1920 e passaram a consumir arbustos e outras plantas nativas. Além disso, a redução da vegetação pode favorecer gramíneas invasoras. Quando secas, elas formam material combustível e podem contribuir para a propagação de incêndios.
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Pesquisas realizadas em Santa Catalina sustentam parte da justificativa ambiental. Um estudo publicado em 2012 constatou que a presença dos cervos aumentou a mortalidade de brotos de arbustos nativos durante a recuperação de áreas atingidas pelo fogo. Outro trabalho, publicado em 2016 na revista PeerJ, mostrou que a exclusão dos animais favoreceu o desenvolvimento e a produção de sementes da planta ameaçada Dudleya virens subsp. hassei.
Assim, os estudos indicam que a pressão dos herbívoros pode dificultar a recuperação da flora. No entanto, o risco de incêndios também depende de fatores como clima, tipo de vegetação e quantidade de material combustível.
Plano prevê retirada de até 2 mil animais
A operação integra a Operation Protect Catalina Island, programa que reúne controle de espécies invasoras, restauração da vegetação e prevenção de incêndios. O plano completo prevê retirar quase toda a população estimada entre 1,8 mil e 2 mil cervos ao longo de quatro a cinco anos.
Nas próximas etapas, a equipe poderá utilizar equipamentos térmicos, drones e cães farejadores. A carne aproveitável deverá ser destinada a comunidades indígenas parceiras ou a iniciativas de conservação do condor-da-Califórnia. Já alguns animais que circulam perto de Avalon poderão ser esterilizados.
Entidades contestam a medida
Organizações de defesa dos animais, moradores e grupos ligados à caça contestam o projeto na Justiça. Entre os autores da ação está o Safari Club International. Em 3 de setembro, o juiz Curtis A. Kin negou a liminar que tentava impedir o início da operação. Com isso, a primeira fase pôde avançar, mas o processo principal continua.
Os opositores defendem alternativas como esterilização, transferência dos animais e ampliação da caça recreativa. A Conservancy, por sua vez, afirma que capturar e acompanhar milhares de cervos em uma ilha montanhosa seria demorado, caro e arriscado.
O caso também se aproxima de desafios enfrentados no meio rural brasileiro, onde espécies introduzidas, como javalis e javaporcos, exigem medidas de controle. Em Catalina, a recuperação da vegetação nativa e a evolução dos fatores relacionados aos incêndios deverão indicar os efeitos da operação.