Resumo da notícia
- A produção do queijo Minas artesanal preserva técnicas familiares e regionais, garantindo a transmissão do conhecimento e gerando renda para famílias no campo, como exemplifica a produtora Fernanda Neiva.
- Fernanda comercializa queijos tradicionais e inovadores, como versões temperadas e com goiabada, atendendo hotéis e feiras locais, diversificando canais de venda e fortalecendo a economia rural.
- O reconhecimento cultural ganhou destaque nacional e internacional, com o Iphan registrando o modo artesanal como patrimônio brasileiro e a Unesco o incluindo em sua lista de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
A produção de queijo Minas artesanal vai além da fabricação de um alimento tradicional. No campo, famílias mantêm técnicas transmitidas entre gerações, preservam costumes regionais e encontram na atividade uma forma de complementar a renda. Ao mesmo tempo, o reconhecimento cultural dessa produção amplia a visibilidade de um dos símbolos da gastronomia mineira.
A história da produtora Fernanda Soares Magalhães Neiva, de Paracatu, no noroeste de Minas Gerais, mostra como esse conhecimento pode se transformar em atividade econômica. Conforme relato publicado pelo Ministério da Cultura, ela aprendeu a fazer queijos com a sogra e, com a experiência, desenvolveu novas versões do produto.
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Atualmente, Fernanda comercializa os queijos por encomenda, fornece para hotéis da cidade e participa da feira do produtor aos sábados. Dessa maneira, a produção artesanal encontra diferentes canais de venda e contribui para a renda da propriedade, que também fornece leite para um laticínio local.
Queijo Minas artesanal preserva conhecimentos familiares
O modo tradicional de fazer queijo reúne técnicas desenvolvidas ao longo do tempo pelas comunidades produtoras. O trabalho pode envolver etapas como coagulação do leite, corte da massa, retirada do soro, modelagem e salga. Conforme o tipo de queijo, o processo também pode incluir a maturação.
Além dos procedimentos técnicos, a experiência do produtor orienta decisões importantes durante a fabricação. O ponto da massa, a quantidade de sal e o tempo dedicado a cada etapa influenciam as características do produto.

Na propriedade de Fernanda, o aprendizado também abriu espaço para adaptações. Com a prática, ela passou a preparar versões temperadas e queijos com goiabada, além do produto tradicional, de acordo com as informações divulgadas pelo Ministério da Cultura.
A transmissão desse conhecimento continua dentro da família. A filha da produtora acompanha parte do trabalho e começa a aprender os cuidados necessários para preparar as peças. Assim, a atividade mantém sua ligação com as novas gerações.
Unesco reconhece tradição do queijo Minas
A importância cultural dessa produção recebeu reconhecimento nacional e internacional. Em 2008, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registrou o modo artesanal de fazer queijo de Minas como patrimônio cultural brasileiro.
Treze anos depois, em 2021, o órgão revalidou o registro, adotando a denominação Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal e ampliando sua abrangência territorial.

Mais recentemente, em 4 de dezembro de 2024, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) incluiu esses modos de fazer na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Esse reconhecimento valoriza não apenas o alimento, mas também os conhecimentos, as práticas e as relações sociais que sustentam a tradição. Além disso, destaca a diversidade da produção mineira, marcada pelas características dos territórios e pela experiência acumulada pelas famílias.
Produção artesanal aproxima produtores e consumidores
A comercialização representa uma etapa importante para a continuidade do trabalho. No caso de Fernanda, as encomendas, o fornecimento para hotéis e a participação na feira local ampliam as oportunidades de venda.
A relação direta com os compradores também fortalece o vínculo entre o produto e a memória afetiva. Segundo o relato divulgado pelo Ministério da Cultura, alguns clientes associam o sabor dos queijos a lembranças da infância e a receitas preparadas por familiares.

Esse vínculo cultural, no entanto, não elimina os desafios da atividade. Para manter a produção e ampliar as vendas, os fabricantes precisam observar as condições de higiene, a qualidade do leite, as boas práticas de fabricação e as exigências sanitárias aplicáveis à comercialização.
Por isso, a continuidade do queijo Minas artesanal depende tanto da transmissão dos conhecimentos tradicionais quanto das condições necessárias para produzir e comercializar os alimentos com segurança.
Tradição que atravessa gerações
A experiência de Fernanda mostra como o aprendizado familiar pode ganhar espaço na economia rural. O conhecimento recebido da sogra se transformou em uma atividade comercial que complementa a renda da propriedade e começa a alcançar a geração seguinte.
Ao mesmo tempo, o reconhecimento do Iphan e da Unesco reforça a importância de preservar os saberes tradicionais ligados à produção artesanal.

Mais do que conservar uma receita, manter essa tradição significa valorizar o trabalho das famílias produtoras, preservar a identidade cultural de Minas Gerais e garantir que conhecimentos construídos ao longo de gerações continuem presentes no campo.