Exportações crescem, ampliam a presença brasileira no mercado mundial e reforçam a disputa com os Estados Unidos, mas desafios de logística e diversificação persistem
plantação
Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

O Brasil ampliou sua presença no comércio internacional de alimentos e matérias-primas. Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro alcançaram US$ 169,2 bilhões, recorde histórico, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

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O resultado representou crescimento de 3% em relação a 2024. Além disso, o setor respondeu por 48,5% de todas as exportações brasileiras, o que demonstra a importância da produção agropecuária para a economia nacional.

A posição do país também ganhou destaque na comparação com os Estados Unidos. No entanto, a liderança brasileira depende da categoria analisada: um estudo do Insper Agro Global aponta que o Brasil superou os norte-americanos nas exportações de commodities agropecuárias e agroindustriais consideradas pela pesquisa. Isso não significa que o país lidere todas as categorias do comércio mundial do agronegócio.

Brasil supera os EUA em exportações de commodities

Um estudo do Insper Agro Global identificou que o Brasil assumiu, a partir de 2023, a liderança mundial nas exportações de commodities agropecuárias e agroindustriais, conforme a classificação adotada pelos pesquisadores.

Em 2024, as vendas brasileiras desses produtos somaram US$ 137,7 bilhões, valor US$ 14,4 bilhões superior ao registrado pelos Estados Unidos na mesma categoria.

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A comparação, porém, exige cuidado. Quando o estudo considera uma categoria mais ampla de exportações do agronegócio, o Brasil aparece atrás dos Estados Unidos e da União Europeia. Portanto, liderar as vendas de commodities não significa ocupar o primeiro lugar em todo o comércio internacional do setor.

O desempenho brasileiro está relacionado à escala de produção, à diversidade de culturas e à capacidade de abastecer grandes mercados consumidores. A pesquisa agropecuária e a adoção de tecnologias também contribuíram para elevar a produtividade de diferentes cadeias.

Ainda assim, os resultados variam conforme os produtos incluídos, os preços internacionais e o período analisado. Por isso, comparações entre países precisam utilizar critérios estatísticos equivalentes.

China concentra parte importante das compras

A China ocupa posição central no comércio agrícola brasileiro. Em 2025, o país asiático comprou US$ 55,3 bilhões em produtos do agronegócio nacional, o equivalente a 32,7% das exportações do setor, segundo o Mapa.

A União Europeia ficou em segundo lugar, com US$ 25,2 bilhões, enquanto os Estados Unidos registraram US$ 11,4 bilhões em compras de produtos brasileiros do agronegócio.

A soja está entre os produtos mais importantes dessa relação comercial. Em 2025, as exportações brasileiras do grão geraram US$ 43,5 bilhões, com embarques de 108,2 milhões de toneladas.

As disputas comerciais entre Estados Unidos e China podem abrir oportunidades para fornecedores brasileiros. Quando tarifas ou outras barreiras alteram os custos de importação, os compradores podem procurar alternativas para manter o abastecimento.

Entretanto, essa oportunidade não garante ganhos permanentes. Mudanças nas políticas comerciais, nos preços e na demanda internacional podem alterar os fluxos de compra. Por isso, diversificar os mercados de exportação ajuda a reduzir a exposição a decisões tomadas por poucos compradores.

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Tecnologia amplia a produtividade no campo

O avanço das exportações também depende da capacidade de produzir em escala e abastecer os mercados. Nesse processo, a pesquisa agropecuária, o melhoramento genético, a mecanização e o aprimoramento do manejo contribuíram para elevar a produtividade de diferentes culturas.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveu tecnologias adaptadas às condições tropicais que ajudaram a ampliar as possibilidades de cultivo em diferentes regiões. No Cerrado, por exemplo, a pesquisa contribuiu para adaptar sistemas produtivos às características do solo e do clima.

Além disso, a agricultura de precisão e os sistemas integrados de produção podem melhorar o aproveitamento de insumos e recursos naturais. Os resultados, contudo, dependem das condições de cada propriedade, do acesso à tecnologia e da capacidade de investimento do produtor.

A expansão da produção também exige infraestrutura adequada. Estradas, ferrovias, portos e armazéns influenciam o custo de transportar e conservar os produtos até o destino.

