Alagoas chegou a 202,9 mil animais em 2025, enquanto o rebanho brasileiro cresceu apenas 0,53%; sanidade ainda desafia produtores
criação de suínos, com vários animais saudáveis em primeiro plano
Foto: Agro em Campo

A suinocultura de Alagoas registrou um crescimento que chama a atenção no cenário nacional. Enquanto o rebanho brasileiro praticamente ficou estável em 2025, o estado nordestino aumentou em 22% o número de suínos, alcançando a maior expansão percentual entre as 27 unidades da Federação.

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Os dados fazem parte da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento mostra que Alagoas passou de aproximadamente 166,4 mil suínos em 2024 para 202.932 animais em 2025.

O desempenho superou o Amazonas, que registrou crescimento de 10,1% e ficou na segunda posição nacional.

A diferença também impressiona quando comparada à média brasileira. No mesmo período, o rebanho nacional passou de 43,76 milhões para 43,99 milhões de animais, avanço de aproximadamente 0,53%.

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Apesar da expansão, Alagoas ainda possui um rebanho relativamente pequeno diante dos principais estados produtores.

Alagoas cresce, mas Santa Catarina continua na liderança

O crescimento percentual não significa que Alagoas tenha se tornado um dos maiores produtores de suínos do Brasil.

Com aproximadamente 203 mil animais, o estado ocupa a 17ª posição no ranking nacional.

Santa Catarina permanece na liderança, com mais de 9,3 milhões de suínos, segundo o IBGE.

Isso significa que o rebanho catarinense é aproximadamente 46 vezes maior que o alagoano.

A comparação evidencia uma característica importante da suinocultura brasileira: a atividade possui forte concentração nos estados do Sul, que reúnem grandes estruturas de produção, processamento e comercialização.

Em Alagoas, o avanço ocorre sobre uma base produtiva menor, o que ajuda a explicar a diferença entre a expressiva taxa de crescimento e a participação ainda limitada no rebanho nacional.

Quais municípios concentram a criação de suínos?

O crescimento da suinocultura alagoana tem participação importante de municípios do interior.

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Viçosa lidera o ranking estadual, com aproximadamente 19 mil suínos.

Arapiraca aparece na segunda posição, com 12 mil animais, seguida por Palmeira dos Índios, com 11,8 mil.

Os três municípios somam cerca de 42,8 mil suínos, o equivalente a aproximadamente 21% do rebanho estadual.

A atividade também representa uma alternativa econômica para propriedades rurais que combinam diferentes fontes de renda.

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Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária de Alagoas (Seagri), a criação de suínos possui importância econômica e social, especialmente para famílias que utilizam a atividade como complemento da renda.

Entretanto, o crescimento do rebanho também amplia a necessidade de investimentos em assistência técnica, biosseguridade e controle sanitário.

Peste Suína Clássica ainda representa desafio

Um dos principais desafios da suinocultura alagoana está relacionado à Peste Suína Clássica (PSC), doença viral altamente contagiosa que atinge suínos domésticos e asselvajados.

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a enfermidade pode provocar grandes prejuízos econômicos, principalmente em decorrência da mortalidade de animais e das restrições sanitárias.

A doença não representa risco à saúde humana, mas exige atenção dos produtores devido à facilidade de disseminação entre os animais.

Alagoas integra a zona não livre da enfermidade e participa de um projeto-piloto de vacinação desenvolvido para fortalecer o controle sanitário.

O Mapa escolheu o estado para testar a estratégia considerando fatores como o tamanho do rebanho, a extensão territorial, a localização na divisa entre zonas sanitárias e o histórico de ocorrência da doença.

A primeira etapa do programa ocorreu em 2021, quando as equipes vacinaram 106.881 suínos em 7.018 estabelecimentos.

Em 2022, a segunda etapa alcançou 127.191 animais em 5.581 propriedades.

O objetivo é reduzir a circulação do vírus e contribuir para a evolução das condições sanitárias da atividade.

Vacinação busca abrir caminho para novos mercados

O governo de Alagoas também ampliou os investimentos no controle da Peste Suína Clássica.

Em 2023, o estado destinou R$ 800 mil ao programa de vacinação, permitindo que produtores recebessem a imunização gratuitamente.

Segundo o secretário estadual da Agricultura, Marcelo Melo, a iniciativa também ajudou a identificar criadores e compreender melhor a estrutura da atividade.

O levantamento das propriedades e dos animais representa uma etapa importante para organizar a cadeia produtiva.

Governo incentiva produtores alagoanos para vacinação contra a Peste Suína. Foto: Ascom Seagri

Além de proteger os rebanhos, o controle sanitário pode favorecer a comercialização de animais e produtos, especialmente diante das exigências para o trânsito entre regiões com diferentes condições sanitárias.

Entretanto, o crescimento do rebanho não significa que Alagoas tenha conquistado o reconhecimento de área livre da Peste Suína Clássica.

Esse processo depende do cumprimento de critérios técnicos e sanitários estabelecidos pelas autoridades competentes.

Rebanho bovino também cresce em Alagoas

O avanço da pecuária alagoana não ficou restrito aos suínos.

Segundo o IBGE, o rebanho bovino passou de 1,389 milhão de cabeças em 2024 para aproximadamente 1,485 milhão em 2025, crescimento de 7%.

O resultado representa a terceira maior expansão percentual do país, atrás apenas de Sergipe e Rio Grande do Norte.

Palmeira dos Índios concentra o maior rebanho bovino de Alagoas, com 45.384 animais.

Igreja Nova aparece em seguida, com aproximadamente 40 mil cabeças, enquanto Viçosa ocupa a terceira posição, com 39.691 bovinos.

Para o governo estadual, iniciativas de melhoramento genético, capacitação de produtores e incentivo à inseminação artificial contribuíram para o desenvolvimento da atividade.

O secretário Marcelo Melo também destaca o reconhecimento sanitário do estado como zona livre de febre aftosa sem vacinação, condição que amplia as possibilidades de acesso a mercados.

Pecuária movimenta R$ 1,8 bilhão, mas leite perde valor

Apesar do crescimento dos rebanhos, o valor da produção pecuária alagoana apresentou estabilidade em 2025.

Segundo o IBGE, a atividade movimentou aproximadamente R$ 1,813 bilhão, diante dos R$ 1,816 bilhão registrados no ano anterior.

Desse total, R$ 1,556 bilhão correspondeu aos produtos de origem animal e R$ 256,8 milhões à aquicultura.

O leite continuou como principal produto da pecuária estadual em valor de produção.

A atividade movimentou R$ 1,256 bilhão, equivalente a 80,7% do valor dos produtos de origem animal pesquisados.

Entretanto, o resultado representou uma queda de 7,9% em relação aos R$ 1,363 bilhão registrados em 2024.

Os números mostram que o aumento do número de animais nem sempre acompanha o desempenho econômico das diferentes atividades pecuárias.

No caso da suinocultura, o crescimento de 22% coloca Alagoas em destaque nacional. O próximo desafio será transformar a expansão do rebanho em desenvolvimento sustentável da produção, com avanços sanitários, maior produtividade e novas oportunidades comerciais.