Levantamento do Cepea aponta alta nos preços das uvas brancas sem semente, enquanto temperaturas próximas de 40 °C prejudicam a qualidade dos cachos no Vale do São Francisco
uvas
Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

A oferta mais controlada e o avanço das exportações impulsionaram os preços da uva branca sem semente no Vale do São Francisco, entre Pernambuco e Bahia. Na semana de 13 a 16 de outubro, a fruta registrou valorização, apesar dos efeitos do calor intenso sobre sua qualidade.

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Segundo levantamento do Cepea, a uva branca sem semente embalada de Categoria 1 alcançou preço médio de R$ 11,60 por quilo, uma alta de 4,4% em relação à semana anterior. Além disso, a boa demanda no mercado interno contribuiu para sustentar as cotações.

Na roça, porém, o comportamento foi diferente. O preço da variedade permaneceu estável em R$ 5,50/kg. Portanto, a valorização do produto embalado não se estendeu à comercialização na propriedade.

Calor intenso prejudica a qualidade das uvas

Apesar da alta nos preços, as temperaturas elevadas preocupam os produtores do Vale do São Francisco. Conforme os dados meteorológicos citados no levantamento, as máximas chegaram perto de 40 °C durante a semana analisada.

Produtores consultados pelo Cepea relataram que o calor prejudica principalmente as lavouras com menor massa foliar. Nessas áreas, os cachos ficam mais expostos à radiação solar, o que favorece o aparecimento de bagas amareladas e compromete a aparência das frutas.

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Por isso, a valorização das cotações não significa que todos os produtores consigam vender a colheita pelos mesmos valores. A qualidade dos cachos e os padrões exigidos pelos compradores também influenciam a comercialização.

BRS Vitória registra queda nos preços

Enquanto as uvas brancas sem semente ganharam valor, a uva BRS Vitória apresentou movimento contrário. A variedade negra sem semente embalada registrou preço médio de R$ 9,80/kg, uma queda de 2,3% na comparação com a semana anterior.

Segundo os produtores consultados, alguns lotes apresentam resíduos, situação que dificulta as negociações com o mercado externo e contribui para o acúmulo de estoques no mercado interno.

O levantamento, contudo, não detalha a natureza desses resíduos nem apresenta resultados de análises laboratoriais. Assim, não é possível afirmar quais substâncias estão envolvidas ou determinar a causa do problema com base apenas nessas informações.

Além disso, a menor disponibilidade de frutas aptas à comercialização influencia o cenário da variedade. Com isso, a BRS Vitória encerrou a semana sob maior pressão de preços em comparação com o período anterior.

Irrigação e exportações influenciam as próximas semanas

Para as próximas semanas, o levantamento aponta que o aumento da frequência de irrigação nas lavouras pode favorecer o desenvolvimento das uvas brancas sem semente e contribuir para a recuperação da qualidade. Entretanto, esse possível resultado depende das condições de cada cultivo e não representa uma garantia de melhora.

Já para as uvas negras, a expectativa é de recuperação gradual do escoamento, com embarques mais aquecidos em comparação ao início de outubro.

Dessa forma, os próximos movimentos do mercado dependerão da qualidade das frutas, da oferta disponível e do ritmo das exportações. Para os produtores do Vale do São Francisco, acompanhar esses fatores será importante para avaliar as oportunidades de comercialização e os efeitos do calor sobre a produção.

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