Diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, a ciência brasileira apresenta uma solução robusta para a cafeicultura: a cultivar MGS Epamig Amarelão. Desenvolvida ao longo de quatro décadas pelo Programa de Melhoramento do Cafeeiro da Epamig, em parceria com a Embrapa Café e a UFV, esta nova variedade de café se destaca pela tolerância ao déficit hídrico e resistência a doenças como a ferrugem e nematoides.

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A comprovação de seu potencial ocorreu em campo. Durante uma seca severa em 2014, na região de Capelinha (MG), as plantas da linhagem Amarelão mantiveram vigor e produtividade, enquanto outras sofriam perdas. Este desempenho chamou a atenção dos produtores do Vale do Jequitinhonha, que adotaram a cultivar em um exemplo de melhoramento participativo.

Mais do que resistência: qualidade que conquista o mundo

O grande diferencial da MGS Epamig Amarelão vai além da resiliência no campo. A variedade produz uma bebida de altíssima qualidade, reconhecida em importantes premiações. Na Fazenda Sequoia, em Angelândia, o café produzido a partir desta cultivar já foi premiado na região da Chapada de Minas e alcançou pontuações elevadas em concursos nacionais e internacionais.

“Os concursos são o nosso termômetro. A cultivar surpreende pela qualidade da bebida, que une notas frutadas, florais e acidez brilhante. Já conquistamos quatro prêmios com o café Amarelão”, comemora Rodrigo Crimaudo Mendes, gerente da propriedade, que hoje dedica aproximadamente 17 hectares à variedade e planeja expansão.

Uma jornada de 40 anos da semente à xícara premiada

O caminho até o registro da cultivar, concedido em novembro, foi longo. Originada do cruzamento entre o Catuaí Amarelo IAC 30 e o Híbrido de Timor UFV 445-46, a planta passou por rigorosos testes nas unidades da Epamig em São Sebastião do Paraíso, Machado e Patrocínio. Avaliou-se produtividade, resistência a pragas e a qualidade dos grãos.

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“O melhoramento consiste no acompanhamento e na reprodução das diferentes gerações em diversas condições climáticas e de solo. É uma tecnologia que demanda paciência e precisão”, explica o pesquisador da Epamig, Vinícius Teixeira Andrade, um dos responsáveis pelo desenvolvimento.

O cafeicultor Sérgio Meirelles Filho, de Aricanduva, confirma o sucesso: “Plantei e fiquei muito satisfeito. É uma cultivar que surpreende pela produtividade, qualidade e precocidade”.

Expansão e novos testes

Apesar do sucesso no Jequitinhonha, onde já existem mais de 5 milhões de plantas, a Epamig busca ampliar as avaliações. O objetivo é testar a cultivar em diferentes altitudes, solos, latitudes e sistemas (sequeiro e irrigado) para dar mais robustez às recomendações técnicas.

“As avaliações de desempenho em campo serão expandidas. Em ambientes onde já tivemos quatro colheitas, a produtividade superou 50 sacas por hectare”, finaliza Andrade.

A Epamig comercializa sementes e mudas de diversas variedades de café, incluindo a MGS Epamig Amarelão, de forma sazonal. O contato deve ser feito através da Assessoria de Negócios Agropecuários pelo e-mail: [email protected].

 

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