Resumo da notícia
- A Abipesca propôs ao governo uma cota anual de 16,2 mil toneladas para importação de filés de tilápia, baseada na média mensal do primeiro semestre de 2026, com caráter temporário e monitoramento contínuo.
- Importações de filés de tilápia cresceram, chegando a 11% do volume nacional em março de 2026, superando as exportações brasileiras e refletindo desafios no mercado externo e mudanças tarifárias.
- A piscicultura enfrenta queda de 30% nas vendas de alevinos, custos elevados e riscos regulatórios com possível inclusão da tilápia na lista de espécies invasoras, impactando investimentos e atividades futuras.
A Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados) propôs ao governo federal uma cota anual de 16,2 mil toneladas para a importação de filés de tilápia, independentemente do país de origem.
O volume tem como base, segundo a associação, a média mensal das importações registrada no primeiro semestre de 2026, multiplicada por 12 meses. Dessa forma, o ritmo de compras externas do período serve como referência para estabelecer o limite anual.
A medida seria temporária, e não um limite permanente para as importações. Nesse caso, a proposta prevê acompanhar preços, oferta, empregos e capacidade das indústrias para avaliar se o volume continua adequado. Além disso, inclui exigências sanitárias e de qualidade.
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De acordo com os cálculos apresentados pela Abipesca, as 16,2 mil toneladas equivalem a cerca de 5% do volume nacional de filés.
Importações ganham espaço
Segundo dados apresentados pela Abipesca, o Brasil importou cerca de 8 mil toneladas de filés de tilápia do Vietnã no primeiro semestre de 2026, em operações de US$ 33 milhões.
Em março, por sua vez, as compras externas chegaram a cerca de 11% do volume nacional mensal e superaram, pela primeira vez, as exportações brasileiras da espécie.
Já a produção de 2025 alcançou mais de 707 mil toneladas de tilápia inteira, conforme o dado citado pela associação. A partir desse volume e do rendimento industrial utilizado no cálculo, chega-se a uma estimativa de aproximadamente 212 mil toneladas de filés.
No entanto, no primeiro semestre de 2026, as exportações da piscicultura recuaram 34% em relação ao mesmo período de 2025, de acordo com os números apresentados pela Abipesca. Além disso, a associação aponta dificuldades no mercado europeu e impactos de mudanças tarifárias nos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, o Brasil avalia uma possível abertura para a tilápia produzida na China, maior produtor mundial da espécie.
Piscicultura sente pressão do mercado
Nesse contexto, o cenário pode afetar as decisões de investimento na piscicultura. Como a criação exige planejamento antecipado, mudanças nas vendas podem, consequentemente, alterar a compra de insumos e o povoamento dos viveiros.
Além disso, dados de entidades regionais citados pela Abipesca indicam queda de aproximadamente 30% nas vendas de alevinos em seis meses. Para a associação, esse movimento pode indicar menor investimento futuro.
Por outro lado, a atividade também enfrenta custos elevados com petróleo, fretes, seguros e logística.
Mudanças regulatórias entram no debate
Paralelamente, a criação está no centro da discussão sobre uma possível inclusão da espécie na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras.
Segundo a Abipesca, uma eventual classificação poderia afetar empreendimentos que dependem de licenciamento ambiental, crédito, uso de águas da União e expansão das atividades.
Assim, a proposta prevê o acompanhamento de indicadores econômicos, comerciais, sanitários e regulatórios para orientar eventuais mudanças na medida.