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Quando a logística encarece, parte da competitividade conquistada na lavoura pode se perder antes mesmo de o produto chegar ao comprador. Por isso, ampliar a capacidade de armazenagem e melhorar o transporte são medidas importantes para sustentar o crescimento das vendas externas.

Crédito rural financia a produção

O financiamento também influencia a capacidade de investimento do setor. Os recursos destinados ao custeio, à comercialização e à aquisição de máquinas permitem que os produtores organizem as safras e adotem tecnologias.

Entre julho de 2025 e março de 2026, as contratações de crédito rural empresarial chegaram a R$ 404 bilhões, segundo o Mapa. Desse total, R$ 387 bilhões foram efetivamente concedidos. A distinção é importante porque valores contratados e recursos liberados não representam a mesma medida.

O acesso ao financiamento, entretanto, não elimina os riscos da atividade rural. Taxas de juros, exigências de garantias, custos de produção e oscilações dos preços agrícolas influenciam a capacidade de investimento e o retorno obtido pelo produtor.

Por isso, o crédito precisa estar associado ao planejamento da atividade e a condições adequadas de comercialização. A disponibilidade de recursos pode apoiar a expansão da produção, mas não garante, isoladamente, aumento de produtividade ou rentabilidade.

Dependência de commodities traz riscos

Apesar dos resultados positivos, a pauta exportadora brasileira permanece exposta às oscilações dos preços internacionais e à demanda dos principais compradores. Quando uma parcela importante das receitas depende de grandes cadeias de commodities, mudanças no mercado podem afetar os resultados do setor.

A diversificação de produtos pode ampliar as oportunidades para frutas, pescados e alimentos processados, entre outros segmentos. Para avançar, o país precisa atender às exigências sanitárias dos compradores, investir no processamento industrial e conquistar novos mercados.

A agregação de valor também pode ampliar as oportunidades econômicas. Em vez de depender apenas da venda de matérias-primas, o Brasil pode fortalecer cadeias capazes de transformar parte da produção em alimentos processados e outros produtos com maior valor comercial.

Esse avanço, porém, exige investimentos, tecnologia e condições competitivas de produção. Além disso, cada cadeia enfrenta exigências específicas de qualidade, conservação e transporte.

Sustentabilidade influencia a competitividade

A capacidade de manter e ampliar o acesso aos mercados internacionais também depende do cumprimento de exigências ambientais e sanitárias. Compradores podem estabelecer critérios relacionados à origem dos produtos, à rastreabilidade e às práticas de produção.

Nesse contexto, recuperar pastagens degradadas, melhorar o manejo e aumentar a produtividade em áreas já utilizadas pode contribuir para conciliar produção e conservação ambiental. Essas medidas precisam respeitar a legislação e contar com planejamento, fiscalização e investimentos.

O enfrentamento dos riscos climáticos também merece atenção. Secas, chuvas excessivas e temperaturas elevadas podem comprometer a produtividade, alterar a oferta de produtos e pressionar os custos de produção.

Por isso, o planejamento agrícola, a adoção de tecnologias adequadas e a diversificação dos sistemas produtivos podem ajudar a reduzir vulnerabilidades. Os resultados dependem das condições regionais e das características de cada atividade.

Brasil precisa transformar escala em competitividade

O país reúne vantagens importantes no comércio mundial de produtos agropecuários, como escala de produção, pesquisa agrícola e presença consolidada em mercados estratégicos. Esses fatores ajudam a explicar sua liderança em determinadas commodities.

Manter essa posição, entretanto, exige investimentos contínuos em infraestrutura, armazenagem, tecnologia e agregação de valor. O Brasil também precisa ampliar os destinos de suas exportações e lidar com riscos climáticos, comerciais e financeiros.

Para o produtor rural, o crescimento das vendas externas pode abrir oportunidades, mas os resultados dependem dos custos, dos preços recebidos e das condições de financiamento.

A liderança brasileira nas exportações de commodities representa um avanço importante, mas não equivale à liderança em todas as categorias do agronegócio mundial. Transformar essa posição em ganhos duradouros para produtores, indústria e demais integrantes da cadeia produtiva continua sendo um dos principais desafios do setor.