Resumo da notícia
- Entre 55,6% e 69,2% das espécies de orquídeas estão em risco de extinção, tornando a família Orchidaceae uma das mais ameaçadas entre plantas com flores.
- Mais de 25 mil espécies de orquídeas ainda não foram avaliadas pela Lista Vermelha da IUCN, dificultando a mensuração completa da ameaça enfrentada pelo grupo.
- O extrativismo predatório, comércio ilegal, perda de habitat e mudanças climáticas continuam pressionando as orquídeas, que enfrentam vulnerabilidades por seu crescimento lento e dependências ecológicas.
Uma revisão internacional estima que entre 55,6% e 69,2% das espécies de orquídeas estejam sob risco de extinção. O estudo também mostra que mais de 25 mil espécies ainda não passaram por uma avaliação global da Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).
Durante a Era Vitoriana, entre 1837 e 1901, colecionadores europeus transformaram as orquídeas em objetos de desejo. Expedições percorriam regiões tropicais em busca de espécies raras para levar à Grã-Bretanha. Esse movimento ficou conhecido como “orquidelírio” e também estimulou a retirada de plantas da natureza.
Atualmente, o extrativismo e o comércio ilegal continuam entre as pressões sobre essas plantas. A revisão foi publicada no periódico Biodiversity and Conservation e reuniu cientistas de diferentes países, incluindo o professor Eric de Camargo Smidt, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
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“O extrativismo predatório, aliado ao mercado ilegal que persiste até hoje, colocou a família Orchidaceae em maior risco de extinção do que outras plantas com flores”, afirma Smidt, que também atua como Autoridade da Lista Vermelha para Orquídeas Sul-Americanas da IUCN.
Até 69,2% das orquídeas podem estar ameaçadas
Os pesquisadores reuniram dados disponíveis até março de 2025 e utilizaram ferramentas de inteligência artificial para cruzar informações sobre as espécies.
Com base nessa análise, o estudo estima que 55,6% a 69,2% das espécies de Orchidaceae estejam sob risco de extinção. Assim, as orquídeas aparecem entre os grupos de plantas com flores mais ameaçados.
Cerca de 75% das espécies são epífitas, ou seja, crescem sobre outras plantas, principalmente árvores. Outras vivem no solo, enquanto as mico-heterotróficas dependem de fungos para obter nutrientes.
Além disso, distribuição geográfica restrita, crescimento lento e dependência de polinizadores e fungos podem tornar determinadas espécies mais vulneráveis. A revisão também aponta mudanças climáticas e incêndios entre os fatores que preocupam os pesquisadores.
Lista Vermelha ainda avaliou poucas espécies
A dimensão do problema permanece difícil de medir porque grande parte das orquídeas ainda não passou por uma análise global.
Na atualização 2025-1 da Lista Vermelha da IUCN, 2.123 espécies de Orchidaceae haviam sido avaliadas, diante de aproximadamente 30 mil espécies reconhecidas. Portanto, mais de 25 mil ainda não tinham avaliação global.
Entre as espécies analisadas, 1.062 estavam classificadas como Criticamente em Perigo, Em Perigo ou Vulneráveis. A revisão também identifica lacunas importantes na América Central e do Sul e na Ásia tropical.
Pressão sobre as orquídeas continua
O comércio ilegal e a coleta predatória ganharam força durante o século 19 e continuam entre os fatores que afetam as populações selvagens. Atualmente, porém, as plantas também enfrentam perda de habitat, mudanças climáticas e incêndios.
Nesse cenário, ampliar o monitoramento pode ajudar a identificar quais espécies precisam de maior atenção. O levantamento também reforça a importância de preencher as lacunas de conhecimento sobre a família Orchidaceae, especialmente em regiões de alta diversidade.