Índice do IMAmt saltou de 4,61 para 10,22 bicudos por armadilha por semana, reforçando a necessidade de manejo antes da safra 2026/27
bicho bicudo
Foto: ARAÚJO, Sebastião José de/Embrapa.

A pressão do bicudo-do-algodoeiro atingiu na safra 2025/26 o maior nível da série de monitoramento do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt) em Mato Grosso. O índice B.A.S., que mede a média de insetos capturados por armadilha a cada semana, subiu de 4,61 na safra 2024/25 para 10,22 no ciclo 2025/26.

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O resultado foi apresentado na terça-feira (22), durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão, em Belo Horizonte (MG), por Márcio Souza, coordenador de Projetos e Difusão de Tecnologias do IMAmt.

Segundo o instituto, a série começou na safra 2012/13. Atualmente, o IMAmt mantém 864 armadilhas distribuídas pelas regiões produtoras de Mato Grosso para acompanhar a população da praga.

Manejo começa antes do plantio

Diante da pressão registrada, o controle precisa começar antes da implantação da nova lavoura. Nesse sentido, o manejo envolve o cumprimento do vazio sanitário, o monitoramento durante a entressafra e a eliminação de plantas voluntárias, conhecidas como tigueras.

Essas plantas podem manter o bicudo no ambiente entre os ciclos. Por isso, a retirada delas ajuda a reduzir as condições para a sobrevivência e a reprodução da praga.

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Além disso, o transporte do algodão exige atenção. Quando a carga é acondicionada de forma inadequada, caroços podem cair nas estradas. Depois, as sementes podem germinar e formar novas plantas voluntárias, criando pontos de sobrevivência para o inseto.

Soja também entra no controle

O manejo também avança para o período de cultivo da soja. Em Mato Grosso, produtores buscam estratégias para reduzir a população do bicudo que permanece no sistema antes do próximo plantio de algodão.

Nesse cenário, a eliminação das tigueras durante a soja ganha importância. Isso porque essas plantas podem formar as chamadas pontes verdes, que favorecem a sobrevivência da praga entre as safras.

Dyogo Fonseca, gerente de Desenvolvimento de Mercado da BASF Soluções para a Agricultura, destacou esse fator durante o congresso. “O manejo do bicudo não começa na safra.”

Segundo Fonseca, a população presente na entressafra pode indicar a pressão esperada para o ciclo seguinte. Ele também citou o avanço de sistemas irrigados em algumas regiões como um fator que pode ampliar a presença de cultivos por períodos mais longos e favorecer as pontes verdes.

“No passado a gente não tinha essas pontes verdes tão presentes ou tão expressivas em área. Então conseguia fazer um controle mais reduzido e mais eficaz”, afirmou.

Safra 2026/27 exige atenção

Com o maior índice da série registrado em 2025/26, o manejo ganha importância antes da próxima temporada. Assim, a estratégia envolve o vazio sanitário, a eliminação de tigueras, o monitoramento da entressafra e os cuidados com o transporte.

O objetivo é reduzir os locais que permitem a permanência do bicudo entre os ciclos e diminuir a pressão sobre as lavouras da safra 2026/27.

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Para o próximo ciclo, portanto, o monitoramento durante a entressafra ganha ainda mais peso. A identificação de plantas voluntárias e a retirada desses focos, associadas aos cuidados no transporte e ao cumprimento do vazio sanitário, ajudam a reduzir as condições de permanência da praga antes do estabelecimento das novas lavouras.